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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Democratizar os meios de comunicação e combater os atos reacionários da mídia burguesa

Democratizar os meios de comunicação e combater os atos reacionários da mídia burguesa
por Diário Liberdade - [Eduardo Vasco]

"A grande mídia mente quando fala que transmite a pluralidade. Na verdade, transmite somente um tipo de pensamento: o pensamento dos patrões. 
Isso é muito fácil de se perceber. É só vermos quem são os donos dos meios de comunicação. Uma meia dúzia de famílias burguesas controla quase toda a mídia no Brasil. Todas essas famílias já eram ricas quando conseguiram a concessão pública dos meios, e multiplicaram os seus lucros com esse grande negócio sujo que é a mídia brasileira. 
Esses grandes corruptos que compõem a máfia da comunicação no Brasil ganham milhões a cada ano apenas com verba federal. São parasitas que usam dinheiro dos cofres públicos para manipular as massas para seus próprios interesses."

Está mais do que na hora de se democratizar os meios de comunicação, para tirar o monopólio de uma meia dúzia de burgueses que manipulam a opinião pública.
"[O operário] deveria recordar-se sempre [...] que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por ideias e interesses que estão em contraste com os seus. Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma ideia: servir a classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora."
Antonio Gramsci
Para o grande filósofo marxista italiano Antonio Gramsci (1891-1937), o Estado burguês controla a classe trabalhadora por meio de dois processos paralelos: a sociedade política, que pode ser entendida como o conjunto dos aparelhos burocráticos do Estado para legitimar o uso da força contra o povo, e a sociedade civil, o conjunto dos aparelhos ideológicos para manipular por meio das ideias a classe trabalhadora. Neste último, se enquadram, dentre outros, a Igreja, a Escola e a Mídia.

A imprensa, e a mídia em geral, difunde ideias, transmitindo o pensamento burguês para alienar as massas, cujos interesses são antagônicos aos da elite burguesa, dona dos meios de produção e dos meios de comunicação.

A grande mídia mente quando fala que transmite a pluralidade. Na verdade, transmite somente um tipo de pensamento: o pensamento dos patrões.

Isso é muito fácil de se perceber. É só vermos quem são os donos dos meios de comunicação. Uma meia dúzia de famílias burguesas controla quase toda a mídia no Brasil. Todas essas famílias já eram ricas quando conseguiram a concessão pública dos meios, e multiplicaram os seus lucros com esse grande negócio sujo que é a mídia brasileira.

Esses grandes corruptos que compõem a máfia da comunicação no Brasil ganham milhões a cada ano apenas com verba federal. São parasitas que usam dinheiro dos cofres públicos para manipular as massas para seus próprios interesses.

Oito grupos concentram 70% dos R$ 161 milhões da verba de publicidade federal – sem contar publicidade da Petrobras e da Caixa Econômica Federal – destinados aos 3 mil meios de comunicação que recebem esse dinheiro, segundo dados equivalentes ao período 2011-2012, compilados pela Folha de S. Paulo.

Além de sonegarem impostos, como o caso das Organizações Globo, que sonegaram R$ 1 bilhão para comprar os direitos de transmissão da Copa do Mundo de Futebol de 2002, e até agora ficou por isso mesmo.

Os grandes capitalistas burgueses que controlam a mídia sempre estiveram alinhados ao poder e exercem uma função muito importante para a exploração do povo.

Roberto Marinho, então dono do jornal O Globo, foi um dos principais propagadores do Golpe Militar de 1964 e ganhou de presente, um ano depois, a Rede Globo de Televisão, o principal porta-voz das mentiras do regime, cuja criação se deu de maneira ilegal.

Sempre andando de mãos dadas com os mais importantes políticos da direita brasileira, Marinho mantinha estreita amizade até mesmo com os presidentes da época ditatorial, como recorda o próprio site de acervos sobre o maior barão da mídia nacional: "O empresário e jornalista também manteve estreita amizade com o general João Batista Figueiredo (...) Figueiredo e a esposa, Dulce, frequentavam a casa do Cosme Velho, participando de jantares com o empresário (...)".

Durante esse período, Marinho foi o civil brasileiro que mais enriqueceu. Por que será? Desde 1987, quando foi divulgado o primeiro ranking da revista Forbes, os Marinho aparecem como uns dos mais ricos do Brasil.

Atualmente a família de Roberto Marinho é a mais rica do país e os três irmãos que herdaram a fortuna do pai estão entre os dez maiores bilionários do Brasil.

Após a queda do Regime Militar, a Globo continuou servindo como o principal meio de alienação cultural dos burgueses contra o povo. Basta lembrar do debate entre Lula e Collor em 1989, o qual a emissora interferiu diretamente para favorecer o candidato da direita, pois Lula tinha boas chances de vencer as eleições.

A Globo é o maior, mas não é o único império da comunicação no Brasil. Seis conglomerados privados controlam mais de mil veículos de comunicação no país, de acordo com dados do projeto Donos da Mídia.

