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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Privatização da Petrobras capítulo II – O retorno

"Nos tempos FHC do PSDB"
Privatização da Petrobras capítulo II – O retorno
Por Emanuel Cancella*

"A campanha desencadeada no governo Fernando Henrique Cardoso, que assumiu com o FMI o compromisso de privatizar a Petrobras, comparava as estatais a paquidermes, com rasgado apoio da mídia. No caso da nossa empresa de petróleo, a resistência popular freou a entrega aos estrangeiros. A greve de 32 dias, em maio de 1995, foi um dos momentos de maior confronto. Mas não impediu a aprovação da Lei 9478/97 que driblou a Constituição, subvertendo o monopólio da União sobre as riquezas do subsolo."
"Toda essa publicidade negativa, repercutindo a Operação “Lava Jato” nada mais representa que o estopim para desencadear uma nova campanha de privatização da Petrobras. Um jogo que também passa pela queda do preço do barril do petróleo, atualmente abaixo de U$50, em manobra dos EUA e da Europa para retaliar a Rússia e outros produtores: Irã, Venezuela e o próprio Brasil."


Ninguém estranhe se um dos principais envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef, sair livre, leve e solto dessa história, em pouquíssimo tempo. Em razão da delação premiada ele teria feito acordo com a Justiça para pegar, no máximo, cinco anos. O que pode ser revertido em regime aberto, semi-aberto ou em prisão domiciliar.

É pouco. Em se tratamento de petróleo, um mar de petróleo de valor inestimável nas costas brasileiras, e do destino de uma das principais petrolíferas do mundo, a Petrobras. Sabe-se lá que trama esconde toda essa onda de denúncias, indisfarçavelmente direcionada para desgastar a Petrobras, com objetivos cada vez mais nítidos: privatizar.

A campanha desencadeada no governo Fernando Henrique Cardoso, que assumiu com o FMI o compromisso de privatizar a Petrobras, comparava as estatais a paquidermes, com rasgado apoio da mídia. No caso da nossa empresa de petróleo, a resistência popular freou a entrega aos estrangeiros. A greve de 32 dias, em maio de 1995, foi um dos momentos de maior confronto. Mas não impediu a aprovação da Lei 9478/97 que driblou a Constituição, subvertendo o monopólio da União sobre as riquezas do subsolo.

A meta dos tucanos era entregar nossa principal empresa aos EUA ou a algum país europeu. Os tucanos seguem a lógica de governos anteriores, mantendo o Brasil submisso a interesses externos, eterna colônia fornecedora de matéria-prima ao Império.


No primeiro governo Lula foi anunciada a descoberta do pré-sal. Algo de que já se tinha notícia há 30 anos. Especula-se que os tucanos pretendiam manter em sigilo a existência desse tesouro, para entregar o ouro às petrolíferas estrangeiras, depois de privatizar a Petrobras.

Trocando em miúdos: se a Petrobras fosse privatizada o comprador levaria o pré-sal de brinde, hoje responsável pela produção de 700 mil barris/dia, o suficiente para abastecer Uruguai, Paraguai, Bolívia e Peru juntos.

A Petrobras é, longe, a empresa que mais investe no Brasil. Com os impostos que paga financia 75% do Programa de Aceleração do Crescimento-(PAC). A Petrobras garante o abastecimento de petróleo e derivados no país há 61 anos. Abre postos de trabalho, estimula o desenvolvimento e investe em políticas sociais e culturais.

Toda essa publicidade negativa, repercutindo a Operação “Lava Jato” nada mais representa que o estopim para desencadear uma nova campanha de privatização da Petrobras. Um jogo que também passa pela queda do preço do barril do petróleo, atualmente abaixo de U$50, em manobra dos EUA e da Europa para retaliar a Rússia e outros produtores: Irã, Venezuela e o próprio Brasil.

Dificilmente os donos das empreiteiras envolvidos no escândalo de corrupção permanecerão presos. Seus advogados de plantão já estão interpondo habeas corpus. As quantias desviadas divulgadas na mídia, ao que parece, são fictícias. Alguém acredita que esses valores voltarão aos cofres públicos?

Enquanto nós, cidadãos brasileiros, permanecemos em choque com essa enxurrada de denúncias, nos bastidores vai-se procedendo à privatização. Depois de consumado o roubo maior que será a entrega dessa grande riqueza escondida no mar ao capital externo, é quase certo que o tema da corrupção sairá das manchetes.

Parte dessa trama é sujar a imagem da estatal e baixar a moral dos petroleiros. Mas não será tão fácil. Mesmo sob tantos ataques, aumentou a capacidade de refino da companhia; a Petrobras ascendeu à condição de maior produtora de óleo no mundo, dentre as empresas de capital aberta, ultrapassando a Americana Exxon Mobil, e em produção de óleo e gás. Além disso,continua firme no posto de quarta maior do mundo:

A Petrobrás parece aquele bolo da vovó, quanto mais batem, mais cresce!


*Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)



Fonte: BRASIL DE FATO


Mafarrico Vermelho

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