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domingo, 7 de julho de 2013

A divisão entre "Sul pobre" e "Norte rico" é um velho truque da classe burguesa e dos oportunistas

A divisão entre "Sul pobre" e "Norte rico"
Os velhos truques da classe burguesa
Por KKE

"Esta é a razão pela qual o nível de desenvolvimento dos países é posto como linha divisória básica no nosso tempo, visto que, caso sigam esta lógica, leva os trabalhadores a alinharem a todo o momento com a "linha política nacional", que é criada pelo pessoal da classe burguesa, isto é, os objectivos estabelecidos pela classe burguesa dos seus países. Um objectivo dos capitalistas de qualquer país é melhorar a sua posição na "pirâmide" imperialista global, de modo ao seu negócio poder ganhar maior fatia do mercado através da exploração de recursos naturais e da força de trabalho. O seu objectivo não tem nada a oferecer aos trabalhadores, excepto a uma muito pequena parte deles, a "aristocracia operária" que, como uma hiena espera comer os restos deixados pelos leões do capitalismo, os fortes negócios monopolistas."


A divisão entre "Sul pobre" e "Norte rico" é um velho truque da classe burguesa e dos oportunistas. Para começar, nem sempre se referiu à própria UE, mas ao mundo em geral, através da comparação entre os países do norte (ou também os países dos "mil milhões de ouro", que incluem toda a população grega) com os países mais pobres do mundo. Esta divisão entre países "ricos" e "pobres" apoia-se nos números do PIB e nos dados de consumo da população, mas não pode ser desligada dos seguintes factos:
  • Que, mesmo nos países mais pobres do mundo, existe riqueza acumulada nas mãos dos poucos que de facto vivem de modo particularmente provocante em comparação com o resto da população.
  • Que, mesmo nos países mais ricos do mundo, existe enorme pobreza.
  • Que os ricos nos "países pobres" e os ricos nos "países ricos" têm uma frente comum contra os trabalhadores. Criam as suas próprias organizações e mecanismos para manterem e reforçarem o seu poder. A NATO e a UE são organizações dessas.
  • Que os trabalhadores, independentemente de viverem em "países pobres" (onde a água pode ser escassa) ou em "países ricos" (onde se podem lavar duas ou três vezes por dia), têm interesse comum em derrubarem o poder do capital.

Os partidos burgueses e oportunistas, em nome dos interesses da "nação" e da "economia nacional", apelam à classe operária dos países desenvolvidos para "consensos" e sacrifícios para manterem uma posição dominante na competitividade, enquanto nos países menos desenvolvidos apelam a "consensos" e sacrifícios para desenvolver e promover o país, de modo à economia ser mais "competitiva", etc. Em ambos os casos, o capital fica com o bolo todo para ele. 

Esta é a razão pela qual o nível de desenvolvimento dos países é posto como linha divisória básica no nosso tempo, visto que, caso sigam esta lógica, leva os trabalhadores a alinharem a todo o momento com a "linha política nacional", que é criada pelo pessoal da classe burguesa, isto é, os objectivos estabelecidos pela classe burguesa dos seus países. Um objectivo dos capitalistas de qualquer país é melhorar a sua posição na "pirâmide" imperialista global, de modo ao seu negócio poder ganhar maior fatia do mercado através da exploração de recursos naturais e da força de trabalho. O seu objectivo não tem nada a oferecer aos trabalhadores, excepto a uma muito pequena parte deles, a "aristocracia operária" que, como uma hiena espera comer os restos deixados pelos leões do capitalismo, os fortes negócios monopolistas. 

Os que falam de "frente do Sul", de "ocupação do país pela Alemanha", de saída do euro ou da UE, mas mantendo-se em capitalismo, estão a pedir aos trabalhadores essencialmente para continuarem a trabalhar para a classe burguesa ou para uma parte dela que quer outra "fórmula" de governo e outras alianças internacionais. De facto, estão a facilitar essas secções da classe burguesa dos outros países que pretendem uma eurozona mais pequena pelo seu próprio interesse, com retirada de alguns países.

 
Bombardearam-nos com a infantil análise de que "Merkel é a culpada de tudo", tal como o "Norte do mal", porque é uma excelente e conveniente solução para eles a fim de esconderem a barbaridade capitalista, as responsabilidades do capitalismo e a necessidade do seu derrube. Confundem as pessoas sobre que alianças precisamos hoje. 

Kavafis, no poema citado e quando se mostrava que os bárbaros afinal não vinham, ponderava: 

"E agora, o que vai acontecer-nos sem os bárbaros? Eles, os bárbaros, eram uma espécie de solução." 

Assim, aqueles que agora apontam para a Merkel irão ponderar se as pessoas percebem quem é realmente de culpar pelo sofrimento que experimentam e que espécie de aliança é necessária para ultrapassar a actual situação insuportável.


"Aliança do Sul" ou Aliança dos Povos


Os que propõem aos trabalhadores a formação de uma "Aliança do Sul" como alegada "solução" para os impasses de hoje enlameiam as águas por uma outra razão, porque em essência estão a levar-nos a acreditar que os governos burgueses dos países Sul se podem aliar e defender os interesses das pessoas da classe operária. Seria um terrível erro para os trabalhadores dos países do Sul esperarem qualquer coisa daqui. Esperariam em vão! A barbaridade capitalista não pode ser derrubada pelos governos que emergem dos mecanismos burgueses e que representam os interesses do capital, quer sejam de direita ou se chamem de "esquerda" ou de "centro esquerda". É o que a vida nos tem mostrado! 

A aliança de que precisamos hoje é a Aliança Popular da classe operária, dos outros estratos populares urbanos e rurais. Esta aliança estará em ruptura e derrubará o capitalismo e os monopólios. Socializará os meios de produção, organizará o planeamento central da economia, formará as instituições do poder e controle da classe operária, tirará o país de todas as uniões imperialistas e rejeitará as relações de interdependência desigual que existem no quadro do sistema imperialista, organizará a solidariedade e coordenação da luta contra o capitalismo e os monopólios não apenas do Sul, mas da Europa como um todo, por todo o mundo, com os outros movimentos e povos que se erguem! 
 
 
 

*Membro do CC do PCC (KKE); responsável pela Secção de Relações Internacionais Publicação inicial em "Rizospastis" 4/5/2013
 

Tradução: Jorge Vasconcelos



 Fonte: texto publicado parcialmente, retirado do O "Sul pobre" contra o "Norte rico"?



 Mafarrico Vermelho


 

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