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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Partilha do mundo e religiosidade

A hierarquia religiosa, católica ou evangélica, só pensa em dinheiro.
Partilha do mundo e religiosidade
por Jorge Messias

«A Questão Social não é senão a expressão do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e do seu ingresso no cenário político da sociedade, o que exigiria o seu reconhecimento como “classe”, por parte do patronato e do Estado. É a manifestação, no dia-a-dia, da solução da contradição entre o proletariado e parte da burguesia que passam a exigir do Estado novos tipos de intervenção, para além da caridade tradicional e da repressão» (Marilda Iamamoto, 1982).

 
«A famigerada Teologia da Prosperidade tem relação directa com a lógica do Capitalismo. Baseada na ideia de que Deus quer que todas as pessoas disponham de um Estado próspero, a teologia da prosperidade prega que se os crentes tiverem fé suficiente para obterem aquilo que aspiram obter, aliando a essa fé doações generosas, eles virão a receber dons com abundância... Este discurso ainda constitui para muitos homens e mulheres uma alternativa política válida, escolhida na teia confusa de opções propostas pelo neoliberalismo» (Filipe Famuel, «O neoliberalismo e a Religião»).

 
«A hierarquia eclesiástica não está no negócio de formar e dirigir governos, nem de escolher regimes políticos. Ela está apenas no negócio de formar o tipo de pessoas que conseguem coordenar e dirigir governos nos quais a liberdade leva às genuínas realizações humanas» (Georges Weigel, «A verdade do Catolicismo», 2002).


É cada vez mais evidente que o mundo capitalista caminha para o desastre total. Por todo o lado diminui o produto, aumenta a tensão social, radicam-se as posições de classes antagónicas, multiplicam-se as guerras e rumores de guerras.

Cresce a pobreza e a miséria mas ainda mais aumentam as fortunas. Por entre as ruínas do capitalismo clássico florescem os monopólios. São as leis da História, sobretudo a da permanente presença da luta de classes. Outrora, dizia Lénine: «Na evolução do capitalismo… a produção passa a ser social mas a apropriação continua a ser privada. Os meios sociais de produção permanecem propriedade de um reduzido número de titulares. Mantêm-se, em teoria, a livre concorrência oficialmente reconhecida mas a tirania exercida sobre a população torna-se cada vez mais dura, mais evidente e mais insuportável».

Quando o imperialismo dos monopólios chega ao ponto que agora atingiu, é sinal de que a partilha do mundo já foi combinada entre os mais poderosos e os mais ricos. Em Portugal e noutros países subdesenvolvidos o facto é notório, com a descarada transferência de parcelas da soberania nacional para as troikas, mercados, banca, bolsas, agências de rating, sociedades secretas, grupos multimilionários, especuladores, etc., etc.
 
Um exemplo recente mostra bem como este esquema funciona. O Governo português enveredou pelo repugnante recurso à venda em leilão da própria dívida pública, para fazer dinheiro. O sucesso, naturalmente, foi imediato visto que a operação tinha a garantia dos bancos multinacionais mais poderosos – Barklays, Goldman Sacks, Union des Banques Suisses, P. Morgan, Deutsche Bank, Banco Espírito Santo – e muitos outros que certamente terão ficado na sombra. Dos nomes divulgados, todos são formações de capital que giram no âmbito do IOR e do Vaticano. Depois, por portas travessas, o dinheiro destas operações é sempre devolvido aos bancos que as apadrinharam.

O Vaticano investe na pobreza e… ganha em toda a linha!

A religiosidade é outro dado que torna a hierarquia um aliado precioso do capitalismo. A Igreja foi edificada sobre a pirâmide do Império Romano. Com os séculos, os seus mitos foram sendo destruídos pelo avanço do conhecimento humano. A explosão tecnológica apenas representou o golpe final. A tal ponto, que as manifestações da Fé ficaram de repente vazias de gente e de conteúdos.

Mas a religiosidade, a forma típica de pensar e agir nas sociedades modernas sobreviveu e manifesta-se nos mínimos pormenores da Nova Ordem, da Globalização, do imperialismo financeiro, nas mutações da lógica de conceitos como fé, esperança, caridade, solidariedade, liberdade, justiça, Estado social, etc.

Vivemos numa sociedade maquiavélica que, se quisermos, está ao nosso alcance mudar. A luta continua. Luta que não é só nossa, de uma minoria, mas de todo o Povo português.

Escreveu Álvaro Cunhal : «Lutar pela instauração da Democracia significa lutar pela libertação da exploração e do domínio imperialista sobre Portugal, significa lutar pela verdadeira independência da nossa Pátria».
 
 
Fonte: Avante em www.avante.pt
 
 

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