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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Máquinas de guerra: Blackwater, Monsanto e Bill Gates

Máquinas de guerra: Blackwater, Monsanto e Bill Gates
por Sílvia Ribeiro



"Tal como a Monsanto, Gates se dedica também a tratar de destruir a agricultura camponesa em todo o planeta, principalmente através da chamada "Aliança para uma Revolução Verde em África" (AGRA). Esta funciona como cavalo de Tróia para despojar aos camponeses africanos pobres de suas sementes tradicionais, as substituindo por sementes das empresas primeiro, e finalmente por transgênicos. Para isso, a Fundação contratou em 2006, justamente a Robert Horsch, um diretor de Monsanto. Agora Gates, enxergando maiores lucros, se foi direto à fonte.

Blackwater, Monsanto e Gates são três faces da mesma figura: a máquina de guerra contra o planeta e a maioria da gente que o habita, quer sejam camponeses e camponesas, indígenas, comunidades locais, gente que quer compartilhar informação e conhecimentos ou qualquer outro que não quer estar na égide de lucro e destruição do capitalismo."

Nota do Mafarrico : Texto publicado originalmente em 12 Outubro 2010, que ora republicamos, por considera-lo interessante à nossa compreensão do funcionamento do sistema capitalista, nas áreas de segurança alimentar e agricultura.


Uma informação de Jeremy Scahill publicada em The Nation (Blackwater's Black Ops, 15/9/2010) revelou que o exército mercenário maior do mundo, Blackwater (agora chamado Xe Services) vendeu serviços clandestinos de espionagem à trasnacional Monsanto.

Blackwater mudou de nome em 2009, depois de ficar famosa no mundo pelas denúncias sobre seus abusos no Iraque, incluídos massacres de civis. Segue sendo o maior empreiteiro privado do Departamento de Estado dos Estados Unidos em "serviços de segurança", isto é, para praticar o terrorismo de Estado dando ao governo a possibilidade de o negar.

Muitos militares e ex-oficiais da CIA trabalham para Blackwater ou alguma das empresas vinculadas que criou para desviar a atenção de sua má fama e gerar mais lucros vendendo seus nefastos serviços -que vão desde informação e espionagem até infiltração, intrigas políticas e treinamento paramilitar- a outros governos, bancos e empresas trasnacionais. Segundo Scahill, os negócios com trasnacionais -como Monsanto, Chevron, e gigantes financeiros como Barclays e Deutsche Bank- são canalizadas através de duas empresas que são propriedade de Erik Prince, dono de Blackwater: Total Intelligence Solutions e Terrorism Research Center. Estas compartilham oficiais e diretores de Blackwater.

Um deles, Cofer Black, conhecido por sua brutalidade, sendo um dos diretores da CIA, foi quem fez contato com Monsanto em 2008 como diretivo de Total Intelligence, marcando o contrato com a companhia, para espiar e infiltrar organizações de ativistas pelos direitos dos animais, contra os transgênicos e outras sujas atividades do gigante biotecnológico.

Contatado por Scahill, o executivo Kevin Wilson de Monsanto negou-se a falar, mas posteriormente confirmou à The Nation que tinham contratado a Total Intelligence em 2008 e 2009, segundo Monsanto somente para fazer acompanhamento de "informação pública" de seus opositores. Disse ainda, que Total Intelligence era uma "entidade totalmente separada de Blackwater".

No entanto, Scahill conta com cópias dos correios eletrônicos de Cofer Black posteriores à reunião com Wilson de Monsanto, onde explica a outros ex agentes da CIA, usando seus endereços eletrônicos de Blackwater, que a discussão com Wilson foi que Total Intelligence se converteria no "braço de inteligência de Monsanto", espiando ativistas e outras ações, incluído "que nossa gente se integre legalmente nesses grupos". Monsanto pagou à Total Intelligence 127 mil dólares em 2008 e 105 mil dólares em 2009.

Não admira que uma empresa de "ciências da morte" como Monsanto, que se dedicou desde suas origens a produzir tóxicos e espalhar venenos, desde o Agente Laranja até os PCB (policlorobifenilos), agrotóxicos, hormônios e sementes transgênicas, se associe com outra empresa de capangas.

Quase ao mesmo tempo que a publicação deste artigo em The Nation, a Via Campesina denunciou a compra de 500 mil ações da Monsanto, por mais de 23 milhões de dólares pela Fundação Bill e Melinda Gates, que com isto acabou de sacar sua máscara de "filantrópica". Outra associação que não surpreende.

Trata-se de um casamento entre os dois monopólios mais brutais da história do industrialismo: Bill Gates controla mais de 90 por cento do mercado de programas patentados de computação e Monsanto cerca de 90 por cento do mercado mundial de sementes transgênicas e a maioria do mercado global de sementes comerciais. Não existem em nenhum outro rubro industrial monopólios tão vastos, cuja própria existência é uma negação do cacarejado princípio de "concorrência de mercado" do capitalismo. Tanto Gates como Monsanto são muito agressivos na defesa de seus ilegítimos monopólios.

Ainda que Bill Gates tente dizer que a Fundação não está unida a suas atividades comerciais, todo o que esta faz demonstra o contrário: grande parte de suas doações terminam favorecendo os investimentos comerciais do magnata, além de que na realidade não "doa" nada, mas, em lugar de pagar impostos ao tesouro público, investe seus lucros onde se vê economicamente favorecido, incluída a propaganda de suas supostas boas intenções. Ao invés, suas "doações" financiam projetos tão destruidores como a geoingenharia ou a substituição de medicinas naturais e comunitárias por medicamentos patentados de alta tecnologia nas zonas mais pobres do mundo. Que coincidência, o ex secretário de Saúde Julio Frenk e Ernesto Zedillo são conselheiros da Fundação.

Tal como a Monsanto, Gates se dedica também a tratar de destruir a agricultura camponesa em todo o planeta, principalmente através da chamada "Aliança para uma Revolução Verde em África" (AGRA). Esta funciona como cavalo de Tróia para despojar aos camponeses africanos pobres de suas sementes tradicionais, as substituindo por sementes das empresas primeiro, e finalmente por transgênicos. Para isso, a Fundação contratou em 2006, justamente a Robert Horsch, um diretor de Monsanto. Agora Gates, enxergando maiores lucros, se foi direto à fonte.

Blackwater, Monsanto e Gates são três faces da mesma figura: a máquina de guerra contra o planeta e a maioria da gente que o habita, quer sejam camponeses e camponesas, indígenas, comunidades locais, gente que quer compartilhar informação e conhecimentos ou qualquer outro que não quer estar na égide de lucro e destruição do capitalismo.


Fonte: La Jornada.

Tradução: Diário Liberdade.





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