Os perigosos jogos de guerra de Obama

Os perigosos jogos de guerra de Obama
Nota dos Editores de ODiário.info

"Bastaria que a quase totalidade das transações de petróleo deixassem de ser realizadas em dólares para que a moeda americana se afundasse estrondosamente. As conclusões da cimeira dos BRICS em Fortaleza tiveram o peso de uma séria advertência a Washington. A Rússia é hoje um país capitalista, mas os seus interesses nacionais são incompatíveis com os do imperialismo estado-unidense. 
Obama está consciente disso e sabe que as emissões contínuas de um dólar desacreditado não podem prosseguir indefinidamente.

Daí a estratégia das criminosas guerra de saque, desencadeadas em nome da defesa da democracia e das liberdades, mas cujo objetivo é a permanência da hegemonia imperial norte-americana sobre o planeta.

O balanço dessas agressões tem sido desastroso para os EUA. Mas a atual campanha contra a Rússia demonstra que Washington não soube extrair as lições dos acontecimentos do Iraque, do Afeganistão e da Líbia e da renúncia, por ora, a um ataque ao Irão.

Obama apoia a agressão genocida do estado terrorista de Israel contra o povo da Gaza (quase 2000 palestinos mortos), mas derrama lágrimas pelos fascistas ucranianos caídos nos combates contra os adversários do governo de Kiev."


Nas últimas semanas, a campanha dos EUA contra a Rússia intensificou-se. As sanções que atingem aquele país, a pretexto da situação existente na Ucrânia, geraram uma atmosfera de guerra fria.

A histeria de Washington, patente na agressiva oratória de Barack Obama, deforma grosseiramente a realidade.

A acusação de que as forças do leste ucraniano derrubaram o avião da Malaysia Airlines foi forjada; tudo indica que é falsa. Peritos militares de diferentes nacionalidades afirmam que o aparelho foi abatido por um caça da força aérea de Kiev.

As recentes sanções financeiras impostas pela Comissão Europeia resultaram da insistente pressão dos EUA. A resposta de Moscovo foi imediata, proibindo a importação de produtos alimentares de países que aprovaram essas sanções.

O presidente Putin sublinhou com razão que a União Europeia precisa hoje mais da Rússia do que o inverso. Tem uma dependência acentuada do gás e do petróleo russos e dificilmente poderia encontrar alternativa para essas importações se Moscovo fechasse o seu fornecimento. A UE depende em mais de 50% da importação da energia que consome; 85% do petróleo, 67% do gás e 41% do carvão que consome são importados. Ora a Rússia é a primeira fornecedora de todos eles (35% e 30% do petróleo e do gás, e 26% do carvão importados).

Em Portugal, os media, controlados pelo grande capital têm ocultado que a crise económico-financeira norte -americana é mais profunda do que a europeia, aliás desencadeada a partir dos EUA.

Como o diplomata indiano Bhadrakumar esclareceu (odiario.info 7.8.14) essa crise mergulha as raízes na fragilidade crescente do dólar.

Bastaria que a quase totalidade das transações de petróleo deixassem de ser realizadas em dólares para que a moeda americana se afundasse estrondosamente. As conclusões da cimeira dos BRICS em Fortaleza tiveram o peso de uma séria advertência a Washington. A Rússia é hoje um país capitalista, mas os seus interesses nacionais são incompatíveis com os do imperialismo estado-unidense.

Obama está consciente disso e sabe que as emissões contínuas de um dólar desacreditado não podem prosseguir indefinidamente.

Daí a estratégia das criminosas guerra de saque, desencadeadas em nome da defesa da democracia e das liberdades, mas cujo objetivo é a permanência da hegemonia imperial norte-americana sobre o planeta.

O balanço dessas agressões tem sido desastroso para os EUA. Mas a atual campanha contra a Rússia demonstra que Washington não soube extrair as lições dos acontecimentos do Iraque, do Afeganistão e da Líbia e da renúncia, por ora, a um ataque ao Irão.

Obama apoia a agressão genocida do estado terrorista de Israel contra o povo da Gaza (quase 2000 palestinos mortos), mas derrama lágrimas pelos fascistas ucranianos caídos nos combates contra os adversários do governo de Kiev.

A concentração de poderosas forças aéreas, marítimas e terrestres dos EUA e da NATO nas fronteiras da Rússia, do Báltico ao Mar Negro, levou alguns observadores e influentes media ocidentais a admitir a iminência de uma guerra contra a Rússia.

Uma tal tragédia é, porém, muito improvável.

O próprio secretário-geral da NATO, o ultra conservador Rasmussen, reconhece que a organização não está preparada para uma guerra convencional de grandes proporções nos espaços russos. Idêntica é a opinião de influentes chefes militares do Pentágono.

Quanto ao recurso a armas nucleares – tema que suscita especulações - parece hipótese remota porque configuraria uma ameaça à própria sobrevivência da humanidade.

No tocante à estratégia belicista de Obama, pode-se afirmar que o tiro está a sair pela culatra.

Enquanto a sua popularidade cai para um nível muito baixo, a de Putin sobe. A esmagadora maioria do povo russo apoia a política que adotou na crise ucraniana e nas relações com os EUA e a União Europeia. Significa essa reconquista da popularidade que a política que praticou no exercício do poder foi globalmente positiva? Não. Putin deve a sua ascensão à Presidência a Ieltsin, e foi então cúmplice da estratégia criminosa da restauração do capitalismo na Rússia.

Porém a inteligência e a paciência diplomática do atual governo russo tem evitado o pior e, a pouco-e-pouco, vai expondo os sinistros objectivos hegemónicos e agressivos dos EUA e seus aliados.



OS EDITORES DE O DIÁRIO.INFO



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