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quinta-feira, 3 de março de 2011

Alemanha quer impor condições ultrajantes para a soberania dos povos

Desigualdades e luta de classes
Por Ilda Figueiredo


Enquanto se agravam as desigualdades sociais e os índices mais recentes do Eurostat confirmam a evolução contraditória da União Europeia, sobretudo com o aumento dos ganhos dos grupos económicos e financeiros, o que acompanha o acentuar das divergências entre os países de economias frágeis e os países de economias mais desenvolvidas, vão decorrer durante o mês de Março alguns acontecimentos que nos devem merecer a maior atenção, seja, no dia 11 o Conselho dos representantes dos 17 países da zona euro, seja, nos dias 24 e 25 o Conselho com os representantes dos 27 estados que são membros da União Europeia.

Em debate nesses Conselhos está em causa o reforço do federalismo e da centralização das decisões a nível das políticas económicas para melhor servir os interesses dos grupos económicos e financeiros no plano da União Europeia, onde a Alemanha e a França têm uma posição determinante, mas onde também ganham os que, em Portugal e noutros países, controlam o poder económico e, por sua vez, cada vez mais o poder político.


Veja-se o episódio desta semana com a chamada para uma reunião da senhora Merkel com o engenheiro Sócrates, que é o primeiro-ministro de um dos países que mais está a sofrer com esta integração capitalista e federalista da União Europeia, para onde nos arrastaram sucessivos governos que quiseram restaurar o poder dos monopólios em Portugal usando o escudo protector da integração europeia.

Condições ultrajantes

Sabe-se que a Alemanha quer impor condições ultrajantes para a soberania dos povos cujos governos da zona euro queiram recorrer ao dito mecanismo europeu de apoio financeiro, o que estará em debate nos Conselhos de Março.

Já não é apenas o cumprimento das regras estúpidas do Pacto de Estabilidade que está em causa. Querem intervir também na área social e laboral, pôr em causa o que ainda nos resta das conquistas de Abril, designadamente o direito à contratação colectiva, as decisões na área da segurança social, da idade da reforma, do investimento públicos, do sistema fiscal. É algo que os portugueses não podem aceitar. E, por isso, neste contexto, a manifestação da CGTP, marcada para 19 de Março, assume particular importância.

Tal como assume particular importância a comemoração dos 90 anos do PCP e do seu reforço, questão essencial para a alteração política, económica e social que Portugal precisa.

Entretanto, foram publicados os indicadores sobre a população em risco de pobreza relativamente a 2009, ou seja, ainda antes do agravamento da crise social. Mesmo assim, podemos verificar a tendência para o aumento da pobreza a afectar sobretudo as mulheres, com uma taxa de risco de pobreza de 17,1 por cento a nível da União Europeia. Mas esta taxa é muito mais elevada em diversos países, como a Bulgária (23,7%), Roménia (23,4%), Itália (19,8%) e Portugal.

Neste momento, aqui teremos uma situação bem pior tendo em conta o agravamento do desemprego, do trabalho precário e mal pago, os cortes em apoios sociais e o aumento dos preços de bens e serviços essenciais, seja por causa dos 23 por cento da taxa de IVA, seja dos ganhos que os grupos económicos e financeiros querem manter ou até aumentar, como acontece na electricidade, combustíveis, telecomunicações, etc.

Isto significa que, nas comemorações dos 100 anos da primeira manifestação de mulheres em torno do Dia Internacional das Mulheres, a 8 de Março, terá especial significado a luta contra o desemprego e a pobreza, pela ruptura e a mudança, na defesa de uma política patriótica e de esquerda.

FONTE: JORNAL AVANTE
 
O Mafarrico

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