Colombia: Pela paz e o Socialismo

47 anos de batalhas pela paz da Colômbia a partir da resistência armada
Rede Bolivariana

 
Colombianas e colombianos, irmãos e irmãs da América Latina:
Neste mês de maio completam-se 47 infaustos anos de morte traiçoeira, de persecução implacável, de prisões injustas, de negação de direitos fundamentais aos cidadãos, de despojo de terras e moradias, de desterros e êxodos forçados, de enriquecimentos imorais e ilícitos e de empobrecimento violento, tão violento como a própria pobreza, causados pelos diferentes governos que exerceram o poder para a minoria opulenta da Colômbia.

São 47 anos de violência partindo desde o dia em que o bipartidarismo liberal-conservador personificado no excludente, corrupto e infame pacto de alternância presidencial da Frente Nacional (vigente entre 1958-1974), no governo de Guillermo León Valencia, tomou a decisão de rumar o curso histórico da pátria pelos despenhadeiros da barbárie, lançando a maior ofensiva militar que até o momento se conhecera na América Latina, com mais de 16 mil efetivos da força armada governamental e orientada a partir da Casa Branca, em sua estratégia para o controle geopolítico do continente e contenção dos ventos de dignidade e independência que sopravam desde a Revolução Cubana, articulado no Plano LASO (Latin American Security Operation) para aniquilar o campesinato de Marquetalia. É que a violência e a submissão perante o amo imperial, foi por excelência a conduta política das classes dominantes na Colômbia.

Há verdades que incomodam as classes que detêm o poder e seus porta-vozes, como a de que a violência é a característica principal de sua conduta política. É por isso que lançam às vistas toda a sua maquinação midiática para fazer de suas trapaças e mentiras "verdades oficiais", como a justificativa para a agressão às comunidades agrárias em Marquetalia sob o estigma de "repúblicas independentes", quando o coro da irracionalidade no congresso da República, encabeçado pelo senador ultraconservador Álvaro Gómez Hurtado incitou o terror para expulsar a sangue e fogo a resistência em Marquetalia, por cima do clamor nacional de paz que os acompanhou, obrigando-os a proferir a resistência das FARC-Exército do Povo que cresce imbatível acompanhada de amor, esperanças, iniciativas e críticas dos colombianos.



De Marquetalia até hoje, as FARC-Exército do Povo jamais renunciamos à solução política do conflito social e armado que a oligarquia colombiana aprofunda em cada ciclo de governo porque a busca da paz com justiça social é parte de nossa gênese e razão de luta, além da certeza de que é com a participação do povo voltado para ações e iniciativas como a construiremos.

É com o povo mobilizado pela distribuição justa da terra, pelo estabelecimento de efetivas políticas de saúde que priorizem o homem e a mulher e não as contas bancárias dos empórios econômicos da corrupção que a comercializam; para alcançar estratégias sociais que priorizem moradia digna no campo e na cidade, educação para todos, democracia plena para a convivência nacional e para o exercício pleno e integral dos direitos humanos; por redução do gasto militar e pelo redirecionamento da política de defesa. É a mobilização de todos os setores da sociedade colombiana que imporá a saída política do conflito armado, a começar pelo acordo humanitário (troca de prisioneiros) que liberte todos os presos políticos que se encontram nos cárceres do regime (incluindo os guerrilheiros marxista-leninistas) e os prisioneiros de guerra em poder da insurreição guerrilheira.



"As contradições de interesses entre monopólios capitalistas "brasileiros" atuantes na Colômbia, Venezuela e Cuba e os monopólios imperialistas e os interesses geoestratégicos ianques na região obrigam o regime brasileiro a tomar a iniciativa, dando apoio logístico ao regime colombiano para que as FARC-Exército do Povo libertem os prisioneiros de guerra em seu poder unilateralmente: a "neutralidade" brasileira é, de fato, conveniente aos "interesses nacionais" da burguesia monopolista".

