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terça-feira, 26 de abril de 2011

Nas FARC não temos alma de traidores, mas de patriotas e revolucionários. Temos lutado e continuaremos nisso com valor, entrega e sacrifício até derrotar esse regime podre das oligarquias e construir outra ordem social

MARINELLY HERNÁNDEZ OROZCO, PRISIONEIRA DE GUERRA, SE DECLARA EM RUPTURA ANTE O JUIZ PENAL DO CIRCUITO ESPECIALIZADO DE QUIBDÓ.

MARINELLY denuncia que como represália por ter ingressado nas FARC, ... o exército, em conturbemo com os paramilitares, assassinou seu pai.

Por Traspasa los Muros.

O passado 6 de abril de 2011, MARINELLY HERNÁNDEZ OROZCO, insurgente das FARC -EP e Prisioneira de Guerra do Estado Colombiano, foi conduzida pelo INPEC à audiência pública citada pelo Juiz Penal do Circuito Especializado de Quibdó, dentro do processo No. 2010002000.

MARINELLY, de 33 anos de idade, membro de uma família campesina humilde, da vereda Água Bonita do Município de São Rafael do Departamento (estado) de Antioquía, logo de ser apresentada em audiência manifestou ao juiz que se “declarava em ruptura”, por considerar a inexistência de garantias ao devido processo e, por desconhecer como autoridade o Estado colombiano, procedendo a entregar uma escrita, na qual sustentava sua declaração e, renunciou a qualquer tipo de defesa, manifestando textualmente “NÃO NECESSITO NENHUMA DEFESA, POIS NÃO COMETI DELITO ALGUM, ME DECLARO EM RUPTURA COM O ESTADO COLOMBIANO E SUAS LEIS ANTI-POPULARES E INJUSTAS, TENHO SIDO UMA LUTADORA DO POVO”.

Em sua narração escrita MARINELLY declarou que quando criança viveu em carne própria as continuas agressões e perseguições que o exército colombiano desatou contra seus pais e todos os camponeses de sua região pelo fato de serem militantes do Movimento Político União Patriótica e, na sua adolescência foi testemunha de muitos assassinatos de camponeses amigos, vizinhos e familiares, cujos corpos eram abandonados com sinais de tortura ou eram esquartejados.

“Todo isso foi parte da guerra suja e psicológica feita para atemorizar e assustar os lutadores populares. Por acaso com todas essas coisas que aconteciam no meu dia após dia, pode uma criança ou um jovem acreditar num Estado ou em algum tipo de justiça?”

Ela atribuiu esses crimes à Polícia, o Exército e aos paramilitares e, como exemplo mencionou o massacre no Rio Nare onde “o capitão Martínez com suas tropas assaltaram umas mineradoras nas que trabalhavam camponeses e, um dia antes, lançaram desde o ar boletins solicitando que fossem embora de seus lugares de trabalho. Mas, o dia seguinte chegaram com moto-serras e machados, amarraram os camponeses colocando-os em fileira e a cada um lhe deceparam os braços, as pernas e, de cada um deles recolhiam um só braço, uma só perna para jogar no rio ou nos buracos das mineradoras e, os outros eram deixados ai para os urubus."

A guerrilheira revelou que as ações e violações do Estado colombiano contra o Povo indicaram-lhe o caminho que devia seguir, pois caso contrário corria o risco de "terminar massacrada, torturada e por causa dessas torturas ficar reduzida a uma cadeira de rodas, que é a sorte corrida por muitos camponeses, sem ter nada relacionado com o conflito, ou ter que fugir para a cidade deixando para atrás a roça" Para evitar isso, à idade de 14 anos e com todo o visto e ouvido e entendendo que "a vida não é respeitada e que só existe o símbolo da vida" ingressou nas FARC, considerando que era a única alternativa para preservar a vida, lutar por ela e reclamar nossos direitos"

Em seu relato MARINELLY denuncia que como represália por ter ingressado nas FARC, o exército em conturbemo com os paramilitares assassinaram seu pai no ano 2.000..."o meu único irmão, também adolescente, teve que fugir, sem poder sequer sepultar o nosso querido pai...Ele se chamava HÉCTOR ALONSO HERNÁNDEZ. o exército junto com os paramilitares penduraram meu pai vivo de suas mãos como se fosse carne de açougue , logo esfaquearam seu estômago e tudo seu corpo, depois cortaram seus lábios e, por último recebeu o tiro de graça na cabeça. Segundo medicina legal ou quem realizou o levantamento do cadáver, meu pai foi torturado vivo. Tinha 70 anos de idade. Como é possível que façam isso com um idoso? Acaso por eu ser revolucionária? Esse é o preço a pagar? Então, o que diríamos de todos os senadores julgados por parapolítica? Que todas suas famílias deveriam estar na cadeia ou deveriam ser torturadas e submetidas a vexames contra a humanidade? Cobardes os torturadores e assassinos de camponeses indefesos"

Já tinha 16 anos nas FARC, quando MAEINELLY foi presa. Disse que lhe atribuem inúmeros delitos dos quais não é responsável. Apesar de ter sido capturada em condição de rebelde foi submetida a três juízos, condenada em dois deles e processada atualmente pelos delitos de rebelião, terrorismo, homicídio, entre outros, segundo suas próprias palavras "se repetindo a mesma doses que nos anteriores juízos para justificar uma nova condenação que legitime a cadeia perpetua de fato que se acostuma impor às prisioneiras e prisioneiros políticos na Colômbia".
 
