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sábado, 17 de janeiro de 2015

Um KKE forte é um apoio para o povo

Um KKE forte é um apoio para o povo
por Dimitris Koutsoumpas


“Todos deveriam ter presente que nos anos anteriores se alternaram governos de um só partido ou de coligação, obtendo o voto do povo por extorsão, fomentando o medo do “pior” ou as ilusões sobre o “mal menor. É isso o que repetem agora.”


Em 11 de Janeiro, no estádio coberto do Pireu, organizado pela Organização Partidária do KKE da Região de Ática, celebrou-se um grande evento político-cultural para comemorar o 96º aniversário do KKE em que interveio o Secretário-Geral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas.

Milhares de pessoas de todas as idades, trabalhadores, desempregados e jovens inundaram o estádio enviando a mensagem de que o KKE e a oposição popular devem ser fortes no dia seguinte às eleições.

Participaram no evento sindicalistas da Federação Sindical Mundial e o embaixador de Cuba, Osvaldo Cobacho Martínez, o embaixador da Venezuela, Farid Fernández, o embaixador da Palestina, Marwan Toubasí, bem como representantes das embaixadas do Vietnam e da China. Além destes, assistiram ao evento Alejandro Castro Espín, filho do presidente de Cuba Raúl Castro, os presidentes dos municípios de Petrúpoli, Jaidari e de Kesarianí, bem como escritores e artistas.

Antes do acto cultural que incluía uma composição músico-teatral com a participação de 200 artistas, o Secretário do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas pronunciou um discurso em que destacou entre outras coisas:

“Noventa e seis anos! Aprendemos com a nossa história heróica, continuamos comprometidos com o nosso objectivo de abolir a exploração do homem pelo homem. Utilizamos de forma criativa as conclusões que temos retirado das lutas titânicas do nosso povo, com o KKE na primeira linha.”

Com referência aos acontecimentos políticos, destacou: “num futuro próximo, um governo, tenha ele por base a ND ou o SYRIZA, substituirá o governo anterior e, mesmo que siga uma trajectória algo diferente, o que certo é que a iniciará do mesmo ponto de partida e terá o mesmo objectivo, em linha com a estratégia da UE, a rentabilidade dos monopólios, a via de desenvolvimento capitalista.

Por isso este governo será inevitavelmente antipopular, porque porá em prática os compromissos com a UE. Será um governo que vai negociar a dívida, porque aceita que se trata de uma dívida do povo, do país. Será um governo que defenderá os interesses dos grandes grupos empresariais.

Não somos os únicos a dizer isto. Eles mesmos o admitem. Por exemplo, quando a ND diz que “deveríamos aplicar as reformas e inclusivamente por nossa própria vontade; e mais, iremos para além dos nossos compromissos” e quando SYRIZA diz “vamos negociar dentro do quadro da União Europeia e das instituições europeias”.

Dimitris Koutsoumpas expôs detalhadamente a estratégia antipopular comum de ND e de SYRIZA, apesar das diferenças parciais existentes entre eles, e acrescentou que: “A ND com a sua experiência prévia no governo e SYRIZA com a sua experiência prévia no debilitamento do movimento estão lutando entre si para levar a cabo o papel de partido eleito da UE e dos monopólios”, destacando sobretudo a promessa de A.Tsipras, presidente de SYRIZA, num canal de la televisão britânica, de que SYRIZA fará tudo o que é possível para salvar “a nossa casa comum, a UE”. D.Koutsoumpas acrescentou que é por esta razão que apenas promete migalhas.

O SG do CC do KKE destacou, no que diz respeito à negativa do partido em participar ou apoiar um governo de “esquerda”:

“Todas e todos deveriam ter em conta que: nos anos anteriores alternaram-se governos de um só partido ou de coligação, obtendo o voto do povo por extorsão, fomentando o medo do “pior” ou as ilusões sobre o “mal menor”.

É isto o que repetem agora. Que, supostamente, se pode conseguir um acordo sobre umas questões e que o KKE deve ser tolerante com o SYRIZA. Mas as coisas não são tão simples, uma vez que as questões menores são determinadas pelas grandes questões estratégicas.

Em essência, apelam a que o KKE apoie um tal governo na sua totalidade.