Posição desta REDE BOLIVARIANA ANTIIMPERIALISTA


Quando o governo ordenou o ataque à Marquetalia, os camponeses agredidos ergueram sua voz por saídas de paz e bem-estar, mas a ambição bipartidarista da Frente Nacional desencadeou a sangria que nos golpeia. E todas as ameaças caíram contra as forças de resistência encabeçadas pelos legendários comandantes Manuel Marulanda Vélez, Jacobo Arenas, Isaías Pardo, Hernando Gonzáles Acosta, Joselo Lozada, Ciro Trujillo, Miguel Pascuas, Fernando Bustos, Jaime Guaracas, Miriam Narváez e os 46 integrantes da plêiade fecunda da gesta Marquetaliana e da insurgência que hoje representamos as FARC-Exército do Povo.

E prometeram seu aniquilamento físico e com isso o fim da resistência em poucas semanas. Desde então as ameaças e os jargões como “foi abatido”, “está gravemente ferido”, “estamos fungando na nuca”, “em cinco meses os derrotamos”, “necessito outros quatro anos para derrotá-los”, ou o “este é o fim do fim” da guerrilha foi o argumento para justificar o exorbitante gasto militar que disparou o contingente das forças armadas oficiais para mais de 500 mil efetivos e que consumirá a quinta parte do orçamento nacional do ano entrante. E que, além disso, recepcionou cerca dos quase US$ 10 bilhões de dólares de ajuda norte-americana do fracassado Plano Colômbia e sua eufemística “guerra ao narcoterrorismo”, ratificando quão falaciosa é a publicitada tese governamental do “pós-conflito”, mas aprofundando as desigualdades que hoje deixa mais de 30 milhões de pobres.

QUEM DIZ QUE A POLÍCIA DA COLÔMBIA É MODELO PARA AS POLÍCIAS BRASILEIRAS?
El narcotráfico se mueve hacia Europa por presión de México, Colombia y EEUUt_rendn_199
A partir da esquerda: O agente do DAS e sociólogo Hugo Acero (enviado ao Brasil por J.J. Rendón na extrema-direita)
é assessor do Gal. Óscar "El Coca" Naranjo, diretor da Polícia da Colômbia e agente especial da DEA,
completando o "serviço" do DAS-CIA na mídia burguesa:
Estratégia: Infiltração nas polícias brasileiras para comprometê-las com o
Terrorismo de Estado sob a fachada de combate ao "Terrorismo e a ao narcotráfico"
Vínculos de Óscar Naranjo com o narcotráfico: http://www.youtube.com/watch?v=scNIEQJDWDk




Neste quase meio século de confrontação armada, colocamos todas as nossa energias pela solução políticanegociada do conflito, mas os setores do poder, que aumentam os privilégios com a guerra, dispararam seusarsenais para que isso não seja possível. Os acordos de La Uribe, assinados há 27 anos (no governo de Belisario Betancourt) e que foram esperança de paz e prosperidade para a nação, foram afogados em sangue com o assassinato de mais de 5 mil integrantes da União Patriótica (frente de partidos legais saídos dos acordos, incluindo as FARC-EP), o maior genocídio contra um partido de oposição esperançado de paz.

Em Caracas e Tlaxcala (México) colocamos todo nosso entusiasmo para retomar os caminhos da solução política negociada, mas o guerreirismo da classe dominante, ostentado na guerra integral do governo neoliberal de Cesar Gaviria, apostou no jogo da derrota militar da guerrilha e, no aspecto econômico, na chamada abertura de mercado, que deixou em quebra centenas de médias e pequenas empresas, elevando os níveis de pobreza.

Chegamos aos diálogos de San Vicente del Caguán (com o governo de Andrés Pastrana, 1998-2002) com os nossos comissários com as esperanças elevadas na reconciliação do povo, mas a estratégia da classe dominante, orientada a partir de Washington, não era de paz, era ganhar tempo para recompor as estruturas de sua força armada atingida duramente pelas ações das FARC-Exército do Povo e desenvolver os planos de guerra contidos no fracassado Plano Colômbia e colocar o território à disposição das forças de ocupação ianques como cabeça de praia para a agressão contra os povos irmãos da América Latina que constroem soberania e democracia.

