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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Grécia : Resistência firme à barbárie

Gregos manifestam-se em 70 cidades em dia de greve geral
Resistência firme à barbárie
 


"Mais recentemente, o jornal conservador To Vima divulgou o teor de um projecto de lei, preparado pelo Ministério do Trabalho, que condiciona o exercício da greve à aprovação de todos os trabalhadores de uma dada empresa.
Face à ameaça de uma greve, o patronato teria ainda o direito de decretar o lock-out, ou seja, encerrar provisoriamente a empresa."
 
 
Trabalhadores gregos dos vários sectores manifestaram-se, dia 20, em 70 cidades, durante mais uma jornada de greve geral de 24 horas que paralisou o país.Greve geral expressa indignação popular


A paralisação foi convocada por todas as centrais sindicais que mobilizaram mais de 100 mil trabalhadores nas manifestações em Atenas, metade dos quais, sob as bandeiras da Frente Militante de todos os Trabalhadores (PAME), desfilaram até ao edifício do Parlamento.

Após seis anos consecutivos de recessão económica e três de austeridade, o desemprego triplicou, atingindo agora 27 por cento da população activa, e mais de 60 por cento dos jovens com menos de 25 anos.

O ataque aos salários e regalias sociais é acompanhado de uma fortíssima ofensiva contra a contratação colectiva, visando colocar os trabalhadores à inteira mercê do patronato. O próprio direito à greve está colocado em causa pela coligação governamental (ver caixa).

Testemunhando um alargamento da frente social de resistência, nas manifestações organizadas pela PAME, pequenos e médios agricultores, em luta desde há várias semanas, juntaram-se aos trabalhadores, pequenos comerciantes e jovens, trazendo para a capital os seus tractores, com os quais bloquearam as principais auto-estradas.

Na praça Omonia, onde teve lugar a concentração da PAME, Guiorgos Perros, do secretariado executivo da central sindical, alertou que «os grandes grupos económicos e os seus lacaios políticos na Grécia e na Europa preparam uma vida de inferno para a classe operária e seus filhos, sem direitos, sem convenções colectivas». «Podemos aceitar trabalhar sem convenções colectivas e com contratos individuais? Podemos aceitar salários de 300 ou 400 euros?», perguntou o dirigente sindical, apelando à luta nos locais de trabalho em defesa destes direitos elementares.

Na concentração, a secretária-geral do Partido Comunista da Grécia, Aleka Papariga, apelou aos trabalhadores para que tomem «consciência da sua força e avancem com espírito de luta para a ruptura»

No Pireu, o desfile terminou no porto onde os marinheiros, desafiando a requisição civil decretada pelo governo, aderiram à greve geral, mantendo os navios atracados ao cais.

Direito à greve ameaçado

Após as requisições civis contra os trabalhadores em greve no Metro de Atenas e nos transportes marítimos, o governo grego prepara-se agora para fazer aprovar uma nova lei da greve que na prática equivale à interdição desta forma de luta.


 
As primeiras ameaças foram feitas no início deste mês por deputados da maioria, que invocaram o «interesse público» para restringir o direito à greve.

Mais recentemente, o jornal conservador To Vima divulgou o teor de um projecto de lei, preparado pelo Ministério do Trabalho, que condiciona o exercício da greve à aprovação de todos os trabalhadores de uma dada empresa.

Face à ameaça de uma greve, o patronato teria ainda o direito de decretar o lock-out, ou seja, encerrar provisoriamente a empresa.

O projecto ataca também a liberdade sindical, pretendendo limitar a acção das organizações ao nível regional.
 
 
Fonte: Avante em www.avante.pt
 
 

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