Pesquisa Mafarrico

Translate

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Stephen Hawking descobre o buraco negro do capitalismo

Stephen Hawking descobre o buraco negro do capitalismo
por Sergio Domingues

"O buraco negro suga a medula de famílias (embora às vezes também sugue cidades inteiras como Detroit, Michigan ou Bakersfield, na Califórnia, e Camden, em New Jersey). Ele suga casas, e as regurgita cheias de dívidas podres. Com a ajuda da indústria médica, suga os doentes e os cospe de volta arruinados. Com a ajuda do extorsivo ensino superior, suga a esperança dos jovens, e os cospe de volta com diplomas e presos a uma dívida estudantil vertiginosa. Com a ajuda do complexo industrial-militar, o buraco negro suga praticamente tudo o que há pela frente, e regurgita cadáveres, inválidos, desastres ambientais, terroristas e a instabilidade mundial." (Sergio Domingues)

"Os desempregados, Ricardo Araújo Pereira, propõe, num texto magnífico, dar-lhes um tiro na cabeça. Discordo. Não será competitivo. Porque sem desempregados os que estão empregados perdem o medo e vão exigir um salário acima da reprodução biológica, cai a produtividade!" (Raquel Varela)

Ninguém melhor que Stephen Hawking para falar sobre inteligência artificial. É o que ele fez em um programa de perguntas e respostas chamado “Pergunte-me qualquer coisa” do site Reddit. Segundo suas palavras:

Todos podem desfrutar de uma vida de luxo e lazer se a riqueza produzida pelas máquinas for compartilhada, ou a maioria das pessoas pode acabar miseravelmente pobre se os proprietários das máquinas conseguirem fazer lobby contra a distribuição da riqueza. Até agora, a tendência parece acompanhar a segunda opção, com a tecnologia aumentando cada vez mais a desigualdade.

Hawking é especialista em buracos negros. Mas parece estar começando a descobrir uma nova versão desses fenômenos estelares. A mesma que o engenheiro e escritor Dmitry Orlov descreveu em artigo publicado na Carta Maior, em 02/09, referindo-se à atual crise econômica:

O buraco negro suga a medula de famílias (embora às vezes também sugue cidades inteiras como Detroit, Michigan ou Bakersfield, na Califórnia, e Camden, em New Jersey). Ele suga casas, e as regurgita cheias de dívidas podres. Com a ajuda da indústria médica, suga os doentes e os cospe de volta arruinados. Com a ajuda do extorsivo ensino superior, suga a esperança dos jovens, e os cospe de volta com diplomas e presos a uma dívida estudantil vertiginosa. Com a ajuda do complexo industrial-militar, o buraco negro suga praticamente tudo o que há pela frente, e regurgita cadáveres, inválidos, desastres ambientais, terroristas e a instabilidade mundial.

Tal como seu equivalente cósmico, o buraco negro capitalista continua a devorar luz e a defecar trevas.


Sergio Domingues




por Raquel Varela



Há mais de 200 anos Jonathan Swift fez uma proposta para resolver a fome na Irlanda: comer as crianças.

Em primeiro lugar os filhos dos mendigos e, logo de seguida, os filhos dos pobres, o que teria múltiplas vantagens, entre elas o facto de as mulheres grávidas deixarem de levar pancada – hábito então – porque carregavam no ventre algo que tinha saída no mercado, e não mais um pedinte a gritar com fome.

Creio que é hora de, nós portugueses, nos levantarmos e propormos medidas com este grau de sabedoria. Vai ser duro mas é um sacríficio necessário para reencontrar a nossa credibilidade nos mercados.

Comer as 100 00 mil crianças que estão em risco em Portugal, comer também as que estão a ser acolhidas em casas de famílias pobres que estão a recebê-las, não para tratar delas mas para ficarem com o magro rendimento que a segurança social lhes transfere por isso. Fazer um guisado de pensionistas, esses perdulários, que descontaram toda a vida e agora querem descansar, o que está obviamente acima das possibilidades daquilo que Ulrich aguenta. Pegar fogo aos lares, o que tinha como efeito colateral criar emprego no sector dos bombeiros – chama-se a isto empreendedorismo. Podemos estender a ideia às casas vazias. Pega-se fogo e logo a seguir o preço dispara com efeitos óbvios no rating do país. O Grupo Mota Engil recupera as casas e cria emprego – dinamismo empresarial.

Podemos claro optar por transformar os desempregados em soldados. Aí sim, o PIB cresce. Transformamos a Auto-Europa numa montadora de tanques –com motores feitos na Alemanha para ter o apoio da comissão de trabalhadores da Wolkswagen de lá. E invadir os espanhóis, que estão com o mesmo problema, 4 milhões de desempregados a manifestar-se a toda a hora. Trata-se de cumprir a nossa palavra com os nossos parceiros e não nos deixarmos ficar mal no estrangeiro. Os professores desempregados que não forem para a frente de guerra, podem ir para a fronteira ajudar à comunicação entre os generais portugueses e espanhóis. Os feridos, faz-se um acordo de cooperação com Espanha para dividir o tratamento deles, 1/3 pelo menos nos hospitais da CUF para garantir a rentabilidade do Grupo Melo e da Siemens. Os funerais idem, ser enterrado sem dar lucro é uma regalia.

Os políticos que nos governam, esses sim, devem ficar onde estão, no Parlamento e no Palácio. Porque, o que seria de nós sem o Governo deles, sem o Regime deles e sem o Estado deles?


Texto ( Parte ) de 
Raquel Varela


Nenhum comentário:

Postar um comentário