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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Com o final definitivo para o símbolo da foice e do martelo, culmina a mutação do PCF

Com o final definitivo para o símbolo da foice e do martelo, culmina a mutação do PCF

por KKE


“O PCF abandonou há muito o marxismo-leninismo e os princípios revolucionários dos partidos comunistas, enquanto na sua posição de leader do “Partido da Esquerda Europeia” marca o ritmo na propagação do oportunismo tendo em vista a mutação dos partidos comunistas na Europa.”


Tal como era de esperar…por ocasião do seu 36º Congresso, que terminou no domingo em Paris, o PCF renegou até o símbolo da foice e do martelo.

O PCF não abandona a foice e o martelo num momento qualquer, mas num momento em que as autoridades de diversos países da União Europeia colocam fora da lei os símbolos comunistas, quando a UE pretende fazer equivaler, contra a verdade histórica, o comunismo ao fascismo. É precisamente este momento que o partido que ocupa a presidência do Partido da Esquerda Europeia (PEE) escolhe para declarar que renega voluntariamente a foice e o martelo. Em 12.02, no seu comentário sobre esta questão o diário “Rizospastis”, órgão do CC do KKE, sublinha o seguinte:


“O PCF abandonou há muito o marxismo-leninismo e os princípios revolucionários dos partidos comunistas, enquanto na sua posição de leader do “Partido da Esquerda Europeia” marca o ritmo na propagação do oportunismo tendo em vista a mutação dos partidos comunistas na Europa.”

O próprio secretário-geral do PCF e presidente do Partido da Esquerda Europeia (PEE), Pierre Laurent, deu o seu melhor para clarificar o objectivo do congresso nas declarações que prestou à cadeia LCI em resposta a uma interrogação sobre os novos cartões de membro do partido, nos quais a foice e o martelo são substituídas pela estrela do PEE: “É um símbolo que teve a sua história, e que ainda surge aqui e ali nas manifestações. Mas que já não representa aquilo que nós somos hoje. Eu falo para um comunismo da nova geração”.

Pior ainda: em resposta às reacções de alguns delegados perante estas afirmações, e também pela substituição da foice e do martelo, Laurent exibiu um cartão de 1944 do PCF, então ilegal, comentando ironicamente que também nesse cartão não existia a foice e o martelo!

Para além da grosseria e do carácter degenerado da direcção oportunista do PCF, que constitui uma provocação perante os comunistas revolucionários de todo o mundo, o essencial é que a substituição do símbolo histórico dos partidos comunistas por parte do PCF constitui a culminação de um processo que teve início há dezenas de anos.

Firme e metodicamente, afastou-se da teoria do marxismo-leninismo, dos princípios de constituição e de funcionamento de um partido comunista e, sobretudo, adoptou a estratégia de gestão do capitalismo, a política das alianças sem princípios, a participação em governos burgueses, renunciando ao objectivo do derrubamento da barbárie capitalista, culpabilizando a luta pelo socialismo. É necessário assinalar que desde há muito fracções e tendências se mobilizam no interior do PCF…o que significa que, enveredando pela via do eurocomunismo, não existe hoje nele nada que se assemelhe ao funcionamento de um partido comunista.

O PCF traiu definitivamente a classe operária e as camadas populares de França. Governou por duas vezes em coligação com os sociais-democratas, contribuindo para o ataque contra o povo francês, e prossegue a oferta sistemática da sua preciosa ajuda à social-democracia, fazendo apelo aos operários para que apoiem aqueles mesmos que cavam a sua sepultura. Contra a crise, o PCF reivindica o “desenvolvimento”, ocultando que ele não se poderá concretizar em condições de arrasamento dos direitos operários, nas condições de um verdadeiro inferno para a classe operária.

Mas a classe operária de cada país pode escolher o seu destino, pode beneficiar daquilo que produz pelo seu trabalho e não viver nas condições dos séculos anteriores. Entretanto, o Partido Comunista, enquanto vanguarda da classe operária, deve dispor de uma estratégia visando o derrube do capitalismo, visando o socialismo. Deve ter como tarefa, desde já, unir e preparar forças sociais para esse objectivo e em última análise preparar a classe operária e os seus aliados para o concretizar. Não existe qualquer relação entre tudo isto e aquilo que o oportunista PCF diz relativamente ao “comunismo de nova geração”, à “democracia”, ao socialismo que nega o determinismo da construção socialista, o inexistente capitalismo humanista que propagandeia.

Os comunistas de toda a Europa devem retirar conclusões desta evolução do PCF, do partido que está à cabeça do oportunismo europeu, e de lutar para que, nos seus países, seja derrotado o oportunismo, tanto no plano político como no plano ideológico e organizativo.
 
 
 

 
 

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