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quinta-feira, 14 de março de 2013

O saque imperialista das riquezas de África

O saque imperialista das riquezas de África
por Carlos Lopes Pereira
 
"O Império não tolerou as propostas da UA no sentido de um processo de integração africana. Depois de justificar a agressão à Líbia com «um pacote de mentiras ainda maior do que o que servira de pretexto para a invasão do Iraque» – como escreve Glazebrook –, a NATO destruiu o país, reduziu-o «à condição de mais um estado africano falhado» e «facilitou a tortura e o assassinato de Khadafi», assim se libertando de um seu opositor."


O imperialismo planeia dominar os países do Norte de África e desestabilizar a região e todo o continente de forma a perpetuar a pilhagem das riquezas africanas.

A agressão da NATO à Líbia (produtor de petróleo), a intervenção da França no Mali (ouro e urânio), a construção de uma base militar dos EUA no Níger (urânio) e o «cerco» à Argélia (petróleo e gás) são peças dessa estratégia que visa, face à crise do capitalismo mundial, intensificar a exploração dos trabalhadores e o saque dos recursos naturais africanos.

O jornalista Dan Glazebrook, que escreve em jornais como The Guardian, The Independent ou The Morning Star, publicou um artigo no Al-Ahram Weekly (http://weekly.ahram.org.eg), do Cairo, denunciando esta conspiração.

Começa ele por recordar que o Ocidente drena todos os anos de África milhares de milhões de dólares em pagamentos do «serviço da dívida», em lucros de investimentos e em empréstimos ligados a esquemas de corrupção de sectores das burguesias nacionais.

Outra via de dominação da África é o saque das suas riquezas minerais. É apontado o caso do Congo, onde, no Leste, bandos armados – controlados pelos vizinhos Uganda, Ruanda e Burundi, por sua vez apoiados por potências ocidentais – patrocinam o roubo de minérios e a sua venda a empresas estrangeiras.

A África financia ainda as classes dominantes ocidentais através dos baixos preços das matérias-primas e dos miseráveis salários pagos aos trabalhadores que as extraem ou cultivam.


 
Em suma, o capitalismo impõe ao continente africano o papel de fornecedor de matérias-primas e mão-de-obra baratas. E, para que esta situação se mantenha, procura assegurar que a África continue pobre e dividida, flagelada por golpes e guerras.

Segundo Glazebrook, a criação em 2002 da União Africana (UA), dinamizada por Muammar Khadafi, preocupou os estrategas ocidentais.

Para Washington, Londres e Paris era inaceitável o plano da UA de criação do Banco Central Africano e de uma moeda única. Era inaceitável a criação do Fundo Monetário Africano. E, sobretudo, era inaceitável a decisão da UA, em 2004, de elaborar a Carta de Defesa e Segurança Comum Africana. E a decisão, em 2010, de avançar com uma força militar unificada.

Nessa altura, face ao seu declínio económico e à «ameaça» da China, os EUA já tinham traçado planos para recolonizar a África.

Em 2008 surgiu o Africom, comando militar que o presidente G. W. Bush pretendia instalar em território africano. Mas a UA rejeitou a presença de tropas norte-americanas e o Africom teve de montar o quartel-general na Alemanha.

Maior humilhação para os EUA foi ver Khadafi eleito presidente da UA em 2009 e a Líbia tornar-se o principal suporte da organização pan-africana.

O Império não tolerou as propostas da UA no sentido de um processo de integração africana. Depois de justificar a agressão à Líbia com «um pacote de mentiras ainda maior do que o que servira de pretexto para a invasão do Iraque» – como escreve Glazebrook –, a NATO destruiu o país, reduziu-o «à condição de mais um estado africano falhado» e «facilitou a tortura e o assassinato de Khadafi», assim se libertando de um seu opositor.

A guerra contra o coronel destruiu o seu regime e também a paz e a segurança no Norte de África.

O dirigente líbio tinha organizado desde 1998 a Comunidade de Estados Sahel-Saharianos, com o foco na segurança regional, travando a influência das milícias salafistas e apaziguando os líderes tribais tuaregues.

Com a queda de Khadafi, os radicais islâmicos da região obtiveram armas modernas – cortesia da NATO – e as fronteiras meridionais da Líbia entraram em colapso.

A primeira vítima dessa desestabilização regional foi o Mali. O avanço islamita, resultado da agressão à Líbia, foi pretexto para a intervenção militar da França.

A Argélia ficou igualmente na mira do imperialismo. Está hoje «cercada» por radicais islâmicos a Leste (fronteira com a Líbia) e a Sul (fronteira com o Mali), onde se instalou também a legião francesa.

O imperialismo tem razões para não «simpatizar» com a Argélia, o único país do Norte de África ainda governado pelo partido que lutou pela independência (FLN): Argel apoia a UA, tem assumido posições internacionais dignas e, como o Irão e a Venezuela, vende por um preço justo o seu petróleo e o seu gás.

Este «nacionalismo dos recursos» leva as gigantes petrolíferas ocidentais a não esconder que «estão fartas da Argélia», como escreve o Financial Times. O mesmo jornal que, um ano antes da agressão da NATO, também acusou a Líbia do «crime» de proteger os seus recursos naturais...
 
 
 
Fonte: Avante em www.avante.pt
 
 
 
 
 

Um comentário:

  1. O imperialismo estadunidense com com sua política de expansão, influência ou até mesmo dominação territorial, cultural e econômica do mundo livre, alastra-se hostilmente extorquindo concessões por meio do emprego da ameaça das armas e força bruta, o saque das matérias-primas e demais haveres ou recursos naturais de que precisam.

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