A violência nunca foi nossa razão de ser, a violência nos foi imposta e é a característica principal de um regime decadente que se mantém com ela. Que assassina os opositores para monopolizar o poder político e encher os bolsos com a corrupção ou conseguir reconhecimento com a morte estratificada estabelecida pelo ministério da defesa para recompensar os crimes de Estado, eludindo sua responsabilidade com os eufemisticamente denominados “falsos positivos” (execuções de civis que aparecem trajados de guerrilheiros mortos). Violência que obrigou ao êxodo interno de mais de 5 milhões de compatriotas e desapareceu com mais de 19 mil colombianos, somente nos 8 anos do governo de Uribe Vélez, para garantir o enriquecimento de industriais, agro-industriais, pecuaristas, narco-latifundiários e militares.


Nossa razão de ser é a paz da moradia digna, a do desenvolvimento humano equilibrado, a da educação gratuita em todos os níveis, a da saúde preventiva para toda a nação, a da reforma agrária integral que beneficie as comunidades camponesas, indígenas e afro-descendentes, a paz do salário justo e do emprego estável, a da proteção integral do meio ambiente, a paz das garantias políticas para o debate e a participação nos órgãos do poder político, a garante do exercício pleno dos direitos humanos integrais, paz do respeito e garantias para as comunidades LGBT, a paz do reconhecimento pleno dos direitos de gênero, a paz do reconhecimento do aborto como parte substancial de uma sociedade que deve crescer em direitos e finalmente a paz do direito ao protesto e à mobilização social.

E é por esta PAZ que arriscamos tudo, inclusive a própria vida, como a ofereceram generosamente e com compromisso indeclinável centenas de combatentes revolucionários marxistas-leninistas, entre os quais destacamos os inesquecíveis comandantes guerrilheiros Manuel Marulanda Vélez (“Tiro Certeiro), Jacobo Arenas, Efrain Guzmán, Raúl Reyes, Iván Rios, Jorge Briceño, Mariana Páez e todos os nossos heróis farianos.




Compatriotas,
Cmte Alfonso Cano e os heróis Jorge Briceño e o inesquecível Cmte Manuel Marulanda

A paz é um direito que temos que tornar realidade nesta pátria inundada de humilhações. A barbárie não pode continuar sendo parte de nosso destino durante outros 47 anos mais, muito menos agora que, com a mobilização, podemos nos impor um futuro verdadeiro e civilizado, agora que o terror e o medo acrescentado pelo modelo de Estado mafioso (implantado por Uribe Vélez é revelado pela corrupção ocultada pela famigerada “segurança democrática”, quando a para-política, a Yidis-política, os “falsos positivos”, as prisões massivas, as fossas comuns com cadáveres em todos o país, o roubo de recursos destinados ao campo através do programa “Agro-receita segura” para enriquecimento dos aliados clientelistas do regime, as zonas francas para benefício dos bolsos familiares do ex-presidente, os seguimentos ilegais do DAS (a narco-polícia política do regime (http://multimedia.telesurtv.net/17/5/2011/35168/dictan-aseguramiento-contra-ex-subdirector-del-das/) a extradição de seus aliados narco-paramilitares para se assegurar da impunidade, as mansões dentro de guarnições militares para albergar oficiais das forças armadas condenados por crimes de guerra e de Estado já não amedronta o nosso povo, como este já expressou em suas reiteradas manifestações.

DAS-CIA na Colômbia: CARTÉIS NARCOTRAFICANTES DAS TRÊS LETRAS
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Aliança com qual Estado, Presidente Chávez?
Razões de Estado ou traição a Bolívar e colaboração com a CIA?
Ou submissão e medo do marqueteiro e agente da CIA J.J. Rendón,
o rei da guerra suja desinformativa?
Mobilizações que vêm crescendo desde o ano passado e continuarão crescendo, como cresce o clamor por justiça social reclamada pela nação, contra o continuísmo do Uribismo representado pela “Unidade Nacional” do atual presidente Juan Manuel Santos, com seu neoliberalismo que propende por um modelo de enclave e garantia para as multinacionais minero-energéticas, que aprofundará a crise humanitária que afeta o país e a crise meio ambiental que castiga de forma inclemente o país em cada mudança de estação, de corte de gastos sociais e repressão das liberdades públicas, de aprofundamento do conflito social e armado, justificado em uma concepção de “segurança nacional” imposto por Washington e que fundamenta todas a modalidades de crimes de Estado aplicados na Colômbia, de impunidade para a corrupção que campeia em todos os escalões do Estado, como os cartéis da saúde estabelecidos pela lei 100. No entanto, será a mobilização e a unidade de todos e de todas as organizações e expressões de luta que tornará possível conseguir a reconciliação e a reconstrução nacionais e nossos esforços e os de todos os combatentes farianos estão à disposição desta patriótica causa.

