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terça-feira, 30 de setembro de 2014

As modas passam, a exploração permanece

As modas passam, a exploração permanece
A classe operária é e será o sujeito da mudança social

"a realidade, uma vez mais, com a sua teimosia habitual, voltará a colocar os trabalhadores e trabalhadoras deste país no lugar que a história lhes reservou. As modas vêm e vão, mas a exploração permanece. E, com ela, as teorias que impedem a consciência do papel de classe social ascendente. Por isso, é necessário reforçar a frente de luta ideológica contra as novas tentativas de substituição do proletariado e das suas formas de luta assim como de liquidação das suas formas de organização."

RMT1

Há décadas que o movimento operário é bombardeado por todo o tipo de teorias que negam o papel histórico da classe operária. Continuando no trilho encetado por H. Marcuse, A. Gorz e outros, a nova social-democracia lançou um novo ataque com o objetivo de questionar o papel revolucionário do proletariado e do Partido Comunista, assim como a Revolução Social.


Uma história que vem de longe...

Lenine, por volta de 1913, destacou que o "o aspecto mais importante da doutrina de Marx é a demonstração do papel histórico universal do proletariado como criador da sociedade socialista". Desde então, e muito especialmente desde o triunfo da Revolução Socialista na Rússia de 1917, repetiram-se os ataques teóricos, por parte da sociologia burguesa e pequeno-burguesa, com o intuito de questionar o papel da classe operária, sob vários pretextos, e propor a sua substituição por outros "sujeitos".

Marcuse e Gorz, desde finais da década de 60 do século passado, sob o pretexto de um suposto envelhecimento do marxismo, e considerando exclusivamente as condições dos trabalhadores nos países capitalistas desenvolvidos, pretenderam atribuir o papel de vanguarda ao "estudantado" ou aos movimentos de libertação afro-asiáticos. Em clara negação de todo o materialismo histórico, durante os anos 70 e 80 desenvolveu-se a teoria do papel dos "novos" movimentos sociais, brotados das reivindicações parciais de certos sectores sociais, opondo-os ao papel central da classe operária, no conflito e desenvolvimento social defendido pelo marxismo. Os movimentos sociais (feminista, pacifista, ecologista, etc...) passaram a representar a "nova esquerda", oposta à "esquerda tradicional" assente no movimento operário.

Os oportunistas de ontem e a transição

O triunfo do revisionismo eurocomunista na maior parte do movimento comunista europeu, neste mesmo período, deixou desarmado o movimento operário e revolucionário. Numerosos grupos de ascendência trotskista, maoísta, etc., de base pequeno-burguesa (estudantes universitários, intelectuais, profissionais liberais…), apostaram numa ofensiva ideológica que, indexada ao desarmamento teórico que sempre trouxe o revisionismo, consagrou as bases para um retrocesso generalizado do movimento operário revolucionário.

No nosso país, o papel desempenhado pelo eurocomunista PCE [Partido Comunista Espanhol] durante a transição da ditadura fascista para a ditadura atual do capital (que tomou a forma de monarquia parlamentar), chegou a um compromisso com a oligarquia, encenando-se uma mudança, reduzindo o movimento operário e sindical a uma posição puramente defensiva, meramente reformista, e apartando a luta económica da luta política. Entretanto, a maioria dos grupos pequeno-burgueses de vincada componente esquerdista, nascidos nos últimos dias de Franco, mais uma vez demonstraram a volatilidade de todo o movimento pequeno-burguês, sendo que, na sua maioria, se esvaíram sem deixar outro rasto a não ser as suas teorias oportunistas.

Assim, num país em pleno desenvolvimento capitalista e inserido nas uniões imperialistas (NATO e CEE, depois UE), nasceu a Esquerda Unida, numa tentativa de conciliar o "velho" – leia-se o movimento operário - com os "novos", ou seja, os supostamente novos movimentos sociais. Sim, um movimento operário longe das posições revolucionárias, dada a hegemonia alcançada pelo oportunismo, e apoiado nos movimentos sociais, com base em reivindicações parciais que, na maior parte dos casos, foram e são totalmente assimiláveis pelo sistema. Tanto assim é que o bloco oligárquico-burguês foi capaz de cobrir a "margem esquerda" do sistema, sujeitando o proletariado à posição da aristocracia operária e da pequena-burguesia.

