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sábado, 15 de outubro de 2016

O racismo mortal dos liberais imperialistas 'antirracistas'


O racismo mortal dos liberais imperialistas 'antirracistas'
por Neil Clark

"Imagine se grandes progroms racistas contra negros começarem a ser lançados por grupos de direita na França. Com certeza gerariam indignação a mais justificada. Os perpetradores teriam de ser julgados e condenados. Mas, como Dan Glazebrook demonstrou, progroms racistas contra pessoas negras foram 'característica' da rebelião que o ocidente patrocinou na Líbia em 2011, desde os primeiros dias. Pois liberais ocidentais 'antirracistas' ainda assim continuaram a apoiar os raids, ataques aéreos 'humanitários' a favor de 'rebeldes' racistas. Como pode alguém ser contra pogroms racistas contra pessoas negras na Europa, mas apoiar o mesmo tipo de pogrom racista contra negros na Líbia? Ora! Para imperialistas liberais 'antirracistas' é fácil. Como Maximilian Forte escreveu: "Se isso fosse 'humanitarismo' só seria possível se, antes, esse 'humanitarismo' desqualificasse os povos africanos como estranhos à humanidade dos demais seres humanos.""
Em matéria de hipocrisia, os liberais ocidentais pró-guerra são recordistas mundiais. Ao mesmo tempo em que se declara opositor(a) do racismo, o(a) liberal pró-guerra é garoto(a) propaganda da mais perigosa e mais mortal forma de racismo que há hoje no mundo: o imperialismo contemporâneo puxado por EUA/Ocidente.

É racismo muito pouco denunciado ou comentado, mas que já semeou desgraça até reduzir países inteiros à miséria mais absoluta e matou milhões de pessoas – e que agora ameaça arrastar os norte-americanos a um confronto potencialmente catastrófico com a Rússia.

Pode-se ver esse racismo abominável à vista novamente nas discussões em círculos da elite dos EUA, sobre a Síria. Dá-se por comprovado que "nós", quer dizer, os EUA e aliados, teriam pleno direito para declarar que é e quem não é governo sírio legítimo. Podemos exigir o quando se queira que "Assad tem de sair", mas é claro que nenhum governo sírio poderia exigir que um dos NOSSOS governantes ocidentais saísse imediatamente. Até a simples cogitação é tomada como ofensa ao 'ocidente'! 

"Nós" temos direito de impor "Zonas Aéreas de Exclusão", as quais, claro, não se aplicam aos NOSSOS aviões –, só aos DELES. Temos direito de bombardear ou invadir ilegalmente qualquer país, quantas vezes queiramos – pelas razões mais fictícias –, mas, se povos nascidos nos países-alvos ousam resistir contra os invasores, são declarados "genocidas" e o governante dos povos que resistam (e aliados) é declarado criminoso de guerra e nós os mandamos para Haia. Enquanto isso, os governantes dos EUA podem infringir todas as leis internacionais e matar centenas de milhares, em total impunidade.

Se você ainda duvidar do racismo inerente à atual ordem mundial, e pensa que exagero, considere o que se passa na Corte Criminal Internacional (CCI). Em 14 anos de existência, os únicos seres indiciados e julgados naquela corte foram, todos, africanos.

O que você diria se houvesse um tribunal doméstico na Inglaterra no qual só se julgassem africanos? E no qual europeus, por mais hediondo o crime que tenham praticado, jamais foram sequer citados. Não erraria quem declarasse racista toda essa encenação.

Mas acontece que a CCI e os liberais supostos contra o racismo estão silenciosos. Mostra assim, em escala internacional, que é possível safar-se de qualquer acusação no 'ocidente', apesar dos mais escandalosos atos de discriminação que sejam praticados domesticamente.

Lamentavelmente, porção considerável da esquerda antirracista no ocidente já se acomodou a esse racismo perverso dos liberais, talvez mesmo sem sequer saber. Prova disso é como são poucas as pessoas corajosas o suficiente para declarar: "Sem dúvida o governo sírio tem pleno direito de resistir contra os terroristas e jihadistas financiados e armados pelos EUA".

Mais uma vez, é dado por comprovado que países do sul global tomados pelos EUA e aliados como alvos não tem absolutamente direito nenhum, sequer o direito de armar-se e resistir em armas; aqueles governos e povos têm o único direito de render-se e morrer. Se resistirem, se responderem pela força, quando atacados pela força, como se viu acontecer na Síria, nesse caso sempre aparecem movimentos 'antiguerra' para declarar que os sírios são, no mínimo, tão culpados pela agressão quanto os agressores. 

Lembre o escândalo que foi, para a "Nação Excepcional" e seus aliados, quando forças iugoslavas derrubaram um bombardeiro Stealth dos EUA, em 1999! 'Como se atrevem?!' 'Nós podemos bombardear aquele país até devolvê-lo à Idade da Pedra Lascada, por razões 'humanitárias' – e eles não tem direito de mirar e derrubar nosso aviãozinho!'

Quando três soldados norte-americanos foram capturados, o presidente Bill Clinton alertou os iugoslavos de que não tinham autoridade para levar aqueles homens ao tribunal, ao mesmo tempo em que 'declarava' que o bombardeiro ilegal dos EUA contra a Iugoslávia continuaria.