A estes 47 anos de barbárie oligárquica temos que impor a saída civilizada para o conflito com o incontível poder da mobilização. Convidamos todos os colombianos e suas organizações para que tornemos visíveis todas as esperanças de paz com justiça social que palpitam no coração da pátria, com atividades culturais, expressões de arte, de música, dança e poesia: em encontros esportivos, caminhadas ecológicas, encontros literários, grupos de estudo, fóruns, conversatórios, encontros, oficinas, mobilizações e passeatas, para que a tocha da paz se acenda desde já e ilumine as sonhadas esperanças que nos quiseram cercear.

Saudamos todos os nossos irmãos e irmãs latino-americanos que vêm acompanhando o povo colombiano neste empenho.
Declaração pública pela libertação de todos os presos políticos (deixe sua assinatura)

Convocamos todo o povo à ação e à mobilização para rumar a nação pelo caminho da solução política e dialogada, impondo regras fiscais cujo propósito consista em beneficiar os mais desprotegidos, com impostos mais altos para os que maiores ganhos adquirem.

Convocamos a estabelecer uma política de saúde pública que priorize o colombiano comum e não os bolsos dos polvos financeiros e dos cartéis mafiosos que dela se beneficiam, como se evidencia pelo roubo de Saludcop, resultado de um modelo que beneficia exclusivamente os empresários.

Convocamos por uma política educacional que redima e eleve os níveis de pesquisa científica do país e não as contas bancárias dos monopólios privados do ensino.

Convocamos pelo estabelecimento de uma lei de vítimas que restitua as terras em benefício do sem-terra, dos despojados e das vítimas para que a impunidade e a repetição dos crimes de Estado não continuem sendo a regra e que avance rumo a uma profunda e verdadeira reforma agrária e não a pretensa política do presidente Santos de entregar terras devolutas ao sem-terra e as terras férteis aos empresários agro-industriais e fazendeiros.

Convocamos a que se proteja os recursos naturais da exploração das multinacionais que alija a mineração artesanal e a pequena mineração e deteriora o meio ambiente.

Convocamos a derrotar o continuísmo da chamada “segurança democrática”, agora chamada de “unidade nacional” e que persiste na militarização da nação e na criminalização do protesto social, de suas organizações e dirigentes.

Convocamos, enfim, a uma reforma do infame regime de pensões e das lesivas normas trabalhistas que oprimem o trabalhador e afrouxam para os patrões.

Nestes 47 anos de batalhas pela paz a partir da resistência armada, ratificamos o empenho pela reconstrução e reconciliação da Colômbia bolivariana, da Pátria Grande e do socialismo, iluminados pelo pensamento unitários do libertador Simón Bolívar.

Para lutar pela paz e pelo socialismo as FARC-Exército do Povo criaram o Movimiento Bolivariano pela Nova Colômbia:http://www.youtube.com/user/mbolivariano#g/p

Porque a unidade e a paz são possíveis sim.


ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP
27 de maio de 2011.

TODOS PELA LIBERDADE DE JOAQUÍN PÉREZ E JULIAN CONRADO
[julian_conrado.jpg]
Jornalista Joaquín Pérez, diretor da Agência de Notícias Nova Colômbia
Entregue pelo Presidente Chávez ao Estado terrorista colombiano
Entregará Chávez também o cantor revolucionário Julián Conrado?
Baixe as músicas de Julián:
Eis o que dizia Chávez antes sobre o caráter beligerante e
legítimo das FARC-Exército do Povo:
http://www.youtube.com/watch?v=V64IiB2Kbc4&feature=player_embedded


Texto original recebido por e-mail dia 13/06/2011 de REDE BOLIVARIANA (Rede Solidária)





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