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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Se passássemos por uma peneira os nomes dos que dominam os centros de decisão da actual pseudodemocracia portuguesa, veríamos como grande parte deles se encontram associados ao Opus Dei, à Maçonaria, aos grupos financeiros, aos off-shores ou mesmo aos tráficos mais mafiosos

Da missa cantada à paz das catacumbas

Por Jorge Messias



O povo a que pertencemos habita actualmente uma casa europeia em ruínas. Os construtores foram emudecendo desde que as primeiras telhas começaram a cair. Já quase não se ouvem as suas «lengas-lengas»: as graças pelos milagres da economia; os louvores à globalização do capital; o progresso e a retoma como factores da diminuição do fosso entre pobres e ricos, alcançados por magia pelos tecnocratas. Agora podemos compreender que a História evolui nos seus tempos próprios e não naqueles que nós próprios desejamos. Vivemos o fascismo, suspirámos por um «25 de Abril» democrático, pelo fim das guerras coloniais. Pareceu-nos então ter alcançado essas metas libertadoras.

Hoje, vê-se como nos precipitámos. A guerra continua a ser o único caminho aberto ao capitalismo para resolver os problemas das suas crises económicas. Nos países dominantes, é ela que destrói os concorrentes, aumenta o crescimento do produto e dilata as margens do lucro, embora à custa do sacrifício alheio. Veja-se o exemplo das presentes «guerras do petróleo», planeadas há muito pelos agressores ocidentais como alternativas a eventuais crises e atingindo o universo dos países socialmente pobres mas com subsolos ricos, desde o Médio Oriente à Líbia.

Nos países dominados nestas regiões, o capitalismo apenas precisa de manter as aparências da democracia: actos eleitorais e partidos legais. Quanto ao resto, na sombra, tudo fica na mesma. Tal como aconteceu entre nós nos tempos da ditadura maquilhada de Marcelo Caetano: propaganda do Estado, censura, polícia e cassetete. Tudo dirigido por três forças tutelares ocultas no anonimato: o grande capital, as sociedades secretas e a Igreja Católica.

A batalha está longe de ser vencida, por um lado ou pelo outro. O combate que se trava e «continua» faz parte de uma complexa luta de classes.


A luta de classes e o papel da Igreja


Quase logo a seguir ao 25 de Abril, os banqueiros e a direita directamente herdada de Salazar sentaram-se fraternalmente à mesa do banquete. Suspenderam ou envenenaram as nacionalizações. Reforçaram os laços de sujeição aos interesses estrangeiros. Passaram a praticar actos políticos de gestão baseados no crédito bancário e nas reprivatizações. Abriram as portas aos capitais estrangeiros, aos monopólios e às novas formas de penetração do liberalismo económico. Aderiram à moeda única. Assim, conduziram o País à ruína, de forma consciente.

As sociedades secretas conquistaram um «lugar ao Sol». Nunca se pode saber quem, na verdade, toma decisões. E se agora passássemos por uma peneira os nomes dos que dominam os centros de decisão da actual pseudodemocracia portuguesa, veríamos como grande parte deles se encontram associados ao Opus Dei, à Maçonaria, aos grupos financeiros, aos off-shores ou mesmo aos tráficos mais mafiosos. De resto, este facto não é segredo para ninguém. Vem à tona de água nos escândalos públicos que por aí brotam como cogumelos. Sobretudo quando os montantes envolvidos são gigantescos, como no caso dos off-shores, das fraudes bancárias, das armas, das drogas ou da prostituição.

Não tentem afirmar as forças calejadas no poder (tal como a Igreja) que nada sabem de tudo isto. De futuro, poucos cidadãos lhe darão crédito. Quando a opinião pública muda é sem controlo e repentinamente. Ao Vaticano já não basta trocar a voz de acordo com a direcção dos ventos: «missa cantada» quando o capitalismo prospera; e «silêncio das catacumbas» logo que se trata de confessar o descalabro e a desonestidade dos seus métodos.

Por enquanto, em Portugal, a ficção ainda comanda. Ora, isto só é possível porque, de momento, muitos portugueses apenas assistem ao «anúncio da crise» sem que esta ainda os tenha tocado directamente. Mas dentro de muito pouco tempo isso acontecerá. Então, o cinismo do provérbio «quem não sabe é como quem não vê», trave-mestra do jesuítismo, desfazer-se-á em estilhas e a realidade, pura e dura, impor-se-á brutalmente. A fome é a fome. Miséria é pobreza e desemprego. Inactividade forçada significa ser-se expulso do mundo que tivemos e a que continuamos a ter direito natural. Quanto é que isto, em sofrimento, não irá custar ao nosso povo?

Evitar dores maiores implica reagir… já! Esclarecer, denunciar, organizar os outros e organizarmo-nos a nós próprios. Assim conseguiremos alcançar os nossos objectivos principais: encontrar uma saída digna para as crises da traição e modelar um Portugal novo, patriótico e de esquerda!

Fonte: Avante!
 
O mafarrico Vermelho

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