Mais uma vez, o único modo que permitiria aprovar e apoiar esses padrões tão flagrantemente duplos é acreditar que os norte-americanos e seus aliados na OTAN fossem seres superiores aos iugoslavos. Isso é racismo.

A desumanização de muitas vítimas de agressão militar sob comando do ocidente e aliados é outro exemplo do racismo liberal, tido por 'aceitável'.

Os milhões assassinados pelo imperialismo EUA/Ocidente no Iraque, Paquistão, Afeganistão, Síria, Líbia, Iêmen, Iugoslávia e em outros países, não são homenageados nem tem dia especial para serem lembrados. Dificilmente, pode-se dizer, nunca, em tempo algum, serão apresentados como homens honrados e mulheres honradas nos filmes blockbuster de Hollywood.

Embora vez ou outra alguém 'lastime' oficialmente alguma morte 'casual' de civis, ninguém nem finge qualquer vergonha ou dor, quando soldados que lutam nos exércitos nacionais em defesa do próprio povo e da própria terra são incinerados às dezenas, às centenas. Alguém algum dia ouviu qualquer protesto ou lástima de qualquer liberal norte-americano e ocidental pró-guerra, quando EUA e aliados assassinaram 62 soldados sírios, mês passado, ação que pôs fim ao cessar-fogo, talvez até deliberadamente? Não ouviram? Nem eu. 

É muito duvidoso que os liberais 'humanitários' e antirracistas pró-guerra que hoje falam de 'Zona Aérea de Exclusão' que seria imposta na Síria (Zona Aérea, melhor dizendo, de Exclusão 'de vocês', porque 'nós' continuaremos a poder voar à vontade), tenham, algum dia, em toda sua vida 'de poltrona', conhecido soldados do Exército Árabe Sírio. Mas eu, sim, conheci.

Há uns poucos anos, eu estava em Latakia, Síria, precisando de um ônibus que me levasse de volta ao meu apartamento em Damasco. Perdera o último, mas ainda havia um ônibus especial do Exército, que partiria em breve. Convidaram-me a viajar com eles. Os soldados generosamente partilharam comigo a comida, a água e os cigarros. Cantaram, contamos histórias, rimos das piadas uns dos outros. Que grande viagem!

Sempre penso naqueles soldados sírios quando ouço um desses liberais pró-guerra antirracistas fingindo extrema preocupação humanitária com os sírios. Porque, para eles, soldados sírios que lealmente defendem o país deles não são seres humanos; podem ser massacrados em grandes números; e quando o são, os liberais pró-guerra celebram.

"Quando humanos não são humanos?" perguntou meu colega colunista de RT Dan Glazebrook em sua coluna para o Morning Star em agosto de 2012. A resposta é: quando são soldados do sul global resistindo contra invasões apoiadas pelos EUA. Glazebrook observa que, enquanto soldados do exército ocupante são "sempre humanos, não importa quantas atrocidades cometam,"os soldados de exércitos que defendam o próprio país contra agressão dos EUA e ocidente, "nunca são humanos" (...) "ainda que jamais em toda a vida deles tenham disparado sequer um tiro."

A triste verdade é que número excessivo de 'antirracistas' ocidentais estão mais interessados em coisas ruins que alguns indivíduos digam, do que em resistir contra as formas mais mortais, mais virulentas de racismo que afetam o mundo hoje: o racismo que serve de substrato à política exterior dos EUA e de seus aliados mais próximos.

Imagine se grandes progroms racistas contra negros começarem a ser lançados por grupos de direita na França. Com certeza gerariam indignação a mais justificada. Os perpetradores teriam de ser julgados e condenados. Mas, como Dan Glazebrook demonstrou, progroms racistas contra pessoas negras foram 'característica' da rebelião que o ocidente patrocinou na Líbia em 2011, desde os primeiros dias. Pois liberais ocidentais 'antirracistas' ainda assim continuaram a apoiar os raids, ataques aéreos 'humanitários' a favor de 'rebeldes' racistas. Como pode alguém ser contra pogroms racistas contra pessoas negras na Europa, mas apoiar o mesmo tipo de pogrom racista contra negros na Líbia? Ora! Para imperialistas liberais 'antirracistas' é fácil. Como Maximilian Forte escreveu: "Se isso fosse 'humanitarismo' só seria possível se, antes, esse 'humanitarismo' desqualificasse os povos africanos como estranhos à humanidade dos demais seres humanos."

O verdadeiro, genuíno antirracista (oposto ao 'antirracista' fake e liberal imperialista) acredita que todos os países são iguais e que os EUA e aliados não têm mais direito de ameaçar a Síria, do que a Síria tem de ameaçar os EUA e aliados. 

Antirracistas genuínos entendem que todos os seres humanos são iguais. E que a lei internacional aplica-se a todos; e que EUA, Grã-Bretanha, Israel e seus aliados não escapam a essa lei da humanidade. É hora de os antirracistas verdadeiros exigirem o fim do racismo entre os liberais ocidentais pró-guerra. Antes que os racistas 'humanitários' imperialistas afoguem o mundo na 3ª Guerra Mundial que tanto procuram (siga Neil Clark no Twitter @NeilClark66.)*****




Fonte: Blog do Alok



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