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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Escalada belicista agita Turquia

CMP acusa imperialismo
Escalada belicista agita Turquia
por Jornal Avante

"O ataque ao PKK, acompanhado da prisão de dezenas de activistas curdos por toda a Turquia, ocorre numa altura em que Ancara continua a debater-se com dificuldades para formar um governo de coligação. Nas eleições de 7 de Junho, recorda-se, o Partido Democrático dos Povos (HDP), um partido pró-curdo e de esquerda, obteve 13 por cento de votos e elegeu 80 deputados, um resultado decisivo para retirar a maioria absoluta que o AKP detinha desde 2002."

O massacre de 32 pessoas em Suruç, os bombardeamentos turcos no Iraque e na Síria, e a cedência da base aérea de Incirlik aos EUA fazem temer uma escala da guerra na região.

O massacre de Suruç é uma forma de impor aos povos da Turquia os planos de exploração do imperialismo e até mesmo de os empurrar  para a guerra. Quem o afirma é o Conselho Mundial da Paz (CMP), num documento em que condena o massacre cometido pelo grupo extremista auto-designado Estado Islâmico (EI) na cidade de Suruç, na Turquia, no dia 20 de Julho, que provocou a morte de 32 pessoas e centenas de feridos.

As vítimas, jovens pacifistas e progressistas da Turquia, planeavam participar nas obras de reconstrução da cidade síria de Kobane (Ain Al Arab), seriamente danificada pelos ataques do EI.

No documento, divulgado em Atenas na quinta-feira, 23, o CMP manifesta a sua solidariedade para com o povo turco e condena duramente a «organização reaccionária, fascista e terrorista EI, mas também os países imperialistas, nomeadamente os EUA e a União Europeia, que a criou, juntamente com os regimes reacionários do Médio Oriente que lhe fornecem armas e dinheiro».

Na verdade, sublinha o CMP, o EI ora serve de «instrumento do imperialismo contra os povos da região, como aconteceu na Síria», ora é apresentado pelos mesmos imperialistas como um «pretexto para legitimar a intervenção directa ou bombardeamentos, como sucedeu em regiões curdas do Iraque e da Síria». O mesmo se aplica ao governo turco, na opinião do CMP, que acusa o executivo de Ancara de «anteriormente viver em simbiose com o EI» e considera o massacre de Suruç o «resultado directo da política belicista» turca. O EI tornou-se também um factor de desestabilização da Turquia, afirma-se no documento.

Manifestando a sua «profunda preocupação com o futuro próximo da região», o Conselho Mundial da Paz faz notar que os «ataques assassinos intensificam as tensões existentes na Turquia» e empurram este país para os conflitos na Síria.

Ofensiva turca

A Turquia lançou entretanto duas «ofensivas antiterroristas» contra posições do EI na vizinha Síria e do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Norte do Iraque, a pretexto do massacre de Suruçe e de posteriores ataques separados na fronteira comum que provocaram baixas entre os militares turcos, atribuídos às duas organizações. Em declarações à imprensa, citadas pela Lusa, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu afirmou que os bombardeamentos aéreos em curso podem «mudar o equilíbrio» da região.

O ataque ao PKK, acompanhado da prisão de dezenas de activistas curdos por toda a Turquia, ocorre numa altura em que Ancara continua a debater-se com dificuldades para formar um governo de coligação. Nas eleições de 7 de Junho, recorda-se, o Partido Democrático dos Povos (HDP), um partido pró-curdo e de esquerda, obteve 13 por cento de votos e elegeu 80 deputados, um resultado decisivo para retirar a maioria absoluta que o AKP detinha desde 2002.

Ao colocar no mesmo plano os ataques ao EI e ao PKK, as autoridades de Ancara dão sinal, como afirmou no início da semana o chefe da diplomacia turca, Mevlüt Çavusoglu, em entrevista à Lusa, da sua intenção de participar «de forma activa» no conflito regional. Em aparente contradição com as declarações do primeiro-ministro, Çavusoglu diz que os «ataques aéreos não são suficientes» para travar o EI e «muito menos erradicá-lo», pelo que a Turquia estará disponível para participar numa coligação internacional «caso exista uma estratégia global».

Para já, a Turquia deu luz verde aos Estados Unidos para usarem a base aérea de Incirlik, próxima da Síria para, alegadamente, bombardearem o Estado Islâmico. O acordo para o uso da base surge após meses de difíceis negociações entre representantes turcos e norte-americanos. Na entrevista à Lusa, para além de garantir que a Turquia vai juntar-se de forma activa aos ataques aéreos e no combate ao EI, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco justifica a cedência da base como forma de abrir caminho à «estratégia global». «Se alguns países da região e da coligação [internacional] se juntarem decidiremos em conjunto, e no futuro haverá uma muito melhor estratégia para combater o EI».


Fonte: Avante


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