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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A nova «sopa dos pobres»

A nova «sopa dos pobres»
por Jorge Messias
 
«A primeira onda da automatização (da revolução industrial) teve o seu maior impacto sobre os operários; a nova revolução em curso está começando a ameaçar os escalões médios da comunidade corporativa ou seja, a estabilidade e a segurança do grupo político mais importante do mundo ocidental – a classe média» (Manuel Castells, «A encruzilhada do futuro»).
 
«A classe média é uma camada social presente no capitalismo moderno. Convencionou-se defini-la como possuidora de certo poder aquisitivo e de um padrão de vida e de consumo razoáveis, de forma a suprir, não apenas as suas necessidades de sobrevivência como, também, expressões variadas de lazer e de cultura, embora sem chegar aos padrões de consumo das classes superiores. A classe média surgiu como consequência da consolidação do capitalismo» Wilkipédia, «Classe média»).
 
«A concentração da riqueza num pólo desencadeia simultaneamente a acumulação da miséria, o sofrimento no trabalho, a escravidão, a ignorância brutal, a degradação mental, isto no sentido oposto ao visado, ou seja, na própria classe que gera o seu produto sob a forma de capital» (Karl Marx, “O Capital”, Volume I).


O que actualmente se passa em Portugal bem pode generalizar-se a todos os outros estados capitalistas. O que é diferente entre uns e outros é o volume das reservas financeiras de que dispõem e os graus de convicção da resistência oposta ao poder político pelas massas populares organizadas. Quanto ao plano de ataque do grande capital às conquistas democráticas, ele mantém-se igual a si próprio. Agravamento da pobreza, do fosso entre ricos e pobres, dos escândalos fraudulentos, do desvio de verba orçamentais para a banca privada, da transferência de poderes políticos para o poder financeiro, etc. Os centros de decisão estatais vão sendo entregues, deliberadamente, nas mãos do estrangeiro, da banca mundial e da Igreja.

Outros objectivos centrais da Nova Ordem só pouco a pouco vão sendo divulgados. Um deles (agora já muito falado) é o da ruína e destruição do Estado Social. Um segundo, o da substituição da actual classe média por outra, mais jovem, tecnologicamente mais apta, menos numerosa, habituada a obedecer. Um terceiro objectivo imediato será a criação de um novo mercado global da pobreza, uma zona-tampão destinada a fornecer aos novos pobres os bens essenciais.

Mas o alvo principal a atingir no futuro é o esmagamento do proletariado e a supressão final de todo e qualquer vestígio de luta de classes. Fácil é compreender-se que a Igreja está presente, como actor imprescindível, nestes ambiciosos palcos em constante mutação. Representa a principal herdeira das grandes fases da história. É, simultaneamente, mercantilista, expansionista, absolutista, colonialista e neoliberal.

Falamos, naturalmente, da religião judaico-cristã que o Vaticano representa e não dos cidadãos de credos cristãos. Neste caso da pobreza e do lucro que a pobreza pode representar, há que estabelecer claramente esta distinção. Os dados elementares sobre a Igreja económica ocultam-se atrás dos bastidores. Isto dificulta o conhecimento da realidade mas desafia, simultaneamente, a busca das realidades. Portugal, neste aspecto, é um verdadeiro campo experimental.

O alastramento da mancha galopante da pobreza, fome, miséria, desemprego, «cortes» na área social, etc., são aspectos actuais bem conhecidos; o crescente abismo que separa pobres e ricos, também. No entanto, acerca da pobreza, são crescentemente divulgados relatos de ficção. Das lutas do nosso povo, pouco ou nada se diz.

Sobre a marcha triunfal dos muito ricos, a estratégia global é oposta. Fala-se no poder do dinheiro como se ele não pudesse ser vencido pelas lutas dos pobres. É o caso das injustas desigualdades na distribuição da riqueza.

Contudo, há poucos dias, o Instituto Federal de Tecnologia Suíço, um pilar da Nova Ordem, revelou os nomes de 1318 empresas transnacionais que são accionistas umas das outras. Simultaneamente, divulgou a lista dos 50 grupos bancários mais poderosos.

Não causa espanto que a vanguarda da lista dos especialistas suíços diga respeito a grupos monopolistas que apoiam a troika e Passos Coelho. São bancos dominados pelo IOR e pelo Vaticano. Em breve este trabalho será publicado. Ao todo, são 147 os bancos que dominam o mundo capitalista.

Prosseguiremos proximamente.
 
 
Fonte: Jornal Avante em www.avante.pt
 
 
 

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