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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

"A essência do Trotskismo"

Stalin: "A essência do Trotskismo"
Relatório do CC ao XVI Congresso do PC da URSS, assinado por J. V. Stalin -27 de Junho de 1930.

"Esta dualidade do trotskismo reflete a situação dupla da pequena burguesia das cidades em vias de se arruinar, que não pode suportar o “regime” da ditadura do proletariado e se esforça por passar "de um golpe" ao socialismo, para escapar à ruína (de onde o espírito de aventura e a histeria em política), ou então, quando isto é impossível, se esforça por consentir em quaisquer concessões ao capitalismo, sejam elas quais forem (de onde o espírito de capitulação em política)."

Em que é que consiste a essência do trotskismo? 

A essência do trotskismo consiste, antes de mais, na negação da possibilidade de edificar o socialismo na URSS pelas forças da classe operária e do campesinato do nosso pais. O que é que isso significa? Significa que se, num futuro próximo, o apoio da revolução mundial vitoriosa não chegar, teremos de capitular diante da burguesia e abrir o caminho à República democrática burguesa. Portanto, temos aí uma negação burguesa da possibilidade de edificar o socialismo no nosso pais, negação mascarada por uma frase revolucionária sobre a vitória da revolução mundial. 

É possível, com semelhantes concepções, provocar nas mais largas massas da classe operária o entusiasmo pelo trabalho, a emulação socialista, um vasto trabalho de choque, uma ofensiva largamente desenvolvida contra os elementos capitalistas? É claro que não. Seria absurdo acreditar que a nossa classe operária, que fez três revoluções, desenvolveria o entusiasmo pelo trabalho e um vasto trabalho de choque, com o único fim de preparar o terreno para o capitalismo. A nossa classe operária desenvolveu o seu ímpeto no trabalho, não para o capitalismo, mas para enterrar definitivamente o capitalismo e edificar o socialismo na URSS. Tirem-lhe a certeza da possibilidade de edificar o socialismo, e terão destruído todo o terreno para a emulação, para o ímpeto no trabalho, para o trabalho de choque.

Daí a conclusão: para provocar na classe operária o ímpeto do trabalho e a emulação, e organizar uma ofensiva largamente desenvolvida, seria preciso, antes de mais, enterrar a teoria burguesa do trotskismo sobre a impossibilidade de edificar o socialismo no nosso país.

A essência do trotskismo consiste, em segundo lugar, na negação da possibilidade de fazer participar as massas essenciais do campesinato na edificação socialista no campo. O que é que isto significa? Que a classe operária não é capaz de arrastar atrás de si o campesinato a fim de orientar as explorações camponesas individuais na via da coletivização, que se, num futuro próximo, a vitória da revolução mundial não chegar em socorro da classe operária, o campesinato restabelecerá a antiga ordem de coisas burguesa. Portanto, estamos aí na presença de uma negação burguesa das forças a possibilidades da ditadura do proletariado para conduzir o campesinato para o socialismo, negação mascarada sob frases «revolucionárias» acerca da vitória da revolução mundial, é possível, com tais concepções, arrastar as massas camponesas no movimento kolkhoziano da massa, organizar a liquidação dos kulaks enquanto classe? É claro que não.

Daí a conclusão: para organizar um movimento kolkhoziano de massa de campesinato e liquidar a classe dos kulaks, seria preciso, antes de mais, enterrar a teoria burguesa do trotskismo sobre a impossibilidade de associar as massas trabalhadoras do campesinato ao socialismo.

A essência do trotskismo consiste finalmente em negar a necessidade de uma disciplina férrea do Partido, em reconhecer a liberdade dos grupos de fracção no Partido, em reconhecer a necessidade de formar um partido trotskista. Para o trotskismo, o PC da URSS não deve ser um partido de combate, único e coerente, mas uma reunião de grupos e frações com os seus centros, com a sua imprensa, etc. Ora, o que é que isto significa? Significa proclamar a liberdade das frações políticas no Partido. Significa que depois da liberdade dos grupos políticos no Partido, deve vir a liberdade dos partidos políticos no pais, isto é, a democracia burguesa. Temos aqui, portanto, o reconhecimento da liberdade dos grupos fracionais no Partido, incluindo até a admissão de partidos políticos no pais da ditadura do proletariado, reconhecimento mascarado por uma frase sobre a “democracia interna do Partido”, sobre a “melhoria do regime” no Partido. Que a liberdade das chicanices fracionais, dos grupos intelectuais não é ainda a democracia interna do Partido; que a ampla autocrítica realizada pelo Partido e a atividade prodigiosa das massas de aderentes do Partido são uma manifestação da verdadeira e autêntica democracia do Partido, isso o trotskismo não é capaz de compreender. É possível, com semelhantes concepções sobre o Partido, assegurar a unidade de ferro no Partido, necessária ao sucesso da luta contra os inimigos da classe? É claro que não.

Daí a conclusão: para assegurar a unidade de ferro do Partido e a disciplina proletária no seu seio, seria preciso, antes de mais, enterrar a teoria do trotskismo em matéria de organização.

Capitulação de fato, como conteúdo, frases de “esquerda” e gestas de aventureirismo “revolucionário”, como forma que cobre e exalta o espírito de capitulação, que é o seu conteúdo, eis a essência do trotskismo.

Esta dualidade do trotskismo reflete a situação dupla da pequena burguesia das cidades em vias de se arruinar, que não pode suportar o “regime” da ditadura do proletariado e se esforça por passar "de um golpe" ao socialismo, para escapar à ruína (de onde o espírito de aventura e a histeria em política), ou então, quando isto é impossível, se esforça por consentir em quaisquer concessões ao capitalismo, sejam elas quais forem (de onde o espírito de capitulação em política).

É esta dualidade do trotskismo que explica o fato de que os seus ataques “desesperados”, ditos contra os desviacionistas de direita, sejam habitualmente coroados pelo trotskismo por um bloco com eles, assim como com os capitulacionistas sem máscara.



27 de Junho de 1930.


Relatório do CC ao XVI Congresso do PC da URSS, assinado por J. V. Stalin



Fonte: Nova Cultura




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