Brasil: aumenta o entreguismo e a repressão


Dilma e Lula
 
Brasil: aumenta o entreguismo e a repressão
 por MonBlog

"A combinação da ampliação de benesses ao capital em uma ponta com a crescente repressão aos trabalhadores e minorias étnicas em outra, é um indício de que com o aprofundamento da crise econômica no país a luta de classes tenderá a se agudizar no próximo período e amplos setores do povo passarão a se enfrentar cada vez mais com o governo petista, cujos principais dirigentes, convertidos em neoburgueses, demonstrarão cada vez mais o que são e para quem realmente governam."


 A sucessão de fatos nas últimas semanas apontam claramente para um aumento das benesses ao capital em uma ponta com o correspondente aprofundamento da repressão às minorias étnicas e aos trabalhadores na outra.

Os ventos da crise capitalista começam a ficar mais fortes no país com o esgotamento das medidas "anticrise" adotadas a partir de 2008. [1] A combinação do quadro de aprofundamento da crise com a crescente perda de legitimidade dos governistas nos movimentos sociais e sindicais faz com que o governo petista se utilize cada vez mais do aparato repressivo do Estado para levar adiante seus planos de tentar manter o processo de acumulação e reprodução do capital. Assim, a cada dia que passa, o governo petista já não consegue mais dissimular o real caráter da sua gestão e para quem realmente governa.

Belo Monte já era um símbolo do que tem sido capaz a gestão petista para garantir lucros ao capital. Desde o início da obra as comunidades indígenas foram desrespeitadas, os operários são explorados e duramente reprimidos (incluíndo prisões, torturas e desaparecimentos), pequenos agricultores sofrem ameaças de expropriação e até um espião foi infiltrado pelo governo. Como se tudo isso não bastasse, tráfico de pessoas e prostituição foram encontrados ao lado do canteiro de obras.

Pois nas últimas semanas o governo enviou a Força Nacional para reprimir operários que realizavam uma greve pacífica e 450 foram demitidos [2]. A intenção de violar o direito de greve já nem é disfarçada como deixa clara a nota do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) publicada no dia 18 de abril. [3]

À recente ocupação indígena o governo respondeu com a negativa de negociação [4], repressão da Força Nacional [5], censura de jornalistas (um chegou a ser multado pelo crime de ter gravado a ação policial) [6] e até com a abertura de uma investigação da Polícia Federal para apurar quem eram os não indígenas que participavam da ocupação - uma clara tentativa de quebrar a aliança e a solidariedade de outros setores (como os próprios operários) com as minorias étnicas. [7]

Além de tudo isso a Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, anunciou que o governo pretende retirar da Funai a atribuição de demarcar as terras indígenas, atendendo a pedido dos ruralistas.

A política repressiva do Estado brasileiro para garantir os lucros do capital já está devidamente elaborada e justificada. Em julho de 2012, a Presidente Dilma aprovou o "PROTEGER", sistema que visaria proteger os setores estratégicos do país - mais de 13.300 locais entre hidrelétricas, termelétricas, refinarias, estradas, telecomunicações, portos, aeroportos, etc. [8]

Embora apareçam como estratégicos grande parte desses setores estão sendo privatizados com dinheiro público. A "proteção" na verdade é contra a ação dos movimentos sociais e sindicais já que o referido sistema prevê a militarização em caso de conflitos sociais - cada vez mais inevitáveis dada a truculência e o desrespeito do governo.

Diante da descoberta da operação de espionagem do movimento sindical portuário, o Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, deixou claro o que o governo petista visa "proteger":

"Era mais que legítimo que a Abin passasse para nós informações dos riscos: 'Olha, pode paralisar o porto.' E a repercussão disso na economia, qual é?" [9]

E qual a repercussão na economia do processo de desnacionalização e desindustrialização crescentes operados pelo governo petista com dinheiro público? Os próprios portos estão em vias de serem privatizados, tendo a própria Presidente Dilma exigido pressa do Congresso para votar a matéria. [10]

O recrudescimento no tratamento dos movimentos sociais e sindicais contrasta com as concessões obscenas destinadas ao grande capital. Na última semana, por exemplo, a pedido dos empresários, o governo elevou de 5,5% para 7,2% os ganhos para as empresas que abocanharem as rodovias. [11]