Porque, na realidade, um governo trata todos os assuntos. Os acontecimentos não se limitam a duas ou três questões.

Continuarão a existir todos os problemas na economia, no sector da saúde, da educação, na imigração, na repressão estatal, na justiça, na política exterior etc.

Alguns dizem que se o SYRIZA pode resolver um problema, isso já seria bom. Mas um governo não se encarrega de resolver apenas um ou dois problemas. Tem que tratar de um amplo leque de assuntos relacionados com a UE, a OTAN, as relações entre a Grécia e a Turquia, os assuntos relacionados com o mar Egeu, a questão cipriota, as intervenções e os confrontos militares na região e fora dela, ou seja, tudo. ¿Conhece alguém algum governo que tenha sido julgado apenas relativamente a um ou dois temas?

O que deve ficar claro é que: enquanto um governo gere o futuro de um povo e de um país estando tolhido pelas amarras da UE e da via de desenvolvimento capitalista cujo tempo já passou e que apodreceu, a armadilha do “mal menor” levará continuamente a novos governos antipopulares.

É necessário que o povo seja libertado dos governos antipopulares e da sua política, que tome ele mesmo o poder. A situação actual na Grécia e a nível internacional não nos permite perder mais tempo.”

Sobre o valor do voto no KKE disse D. Koutsoumpas: “O KKE é uma garantia de que o povo não será de novo enganado. Não deve sucumbir à chantagem e às ilusões.

É necessário que o KKE seja forte em todo o lado porque é o único verdadeiro opositor face aos monopólios e ao seu poder, à UE dos memorandos permanentes, os governos antipopulares. Depois das eleições haverá um governo, uma vez que muitos partidos e formações têm vontade de contribuir para isso. Para o povo o importante é que o KKE seja forte, para que o próprio povo seja forte.

Já conheceis o KKE como uma força estável, inquebrantável ante todo ataque anti operário e antipopular. Sabeis o que tem feito o KKE, que foi a força estável da oposição operária e popular, dentro e fora do parlamento durante os últimos 3 anos, desde as eleições de 2012.

Em todo o lado se pode notar o contributo e o impacto da luta dos comunistas. Sabeis, além disso, que a diminuição da influência eleitoral do KKE teve um impacto negativo na dinâmica e no carácter de massas do movimento operário e popular.

Entretanto, o KKE não se deu por vencido. Apoiou os trabalhadores assalariados, os camponeses, os trabalhadores autónomos, os reformados, os estudantes, os alunos, pelo direito à saúde, à segurança social, à pensão, à educação, à protecção dos rendimentos, da habitação, face aos empréstimos usurários e os impostos insuportáveis.

O KKE nunca mentiu ao povo. Dirigimo-nos sobretudo a vós que justificadamente pensais que a situação não pode continuar assim, que “eles devem ser corridos”. O governo actual deve ser condenado ao ser rejeitada a estratégia da UE e do capital. Ao mesmo tempo, não se deve eleger outro governo que implementará a mesma estratégia, com algumas diferenças insignificantes para o povo.

Hoje em dia, pode ver-se mais claramente que a liderança de SYRIZA, com as credenciais que apresenta ao capital e aos organismos imperialistas, está a cortar todos os laços com a história do movimento popular. Desta forma, dá às forças mais reaccionárias a oportunidade de caluniar as tradições militantes do nosso povo. Está tomando rapidamente o lugar da nova social-democracia, e inclusivamente numa versão pior, porque as condições no capitalismo e a situação do movimento operário são também piores.

O KKE é um apoio constante para o povo. Tudo o que o povo tem ganho, ganhou-o através de lutas em que o KKE esteve na primeira linha. Quando o movimento e o KKE se debilitaram, também o povo teve perdas.

Pensai qual será a força que amanhã estará ao lado do povo, na primeira linha da luta pelo salário, o trabalho, os direitos.

O KKE faz um apelo aos jovens que se preocupam com a situação, aos trabalhadores, aos reformados, aos que não se conformam com a miséria e o derrotismo, a que se juntem a ele. Apela a que votem e fortaleçam o KKE em todo o lado. Para que se reforce o povo, para que se fortaleça a resistência e a luta do povo, a Aliança Popular contra os monopólios e o capitalismo, para abrir caminho à perspectiva do poder operário e popular.”


Fonte: O Diário


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