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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Agressões Imperialistas: Rede de lutas e contradições

Lutas e contradições imperialistas
Fragmentos artigos do KKE- O Mafarrico Vermelho


“Um trabalhador ilude-se a si próprio se acredita que o sistema político burguês pode funcionar no interesse do povo. O sistema político burguês não pode ser corrigido, tem de ser derrubado.”


Os mais poderosos monopólios, as uniões imperialistas e as potências imperialistas emergentes envolveram-se numa rede de luta e contradições.

No quadro do sistema imperialista, as classes burguesas procuram “eixosde alianças e procedem a alianças e compromissos de modo a se beneficiar da luta pelos recursos naturais e pela partilha dos mercados.



Ao mesmo tempo, vemos que a ONU, a OTAN, os corpos policiais e militares da UE, as bases militares e as frotas navais são usados nessa luta, sob vários pretextos.

Verificaram-se vários acontecimentos, dos quais os mais importantes foram a aberta intervenção imperialista na Líbia, com a decisão do Conselho de Segurança da ONU, e a direta intervenção militar imperialista das forças na ONU e da França na Costa do Marfim, assim como os acontecimentos sangrentos no Iémen e na Síria.

Os acontecimentos desenvolvem-se rapidamente, assumindo aspectos diferentes em muitos países e regiões. Mas colocam continuamente, de uma forma cada vez mais persistente, a questão da relação entre o capitalismo, a crise e a guerra.

As manifestações na Síria têm as suas raízes no próprio país. Nos problemas económicos, sociais e políticos que a classe operária e os outros estratos populares estão a viver. Todavia, é óbvio que estão a ser usados pelas forças burguesas e os centros imperialistas.

- Os meios de comunicação nacionais e internacionais apresentaram os acontecimentos na Síria como outro “levantamento” popular, com reivindicações democráticas, afogado em sangue pelas autoridades.

Examinando as mobilizações em que participam forças populares a partir dos objetivos que são colocados pelas forças sociais e políticas que atuam no país, assim como pelas forças externas implicadas nesta mobilização.

As consignas utilizadas nem sempre deixam isso claro. Cabe lembrar que no passado recente tivemos a experiência de manifestações operárias e populares que, em nome da “democracia”e da “liberdade”, assumiram uma posição reacionária e contrarrevolucionária –por exemplo, na Polónia, no período do “Solidariedade”.


Isso é ainda mais verdade hoje, na medida em que há muitos fatos que mostram a distorção de acontecimentos, em larga escala, por parte dos meios de comunicação burgueses internacionais, orquestrados pelo famoso canal Al Jazeera, com sede no Qatar e que se está a tornar o “cavalo de Tróia” eletrónico da classe burguesa daquela região, que apoia a modernização burguesa, a nível político e económico, nos países do Norte da África e do Oriente Médio, assim como os planos imperialistas para o “Grande Médio Oriente”.

- Que plano é este? Que objectivos serve?

-Os principais objetivos dos imperialistas

– e não os pretextos (como a “democracia” e a “não proliferação das armas nucleares”) –, promovidos por esses planos, são:

A modernização burguesa dos regimes na região, tanto na base económica como na superstrutura jurídico-política para garantir, na medida do possível, uma base estável para a expansão dos grupos monopolistas nos mercados da região e o reforço do seu papel a nível internacional.

A garantia do seu acesso aos recursos de energia da região e a novas jazidas no Mediterrâneo oriental.

O controle de uma grande área que é um “ponto de passagem” de comércio e transportes.

É óbvio que cada potência imperialista tem os seus objetivos individuais. Por isso, os esforços dos EUA encontram, sem dúvida, e continuarão a encontrar a oposição de potências rivais (sobretudo dos principais países da UE, da China e da Rússia). Desde que ponham em perigo os seus planos de penetração na região, para que os seus monopólios daí saquem idênticos benefícios.

É no quadro destes antagonismos que devemos compreender a partilha do Sudão, que está a avançar, assim como a intervenção estrangeira na Costa do Marfim, a intervenção militar imperialista na Líbia e o plano para a sua possível partilha.

Estes desenvolvimentos podem levar a um cenário geral de desestabilização de uma grande região, que criará problemas de fornecimento de energia à UE – rival dos Estados Unidos –, assim como de penetração de capitais e mercadorias chinesas na UE e África.

O imperialismo, como fase superior do capitalismo, torna-se mais perigoso nas condições de crise capitalista. Além disso, pode servir-se da situação criada para mitigar as consequências da crise capitalista global e canalizar capital para guerras na região.

Os desenvolvimentos na Síria estão ligados a estes planos. O que transparece das declarações e posições oficiais das potências imperialistas, dos EUA e da UE, assim como do envolvimento de potências regionais, como a Turquia e o Irã.

-Os acontecimentos na Síria são fabricados de fora do país? Que são um “instrumento” para a derrubada do governo e do Presidente Assad?

- É claro que os acontecimentos que se desenvolvem na Síria têm as suas raízes no interior do país, nos problemas económicos, sociais e políticos que a classe operária e os outros setores populares sofrem.

Estes problemas têm vindo a agudizar-se nos últimos anos, devido às políticas de privatizações, de corte de direitos e rendimentos dos operários e das camadas populares, políticas promovidas a favor da burguesia nacional.

Devemos procurar estudar a fundo os desenvolvimentos complexos como são os de hoje.

Portanto, é preciso assinalar que hoje em dia muitos elementos indicam que se está a pretender fazer uma intervenção imperialista nos assuntos internos da Síria a partir do estrangeiro, assim como a manipulação dos trabalhadores dos outros países, com informação falsa sobre os acontecimentos na Síria.

Por exemplo, muitos dos assim chamados “vídeos/documentários” que nos mostram são filmados noutros países ou noutras situações. Esta linha de manipulação da opinião pública levou recentemente, a demissões de jornalistas da Al Jazeera.

Todos os dias surgem dados que revelam intervenções de países vizinhos (Arábia Saudita, Turquia); dados que mostram o esforço de agudização e exploração de conflitos religiosos e que falam de grupos que se armam e se treinam no estrangeiro.

Há que se ter tudo isto em conta.

Claro que os EUA, a UE e Israel estão interessados na desestabilização e no enfraquecimento de um regime burguês que faz alusões anti-imperialistas e é aliado de forças anti-imperialistas na Palestina, no Líbano, etc. É preciso não esquecer que hoje em dia territórios da Síria estão sob ocupação estrangeira (israelita).

O enfraquecimento deste regime, ou mesmo a sua derrubada, pode abrir o apetite dos planos imperialistas de ataque ao IRÃ, utilizando como pretexto o seu programa nuclear.
 

Pode mesmo levar a uma nova desintegração de estados na região e a um efeito dominó de desestabilização e matanças, algo que trará novas guerras e intervenções imperialistas.

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