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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Mensagem da PAME ao Partido Comunista (de Itália)

Mensagem da PAME ao Partido Comunista (de Itália)
Publicado originalmente por  Partito Comunista (de Itália)

"O grande capital na Grécia, junto com os meios de comunicação e os seus agentes políticos canalizaram a indignação do mundo por caminhos indolores para o capital. Eles apelam a manifestações fora dos locais de trabalho com slogans contra “a corrupção” contra a “Merkel” e pela super “boa democracia da União Europeia.” Essas mobilizações foram promovidas pelo partido oportunista SYRIZA, mas também receberam apoio mesmo do partido fascista Aurora Dourada."

"A situação dos refugiados-imigrantes que vivemos de perto, tanto na Grécia como na Itália é emblemática. O problema será agravado, uma vez que aumenta a concorrência e os conflitos em matéria de fontes de energia e rotas de transporte. É dever do movimento de classe, enfrentar os bandos fascistas, o veneno do racismo e da xenofobia. A sua divulgação é um mecanismo do capital, cuja missão é atacar o movimento sindical."

Caros camaradas,

A PAME (Frente Militante Todos os Trabalhadores) que representa o movimento operário de classe na Grécia saúda esta vossa iniciativa sobre a situação e os desenvolvimentos no movimento operário.

Embora os desenvolvimentos em curso na Grécia não nos permitam estar aqui com vocês, os nossos pensamentos estão firmemente focados em reforçar os laços de amizade e solidariedade entre os trabalhadores da Grécia, de Itália e de toda a Europa.

A Grécia e a Itália também desempenham um papel de destaque na evolução política e económica recente. Mas estes desenvolvimentos são apresentados unilateralmente pelos média corporativos, onde os trabalhadores aparecem apenas como pano de fundo, quando na verdade eles são tanto as vítimas das políticas implementadas como aqueles que, através do seu trabalho, geram toda a riqueza existente.

Em particular, a experiência recente do movimento operário da Grécia pode ser uma arma para os povos da Europa. Em cinco anos, desde a eclosão da crise capitalista na Grécia, o movimento popular de classe na Grécia fez mais de 30 greves gerais nacionais, centenas de greves em várias indústrias e sectores e milhares de manifestações, comícios, sit-ins e protestos locais.

Com a acção da PAME e dos sindicatos de classe, muitas medidas foram adiadas, bloqueadas, demissões foram retiradas, reduções salariais foram abolidas.

Em alguns casos, os sindicatos membros da PAME conseguiram assinar convênios coletivos com aumentos salariais, apesar das condições adversas em geral.

A acção do movimento operário colocou obstáculos para os governos burgueses. Temos visto mudarem os governos, os partidos, os primeiros-ministros num curto espaço de tempo. Activistas sindicais, sindicalistas, foram despedidos, presos e denunciados. Até hoje, todos os dias, os tribunais estão cheios de sindicalistas, mas também dos trabalhadores acusados só porque eles entraram em greve. Apesar das nossas fraquezas, a existência de um pólo de classe no movimento sindical que advertiu, organizou e mobilizou camadas importantes da classe trabalhadora, complicaram a vida ao sistema e às forças do capital na implementação de todas as suas medidas.

Por outro lado, os sindicatos dos patrões na Grécia introduziram no movimento sindical a podridão, a burocracia, a linha de colaboração de classes e de diálogo social. A aceitação de políticas anti-operárias em nome da salvaguarda da economia e da competitividade das empresas levaram muitas forças a aceitar cortes salariais e demissões. As forças do SYRIZA nos sindicatos defenderam o caminho da Grécia na União Europeia imperialista, exortando os trabalhadores a abandonar qualquer reivindicação e a apoiar o Governo de SYRIZA e as suas negociações. Além disso, a organização não de massas dos trabalhadores, o desemprego crescente e a influência da lógica do mal menor, têm sido usados ​​para aplicar a maioria das medidas do memorando que causaram a deterioração dramática da situação da classe trabalhadora da Grécia.

O grande capital na Grécia, junto com os meios de comunicação e os seus agentes políticos canalizaram a indignação do mundo por caminhos indolores para o capital. Eles apelam a manifestações fora dos locais de trabalho com slogans contra “a corrupção” contra a “Merkel” e pela super “boa democracia da União Europeia.” Essas mobilizações foram promovidas pelo partido oportunista SYRIZA, mas também receberam apoio mesmo do partido fascista Aurora Dourada.