Não se surpreende que a mulheres como ela sejam chamadas de em  juízo por terroristas, enquanto que "o acionar terrorista tem sido a bandeira dos governos durante os dois últimos séculos, mas, que nos últimos anos têm passado da ação encoberta à ação escancarada do exército colombiano que com uma atitude real de terror muda como o camaleão, não de cor mas de tática aproveitando a calada da noite para agir com facões e moto-serras para assassinar camponeses e, depois no dia seguinte de novo aparecem de farda como o 'glorioso exército da Colômbia....
 
Denunciou juízes e procuradores cúmplices que perseguem com as leis a campesinos em massa pelo único delito de viver em regiões de alta influência do conflito armado....Como não chamar de TERRORISTA um Estado que castiga com fome e esquecimento seu povo e que como produto disso, morre grande quantidade de crianças em todo o país", salienta a prisioneira política.

Logo de mencionar os altos níveis de pobreza e de desigualdade existentes na Colômbia e as prioridades dos governos em relação com a guerra mediante práticas de lesa humanidade como as 3.000 execuções extra-judiciais ocorridas durante o período presidencial de Álvaro Uribe Vélez, o despojo da terras dos campesinos e sua acumulação em poucas mãos, como a principal causa do empobrecimento dos trinta milhões dos quarenta e dois milhões oitocentos oitenta e oito mil habitantes que "segundo as cifras oficiais" tem Colômbia, MARINWLLY afirma que "é impossível achar uma solução para os profundos problemas econômicos, políticos e sociais do país se continuarmos sob a tirania de um regime que persista nas políticas que empobrecem mais e mais à maioria da população...o povo colombiano está sendo governado por bandidos que desde as diversas instâncias administrativas praticam crimes de lesa humanidade para se perpetuar no poder."

É assim como ela assinala que nos processos políticos contra as revolucionárias e os revolucionários na Colômbia, se aplica uma "justiça de vingança privada com o uso das figuras públicas por parte da classe dominante" que impõe altas condenações que ceifam a liberdade, citando o guerrilheiro JACOBO ARENAS, que segundo a fonte, disse: na Colômbia há dois poderes, um é o poder formal, como quem diz, o poder que se nos apresenta em umas determinadas formas como os chamados poder executivo, o poder legislativo e o poder judicial; esse é o poder formal que nada decide porque nas condições de hoje é, digamos assim, algo decorativo, submetido ao verdadeiro poder real"

Por fim, a prisioneira de guerra deixa claro que para ela o aparato da justiça no conflito colombiano é uma arma do governo. Por isso rechaça os supostos benefícios ou pactos que lhe oferecem, afirmando: "assumo todos os processos aos quais estou sendo submetida, incluindo o presente. Não aspiro a receber um trato benévolo, conheço a política de cadeia perpetua fixada para as e os prisioneiros políticos. Façam o que tenham para fazer. Não me interessa porque a história me absolverá e a justiça revolucionária condenará a quem como vocês tem-se colocado contra o povo. Senhor juiz, você não tem autoridade moral para me julgar, nem você, senhor procurador para me acusar.
 
Estão equivocados aqueles que pensam que vou renegar de minha Organização e de meu Partido, pois apesar de ter sido condenada a 40 anos de prisão, me ratifico como ORGULHOSA FARIANA E NA BUSCA DO HOMEM NOVO E A MULHER NOVA! capazes de gerar as transformações que garantam o desenvolvimento de uma vida digna em todos os campos da produção, desenvolvimento que o atual sistema capitalista nunca fará,, pois no meu sentir, seus fins são contrários ao melhor estar do povo, razão pela qual luto contra esse sistema ...
 
Desconheço o Estado capitalista que me julga e me mantém na prisão. Só reconheço para meu juízo os Documentos das FARC, por ser a única instituição que respeito e pela qual chegaria, sem dúvida, ao sacrifício. Da mesma forma, o Estado que respeito, amo e reconheço é o ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP e seu Secretariado, arvorando a espada e o pensamento de nosso Libertador Simón Bolívar , nosso pai espiritual, pela definitiva independência e a construção da Pátria Grande e o Socialismo"

Na sua escrita MARINELLY HERNÁNDEZ OROZCO, pediu ao Juiz não requeri-la para futuras audiências nem nomear-lhe advogado para sua defesa, pois como iniciamos este artigo, considera não ter nada de que se defender por não ser responsável de delito algum.

Entretanto, desde a Reclusão de Mulheres de Medellín, MARINELLY espera o desenvolvimento do conflito colombiano, "com cabeça e a moral revolucionária em alta" insistindo em citar a seu Camarada Jorge Briceño, onde diz: "Nas FARC não temos alma de traidores, mas de patriotas e revolucionários. Temos lutado e continuaremos nisso com valor, entrega e sacrifício até derrotar esse regime podre das oligarquias e construir outra ordem social”.

Esse é o caso mais significativo de ruptura que durante a última década tem-se apresentado, pois representa a milhares de homens e mulheres que em seus anos de maior grau de produtividade são submetidos a cadeia perpetua, ficando para elas e eles como única esperança alcançar sua liberdade mediante a saída política ao conflito ou uma eventual Troca Humanitária de prisioneiros em poder das duas partes em conflito.

Abril de 2011
 
Texto recebido por mail de  CARTA O BERRO - Vanderley Revista em 20/04/2011
 

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