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domingo, 11 de outubro de 2015

Síria e Médio Oriente

Síria e Médio Oriente
por Ângelo Alves

"A hipocrisia já não consegue esconder o que de facto pretendem os EUA e a NATO tal como não consegue esconder o seu papel na desestabilização da Síria. Tal facto é bem demonstrado pelas «acusações» veiculadas nos media ocidentais de que a Federação Russa estará a «bombardear facções que actuam sob o "chapéu" do Exército Livre da Síria, apoiado pelo Ocidente, incluindo combatentes treinados pela CIA». Uma «acusação» que é a mais brilhante confissão daquilo que há muito dizemos, ou seja, de que o conflito sírio foi decidido, criado e alimentado pelo imperialismo norte-americano e seus aliados e que as organizações de mercenários e terroristas que espalham a destruição e o caos naquele país são financiadas, armadas e treinadas pelas potências da NATO, a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia."

A situação internacional está cada vez mais complexa e perigosa e exige cada vez mais das forças que lutam contra a ofensiva imperialista, pelo progresso, a justiça social, a democracia, a soberania, a cooperação internacional e a paz. Mas simultaneamente os desenvolvimentos tornam mais visíveis as grandes contradições do capitalismo e o complexo processo de rearrumação de forças no plano internacional e retiram campo à propaganda imperialista que sempre acompanha os seus planos de domínio por via do militarismo, da redivisão de várias regiões, do intervencionismo e da guerra. 

A situação no Médio Oriente está a demonstrar exactamente isso. A Força Aérea russa está há vários dias a realizar raides visando alvos de organizações terroristas como o ISIS (auto denominado Estado Islâmico) e a Al Nusra (o ramo da Al Qaeda na Síria). Esta acção militar é realizada a pedido do governo sírio e coordenada com as forças armadas daquele país. Outros países da região, como o Irão e o próprio Iraque, apoiam esta acção militar, como afirmado pelo presidente sírio Bashar Al-Assad.

Os desenvolvimentos indicam que a acção militar da Federação Russa e das forças sírias está a surtir efeitos. Ao momento da redacção deste artigo e após poucos dias de raides aéreos, as notícias disponíveis dão conta da deserção e fuga de cerca de 600 combatentes do «Estado Islâmico» e da «Al Nusra» bem como da destruição de importantes alvos estratégicos como paióis e outros depósitos de material militar, de grandes quantidades de veículos militares e de um importante centro de comando do ISIS. Estes dados, correspondentes a menos de uma semana de operações, contrastam com o balanço de mais de um ano de uma dita «luta contra o terrorismo» levada a cabo pelos EUA e seus aliados, sem a autorização do governo sírio, e que se saldou numa expansão geográfica do «Estado Islâmico» e num ainda maior caos, quer na Síria, quer no Iraque.

As reacções dos EUA, da União Europeia e da NATO não se fizeram esperar. Se o «combate ao terrorismo» dos EUA foi no passado saudado e apoiado pelo «Ocidente», já o combate ao terrorismo em curso, realizado dentro da legalidade internacional – porque a pedido das autoridades sírias – suscita uma reacção dos EUA e seus aliados que demonstra que o seu objectivo não é combater o terrorismo mas sim operar uma «mudança de regime» na Síria em tudo similar às levadas a cabo em países como o Iraque ou a Líbia, cujas consequências estão à vista. Daí as declarações de Obama que se podem resumir numa ideia: o objectivo central não é combater aquelas organizações terroristas mas utilizá-las para derrubar o governo sírio e vergar aquele país aos interesses e planos do imperialismo norte-americano.

A hipocrisia já não consegue esconder o que de facto pretendem os EUA e a NATO tal como não consegue esconder o seu papel na desestabilização da Síria. Tal facto é bem demonstrado pelas «acusações» veiculadas nos media ocidentais de que a Federação Russa estará a «bombardear facções que actuam sob o "chapéu" do Exército Livre da Síria, apoiado pelo Ocidente, incluindo combatentes treinados pela CIA». Uma «acusação» que é a mais brilhante confissão daquilo que há muito dizemos, ou seja, de que o conflito sírio foi decidido, criado e alimentado pelo imperialismo norte-americano e seus aliados e que as organizações de mercenários e terroristas que espalham a destruição e o caos naquele país são financiadas, armadas e treinadas pelas potências da NATO, a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia.

Estes recentes desenvolvimentos têm uma importância central nos desenvolvimentos na situação no Médio Oriente. Preservar a integridade e unidade territorial síria, derrotar a lógica da violência sectária e travar os planos do imperialismo de redivisão do Médio Oriente é de vital importância para o povo sírio e para todos os povos da região. E é exactamente por isso que os EUA criticam a acção da Federação Russa e com a União Europeia tentam criar «casos» como o da suposta «violação do espaço aéreo turco» e se preparam para acções ofensivas como uma zona de exclusão aérea em território sírio.



Fonte: Avante


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