O covil dos ladrões

O covil dos ladrões
por Jorge Messias
 
"Nesta linha de leitura, será útil lembrar o que foi declarado pela OIT – Organização Internacional do Trabalho, em Maio de 2011 e no Brasil, uma nação que podemos olhar como num espelho e na qual incubam os projectos assassinos do agronegócio. Tratava-se, a dada altura, de caracterizar o que era o trabalhador escravo, nos tempos antigos e nos tempos modernos. «No século XIX» – refere-se no trabalho "Nova Escravidão na Economia Global" – «falava-se na abolição do escravo como uma libertação da terra, do capital, de formas de trabalho que já não serviam os interesses da acumulação do capital. Hoje, a economia não revela dificuldades em conviver com a escravidão. No século XXI, a ideia de expansão do trabalho é análoga à do tempo da escravidão e volta a exprimir-se através da precarização absoluta do trabalho e como fruto do neoliberalismo. E o novo escravo, tal como o antigo, é descartável». "


«As Fundações e os governos podem tomar a iniciativa de criar fundos para o negócio social (social business), como forma de lutar contra a pobreza... A banca portuguesa apostou neste produto... Fazer bem às pessoas, sem esperar obter lucros. Aquilo que actualmente fica na área da Caridade pode passar a constituir um negócio social que não custa dinheiro a ninguém» (DN, Economia, 23.7.2007, Muhanimad Yunus, Nobel da Paz).

«A Nova Ordem Mundial é sustentada pela pobreza humana e pela destruição do ambiente. Desde os anos 90, tem vindo a estender o seu domínio a todas as principais regiões do mundo. O objectivo principal é o aumento da oferta, a minimização do custo da mão-de-obra, a diminuição da procura e o crescimento do lucro. Os salários reais no Terceiro Mundo e na Europa de Leste chegam a ser setenta vezes inferiores aos dos EUA, da Europa Ocidental ou do Japão» (Michael Chossudovsky, Novembro de 2003).

«A inflação no sector alimentar aumentou 83% nos últimos três anos... O preço do arroz, milho e trigo, base da alimentação da maioria da população, subiu mais de 180% no mesmo período... De acordo com a ONU (FAO) 37 países encontram-se ameaçados pela instabilidade social devido à escassez de alimentos. O Banco Mundial afirma que a crise dos alimentos afecta já 100 milhões de seres humanos...

Assim, enquanto milhares de pessoas morrem à fome, devido à falta de alimentos básicos, os grandes grupos agro-alimentares têm lucros escandalosos...» («Fome mundial, fartura de capital», Revista Rubra, No. 2).

Quase tudo o que se vai conhecendo da «conversa de vestiário» dos políticos portugueses faz recear o pior para os próximos tempos de vida do nosso povo. Os ricos vão procurar acrescentar o montante das suas fortunas e absorver aquilo que ainda sobra para as classes socialmente inferiores.

À custa, como sempre, das liberdades e direitos dos mais pobres e usando, como método sistemático, o saque. O que determinará, no plano social, mais desemprego, e o acesso cada vez mais difícil ao dinheiro, quer para os trabalhadores e suas famílias, quer para os pequenos e médios empresários.
 
Os monopólios que surgem nos mercados aspiram, logicamente, a uma nova ordem mundial talhada à medida dos seus interesses: minimização quantitativa dos principais mercados e dos salários, bem como redução do número e concentração das grandes fortunas; finalmente, maximização dos lucros, com a concentração dos capitais em poucos mas gigantescos monopólios. Nesta linha de leitura, será útil lembrar o que foi declarado pela OIT – Organização Internacional do Trabalho, em Maio de 2011 e no Brasil, uma nação que podemos olhar como num espelho e na qual incubam os projectos assassinos do agronegócio. Tratava-se, a dada altura, de caracterizar o que era o trabalhador escravo, nos tempos antigos e nos tempos modernos. «No século XIX» – refere-se no trabalho "Nova Escravidão na Economia Global" – «falava-se na abolição do escravo como uma libertação da terra, do capital, de formas de trabalho que já não serviam os interesses da acumulação do capital. Hoje, a economia não revela dificuldades em conviver com a escravidão. No século XXI, a ideia de expansão do trabalho é análoga à do tempo da escravidão e volta a exprimir-se através da precarização absoluta do trabalho e como fruto do neoliberalismo. E o novo escravo, tal como o antigo, é descartável».

Ou seja: a propriedade de um homem por outro homem (do trabalhador pelo amo) continuará a ser ilegal no século XXI. Mas os custos da contratação de alguém tornar-se-ão cada vez mais baixos e os lucros obtidos com a mão-de-obra cada vez mais altos. O desemprego maciço e a extinção das despesas com a Segurança Social representarão formas de «libertação» de massas financeiras esmagadoras. A sombra da ameaça de retorno aos tempos do fascismo e a imagem apocalíptica de uma eventual Guerra Mundial, serão suficientemente fortes para desmobilizar resistências.

Os banqueiros traduzem, depois, estes princípios na linguagem cifrada que anteriormente referimos. São eles que, no mundo das finanças, fixam os lucros que pretendem alcançar como se tratasse da evolução natural dos mercados, os mercados do futuro. Os cálculos saem sistematicamente errados, mas não faz mal...

Se os explorados não souberem reagir a tempo, a exploração continua!

Continua e continuará até à última gota de sangue do derradeiro trabalhador.
 
 
 
Fonte: Avante
 
 
 

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