No Rio de Janeiro, os aliados do governo federal, que também trataram com cacetetes as minorias étnicas e os trabalhadores, entregaram, por R$ 181,5 milhões [12], o Estádio do Maracanã para o grupo de Eike Batista, após gastar até o momento R$ 1,6 bilhões - este valor se elevará pois há ainda mais algumas obras no entorno a serem realizadas. [13]

Momentaneamente a justiça acatou pedido de impugnação do Ministério Público pela baixa remuneração ao Estado e erros no edital de concessão. [14]

A capital fluminense foi palco, há meses atrás, de uma polêmica que ganhou as manchetes dos jornais e telejornais do país: a repartição dos royalties do petróleo. Tal polêmica ocultou que o governo petista prepara um dos maiores entreguismos da História do Brasil: o leilão de 289 blocos de petróleo para empresas estrangeiras cujo valor ultrapassa a casa dos trilhões - de acordo com alguns economistas o valor seria superior ao PIB nacional.

Se por um lado pratica um entreguismo trilhionário, por outro o governo persegue servidores públicos por, no exercício de suas funções, não serem coniventes com os desmandos dos amigos do Planalto. Pietro Mendes, fiscal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), foi perseguido por ter autuado a OGX, de Eike Batista. [15] Ano passado a cipeira Ana Paula do Terminal Cabiúnas, em Macaé/RJ, foi demitida da Transpetro por ter denunciado irregularidades e desrespeito às normas de segurança. [16]

A combinação da ampliação de benesses ao capital em uma ponta com a crescente repressão aos trabalhadores e minorias étnicas em outra, é um indício de que com o aprofundamento da crise econômica no país a luta de classes tenderá a se agudizar no próximo período e amplos setores do povo passarão a se enfrentar cada vez mais com o governo petista, cujos principais dirigentes, convertidos em neoburgueses, demonstrarão cada vez mais o que são e para quem realmente governam.

Notas:

 
[1] Um sintoma dos limites de um mercado interno cujas famílias estão endividadas e travando o consumo foi o pedido das montadoras para o governo ampliar benefícios para que exportem até 1 milhão de carros.
Montadoras de veículos pedirão ao governo incentivo para exportação (22/04/2013):
[2] Greve: CCBM e governo exploram e oprimem os operários de Belo Monte (07/04/2013):
[3] Belo Monte: tentativa de solapar o direito de greve (20/04/2013):
[4] Governo não irá negociar com índios que ocuparam Belo Monte (07/05/2013):
[5] "O governo perdeu o juízo", afirmam indígenas (07/05/2013):
[6] Dois jornalistas são expulsos e um é multado por cobrirem ocupação de Belo Monte (05/05/2013):
Deputado é impedido pela polícia de conversar com indígenas; imprensa é barrada; militares 'negociam' em nome do governo (05/05/2013):
[7] Polícia Federal vai investigar participação de não índios em ocupação de Belo Monte (06/05/2013):
[8] Para o capital, mais benesses; para o povo, o Exército (12/08/2012):
[9] Carvalho: Abin monitorou Suape por razões econômicas (10/04/2013):
[10] Dilma Rousseff pressiona pela aprovação da MP dos Portos (10/05/2013):http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/05/dilma-rousseff-pressiona-pela-aprovacao-da-mp-dos-portos.html
[11] Taxa de retorno para concessão de rodovia sobe para 7,2% (08/05/2013):
http://www.sul21.com.br/jornal/2013/05/taxa-de-retorno-para-concessao-de-rodovia-sobe-para-72/
[13] Maracanã: um estádio a R$ 1,6 bilhão (27/04/2013):http://www.lancenet.com.br/minuto/Maracana-estadio-bilhao_0_908309364.html
[14] Justiça barra concessão de Maracanã a Eike e Odebrecht (10/05/2013):
[15] Fiscal que autuou a OGX foi punido e sofreu ataques da diretoria da ANP (10/05/2013):
[16] Dilma: entrega do petróleo e punições dos trabalhadores da Petrobrás (07/05/2013):
 
 
 
 
 

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