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sábado, 6 de julho de 2013

Reforma Agrária é um alvo a abater

Reforma Agrária é um alvo a abater
por Jorge Messias
 


"Todos os novos factos que vão sendo revelados passam por entre as malhas de uma escabrosa rede mundial de corrupção. Por hoje, fiquemos por aqui, escutando o que nos diz a investigadora brasileira Ana Rajado: «Enquanto milhões de pessoas morrem à fome devido à escassez de alimentos básicos como o trigo, o arroz e o milho, os grandes grupos agro-alimentares têm lucros escandalosos. Por exemplo, os lucros da Monsanto, em 2008, duplicaram em relação ao ano anterior. Outro tanto aconteceu com a Cargil, a Archer Daniels ou a Mosaic, um dos maiores produtores de fertilizantes cujos lucros aumentaram doze vezes num só exercício"


«A reforma agrária tem como objectivo proporcionar a redistribuição das propriedades rurais, ou seja, efectuar a distribuição da terra para a realização da sua função social. Este processo é realizado pelo Estado que compra ou nacionaliza terras de grandes latifúndiários com terrenos não utilizados e distribui lotes de terras a famílias de camponeses» (Wagner Cerqueira, "Brasil Escola", Reforma Agrária).

«Em oito anos, o governo Lula foi capaz de repor e consolidar o neoliberalismo como programa político do bloco no poder... No caso do governo Dilma Roussef isto tornou-se ainda mais evidente: a actual crise mundial mudou o quadro político e económico, fazendo o governo retroceder e aplicar, de forma nua e crua, o receituário neoliberal» (David Maciel, "De Lula a Dilma Roussef: crise económica, hegemonia neoliberal e regressão política" ).

«A imagem do agronegócio foi construída para renovar a face da agricultura capitalista, para modernizá-la. É uma tentativa para ocultar o seu carácter monopolista, predador, anexador e exclusivista e dar apenas relevo aos conceitos tecnicistas que destacam o aumento da produtividade, da riqueza e do lucro e a aplicação de novas tecnologias. Mas sempre, desde a escravatura à colheita controlada por satélite, no capitalismo está presente o processo de exploração e posse, de concentração da propriedade da terra e do aumento da destruição do campesinato...» (Bernardo Mançano Fernandes, "Agronegócio e Reforma Agrária").

É notável o corrupio que se nota entre os políticos portugueses que saltam dos protestos de fidelidade à Constituição «de esquerda»(?) para as visitas-relâmpago ao Rio, ao G8, ao Banco Mundial, ao «Clube de Bildelberg» ou às altas esferas das finanças, laicas ou do Vaticano. No entanto, em Portugal pouco se fala em agronegócio e quase nada se aprofunda acerca das verdadeiras razões da revolta do povo brasileiro. Como se o latifúndio e a distribuição da riqueza fossem detalhes irrelevantes.

No entanto, o agronegócio gera torrentes de dinheiro e é uma poderosa arma do fascismo neoliberal. E o Vaticano bem pode congratular-se com essa gigantesca operação. Tempos houve, há já uns 40 anos, que a Igreja viveu à beira de uma cisão profunda, dividida entre uma «doutrina social» ultraconservadora e uma perigosa Teologia da Libertação que tresandava a marxismo. Por isso, em certo sentido, as coisas correm agora bem para os dogmas católicos encalhados no tempo. Acresce que, neste processo da nova recuperação do latifúndio, está ao alcance da hierarquia colher os lucros do crime e salvar a face, angélica e pura. Os cardeais rejubilam. Tal como escreveu o catolicíssimo George Weigel, teólogo acima de qualquer suspeita: «A Hierarquia Eclesiástica não está no negócio de formar governos nem de escolher regimes políticos... Ela está apenas no negócio de formar o tipo de pessoa capaz de dirigir governos nos quais a liberdade leva à genuína realização humana».

Mas fica por explicar o que entende a Igreja por liberdade e por realização humana.

É certo que «mudam-se os tempos mudam-se as palavras». A Teologia da Libertação passou a dar lugar à Teologia da Prosperidade neoliberal. A gramática é outra e os políticos especializaram-se nas técnicas da mentira. Os ricos desprezam os pobres mas as revoltas populares provam que a Nova Ordem de modo algum promove a «realização humana». Os êxitos parciais do neocapitalismo (incluindo o Vaticano) dificilmente se vão equilibrando no fio da navalha. Todos os novos factos que vão sendo revelados passam por entre as malhas de uma escabrosa rede mundial de corrupção. Por hoje, fiquemos por aqui, escutando o que nos diz a investigadora brasileira Ana Rajado: «Enquanto milhões de pessoas morrem à fome devido à escassez de alimentos básicos como o trigo, o arroz e o milho, os grandes grupos agro-alimentares têm lucros escandalosos. Por exemplo, os lucros da Monsanto, em 2008, duplicaram em relação ao ano anterior. Outro tanto aconteceu com a Cargil, a Archer Daniels ou a Mosaic, um dos maiores produtores de fertilizantes cujos lucros aumentaram doze vezes num só exercício...».

Na base destas realidades está a corrupção institucionalizada pelo poder. Os mandantes parecem insensíveis. Mas os trabalhadores acabarão por fazer com que eles entendam que se não saírem por força da razão, acabarão por ser expulsos pela razão da força popular!

 
 
 
Fonte: Avante
 
 
 
 
 

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