Isso revela novamente o monopólio, ou, eufemisticamente falando, o oligopólio da mídia burguesa, o que viola claramente a Constituição Federal, que diz em seu artigo 220: "Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio", e vai contra as recomendações até mesmo de organismos internacionais, como a própria Organização das Nações Unidas.

Edir Macedo (dono da Record) e Silvio Santos (dono do SBT) também aparecem no ranking dos maiores bilionários brasileiros e se beneficiam da manipulação dos meios de comunicação.

A maior parte da fortuna de Edir Macedo vem da Record, comprada em 1990 do próprio Silvio Santos. Macedo, que é bispo fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, inaugurou há pouco tempo, em São Paulo, o Templo de Salomão, uma réplica do original, gigantesco. No dia da inauguração, estiveram presentes diversos politicos, desde a presidente da República até o prefeito da cidade, mostrando a influência do bilionário no mundo político, o que pode explicar a possível fraude e sonegação milionária de impostos na construção do Templo, sem alvará.

Já a empresa de comunicação de Silvio Santos, o SBT, emprega uma das mais reacionárias jornalistas que mostram a cara na televisão brasileira, a ultradireitista Rachel Sheherazade, que já apresentou diversas vezes seu desprezo pelos direitos humanos e contra as classes exploradas.

Tal qual Sheherazade, outro famoso apresentador dos telejornais brasileiros é Boris Casoy, que durante a Ditadura Militar foi membro do Comando de Caça aos Comunistas, um grupo terrorista de extrema-direita e famoso por suas posturas reacionárias contra a classe operária.

Boris trabalha na TV Bandeirantes, outro meio de comunicação burguês que busca de todos os modos criminalizar as classes subalternas da sociedade. Neste ano, a emissora fez uma série de reportagens condenando os índios em prol dos interesses dos latifundiários.

Outra família da máfia dos meios de comunicação que aparece no ranking da Forbes das mais ricas do Brasil é a família Civita, dona do grupo Abril, que controla a revista Veja, famosa por suas matérias totalmente parciais, que não respeitam a ética jornalística e que é talvez a principal difusora das ideias burguesas contra os movimentos da classe trabalhadora, e que tentou interferir nas eleições presidenciais recentemente.

Na grande mídia impressa também podemos citar O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo, os dois maiores jornais do País, junto com O Globo, já citado veículo das Organizações Globo.

O Estadão pertence à família Mesquita, cujo dono nos anos 60 era o empresário e jornalista Júlio de Mesquita Filho, outro magnata da mídia que conspirou contra o povo e apoiou o Golpe Militar. O próprio jornal, cinquenta anos depois, reconheceu isso, em matéria escrita com a clara intenção de se fazer de vítima mas que descreve claramente, juntamente com as declarações de Ruy Mesquita, ex-diretor do periódico e filho do então conspirador, o caráter golpista e terrorista da imprensa brasileira.

"O jornalista participava de encontros secretos, muitas vezes em sua residência, quando as Forças Armadas não pareciam dispostas a intervir no quadro político", relata um trecho da matéria. "Houve até contribuições para compra de armas no Paraguai", declarou Ruy Mesquita.

A matéria também descreve que "armamento era clandestinamente transportado para os companheiros de conspiração no Rio de Janeiro", revelando o apoio contrabandista de Mesquita aos militares.

Octavio Frias de Oliveira, dono da Folha de S. Paulo, também apoiou a Ditadura Militar. A Folha emprestou viaturas de distribuição de jornal para a Operação Bandeirante perseguir e torturar os opositores do regime.

Mais recentemente, há poucas semanas, a Folha censurou um artigo do renomado jornalista Xico Sá, por declarar apoio à presidente Dilma Rousseff em sua coluna, pouco antes do segundo turno das eleições. O jornalista não aceitou os desmandos do patrão e pediu demissão dessa "imprensa burguesa", termo que ele mesmo usou, desabafando nas redes sociais.

Como vimos, a burguesia nem sempre precisa da coerção, da violência legal do Estado. Ela usa armas mais sutis, nos manipulando todos os dias ao falar que seus valores são absolutos, e isso chega a todos os lares, por meio da imprensa monopolizada.

Esses são apenas alguns dos muitos exemplos que temos, da história e do dia a dia, para revelar a verdadeira face da grande mídia brasileira, que sufoca os diversos grupos sociais das classes dominadas, geralmente desinformando sobre temas de interesse público, ou até mesmo não noticiando.

Por isso é urgente a regulação dos meios de comunicação, a democratização da mídia, para que exista uma verdadeira pluralidade, para que os assuntos relevantes para a sociedade sejam discutidos, para que as velhas mentiras sejam desmascaradas e para que o povo tenha voz nesse sistema cada vez mais midiatizado, em que os meios de informação tem um papel preponderante na construção das ideias e da cultura.


Fonte: diário Liberdade


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