As negociações com a Troika do governo grego tinham por objectivo a defesa da democracia burguesa grega e não do povo. Dessa forma, eles chegaram ao terceiro memorando do SYRIZA, que esmaga o povo grego, aumenta os impostos para o povo, destrói a segurança social, aumenta a idade de aposentadoria e reduz as pensões, facilita as demissões em massa, legítima os lock-outs, impede a restauração dos direitos e salários, enquanto tenta golpear os direitos e liberdades sindicais, em essência, a proibição absoluta da greve.

Os desenvolvimentos na Grécia confirmaram que a UE não é e não pode ser a favor do povo. As contradições e conflitos dentro da UE ocorrem aquando da escolha de qual combinação de políticas é mais adequada e a favor de qual parte do capital. Por outro lado, apesar das suas contradições no fim concordam todos, de forma a manter a rentabilidade das empresas capitalistas, que têm de continuar a atacar os trabalhadores de todos os países.

Os trabalhadores em todos os países, até mesmo na Grécia devem tirar a conclusão de que não é possível no sistema capitalista, na competitividade da UE, viverem como deveriam. Quanto mais apodrece o capitalismo mais a sua necessidade de rentabilidade/lucro cresce, assim será mais acentuado o ataque contra o povo tanto com medidas anti-operárias como com as guerras e os conflitos imperialistas.

A situação dos refugiados-imigrantes que vivemos de perto, tanto na Grécia como na Itália é emblemática. O problema será agravado, uma vez que aumenta a concorrência e os conflitos em matéria de fontes de energia e rotas de transporte. É dever do movimento de classe, enfrentar os bandos fascistas, o veneno do racismo e da xenofobia. A sua divulgação é um mecanismo do capital, cuja missão é atacar o movimento sindical.

Os trabalhadores não podem esperar que venham os seus “salvadores” como Tsipras ou Landini da FIOM [Nota do Editor: Sindicato dos Metalúrgicos italiano liderado por um reformista próximo da “refundação comunista”]. Hoje, na Grécia, face às novas eleições e à frustração de muitos eleitores do SYRIZA, estão preparando um novo partido, com a presença de líderes e ex-ministros do governo de SYRIZA, que afirmam lutar contra o novo memorando, para salvar as pessoas . Coisas que já ouvimos.

Os líderes sindicais social-democratas, que estavam com PASOK e depois estiveram com o SYRIZA até ontem, hoje para as novas eleições estão com o novo partido. Eles são os mesmos que assinaram os acordos contendo os cortes salariais e as demissões, que aceitaram as políticas da União Europeia, agiram como representantes dos patrões. São os mesmos que apoiaram a política do governo do SYRIZA, a prorrogação do 2º Memorando, dando-lhes tempo para encobrir a preparação do 3º Memorando e agora els afirmam que foram enganados. Já já vimos este filme.

É o dever do movimento sindical de classe na Grécia proceder à reorganização do movimento operário. Isto significa a organização em massa da classe trabalhadora nos sindicatos. Primeiro de tudo nas grandes empresas, nos monopólios e na indústria, onde se concentra a maior parte da classe trabalhadora. Você deve criar comissões de luta em todos os locais de trabalho.

Deve promover actividades numa base diária para todas as questões e problemas da vida da classe trabalhadora, são necessárias para alcançar o objectivo de fortalecer a luta de classes e enfatizar a nossa posição de que o trabalhador é o produtor de toda a riqueza que existe no mundo. Deve promover trabalho específico para fazer para entrar no movimento da classe trabalhadora os seus jovens, as suas mulheres e os seus imigrantes. Fortalecer a aliança da classe operária com os camponeses pobres e com os pequenos auto-empregados [Nota do Editor: trabalhadores independentes, artesãos, comerciantes pobres].

É necessário proceder à criação de comités populares para bloquear as medidas anti-populares nos locais de trabalho. Lutamos com as palavras de ordem de cancelamento unilateral da dívida, desligamento da UE e da NATO e por uma sociedade em que o trabalhador será o detentor da riqueza que produziu, uma sociedade onde todos o avanços da tecnologia e da ciência servirão para atender às necessidades do povo e não aos lucros dos monopólios.

Esta é a linha do movimento sindical de classe na Grécia.

A PAME e a sua actividade é baseada na solidariedade das forças de classe na Europa. Na Itália, o Partido Comunista (de Itália) exprime constantemente a sua solidariedade e apoio às lutas dos trabalhadores gregos, dando um importante exemplo de internacionalismo e por isso nós agradecemos.

Desejamos-lhe sucesso nas suas lutas.


Fonte em português Pelo Anti-Imperialismo




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