Já na década de 90, com o triunfo da contrarrevolução capitalista na URSS e noutros países socialistas, as teorias que procuravam enterrar o papel revolucionário da classe operária cantavam vitória, afirmando que tinha chegado o "fim da história" e o "fim da luta de classes". Mas a realidade continuou a demonstrar, dia após dia, e cada vez mais asperamente, as contradições entre os exploradores e os explorados. Assim, esses setores de "esquerda" redefiniram as suas posições em busca de "novos sujeitos emergentes" que viriam substituir o proletariado como o coveiro do capitalismo: multidões, indigenismo, projetos “tutti-frutti” combinados com o "pacifismo ativo", altermundistas de diferentes plumagens, e Fóruns Sociais, etc.

O impacto do 15M e a entrada em cena do PODEMOS

E, assim, chegou o ano de 2007. E, com ele, a maior crise de sobreprodução e de sobre acumulação que o capitalismo conheceu até hoje. Começou um novo ciclo, no qual a impactante realidade mostrou de forma determinante, e muito claramente, o antagonismo existente entre aqueles que produzem e aqueles que ficam ricos e se apropriam do resultado do trabalho dos outros. Mas não foi só a classe operária que agiu, protagonizando milhares de greves, três das quais Greves Gerais. Milhões de pequeno-burgueses e de membros da aristocracia operária viram ameaçado o seu status social pelos monopólios e também entraram em cena, no exato momento em que a dominação capitalista tinha necessidade de aliviar a “panela de pressão” social. Com um apoio invulgar dos monopólios da Comunicação Social chegou o 15-M, o movimento da pequena-burguesia indignada e de sectores populares que se converteram na “multidão” esperada por alguns, nos "cidadãos indignados" e, finalmente, "no povo". No essencial, uma frente interclassista na qual se manifestaram os primeiros sinais de rejeição às formas de organização da classe operária: o Partido e o Sindicato.

E, passados vários meses, essa frente tomou uma forma política com o nascimento do partido político PODEMOS, que chegou a propor à classe operária substituir as "velhas bandeiras" - vermelhas - e os "velhos símbolos" (estrelas de cinco pontas, foices, martelos, etc) por um rosto, com rabo-de-cavalo, num boletim de voto e um programa difuso e de cor roxa (uma mistura de azul e vermelho, ao estilo ambíguo da pequena-burguesia). Assim se encerra “o ciclo", e, com ele, um novo episódio de tentativa de desorientação da classe operária e de isolamento da sua vanguarda.

Contra a corrente, defender firmemente o socialismo científico

Mas a realidade, uma vez mais, com a sua teimosia habitual, voltará a colocar os trabalhadores e trabalhadoras deste país no lugar que a história lhes reservou. As modas vêm e vão, mas a exploração permanece. E, com ela, as teorias que impedem a consciência do papel de classe social ascendente. Por isso, é necessário reforçar a frente de luta ideológica contra as novas tentativas de substituição do proletariado e das suas formas de luta assim como de liquidação das suas formas de organização.

O sucesso eleitoral trouxe consigo uma "revolução" nas organizações “de esquerda”. Um partido político organizado por uma autêntica casta, orbitando exclusivamente em torno da figura do seu "líder", com tons de aparente democracia, ou melhor, de democracia interna difusa e umas primárias ao mais puro estilo yankee, que contagiou e fortaleceu toda a frente oportunista. De facto, mais uma vez com o importante apoio dos monopólios mediáticos, seja para praticar o mais grosseiro "culto da personalidade", seja para "atacar", de uma forma que não deixa de ser desajeitada, o novo fenômeno (que, aliás, não é tão novo quanto isso).

A dureza e resistência sempre foram virtudes revolucionárias, cuja importância sobressai sempre que surge uma nova moda, isto é, uma nova agressão ideológica contra quem sofre a quotidiana exploração capitalista. Durante o 15M houve quem visse o nascimento de sovietes sob a forma de acampados e há semanas houve quem, através de um referendo, pretendesse implantar a República Espanhola em dois dias – essa sim, capitalista. Pretende-se continuar a aliviar a pressão social de forma calculada e, acima de tudo, paralisar a ação da classe operária, atirando-lhe areia para os olhos e tratando de isolar a sua vanguarda.

Aqueles que isto pretendem colidirão, no entanto, de novo, com a realidade. Repetimos: as modas vão e vêm, mas a exploração continua. E assim será até que a classe operária tome o poder em suas mãos, instaure a sua dominação e construa o socialismo-comunismo com o seu Partido Comunista como vanguarda. Nesse dia, já muitos terão cortado o rabo-de-cavalo, pois assim é a democracia pequeno-burguesa.



1 Publicado no “Unidad y Lucha” – órgão do Comité Central do Partido Comunista dos Povos de Espanha (PCPE) – n.º 320, de julho-agosto de 2014. – [NT]



Fonte: Pelo Socialismo



Mafarrico Vermelho

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