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terça-feira, 26 de maio de 2015

O inevitável colapso econômico no Brasil... e no mundo

O inevitável colapso econômico no Brasil... e no mundo 
por Alejandro Acosta


"O capitalismo se encontra em fase terminal, com várias pontes de safena. A estorinha do "empreendedor" que abria uma empresa para ganhar dinheiro é coisa de um passado remoto. Hoje é o assalto em larga escala dos cofres públicos e dificuldades crescentes para obter lucros a não ser por meio da especulação financeira ultra-parasitária ou o trabalho semi escravo."

"A especulação financeira atua como uma espécie de buraco negro ultra-parasitário que absorve todos os principais recursos. Se calcula que os bancos centrais das principais potências tenham injetado pelo menos US$ 12 trilhões desde 2008, nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, na China, no Brasil, na Índia e na Rússia. Na realidade, tem sido muito mais. As taxas de juros zeradas ou negativas para as grandes empresas e as compras de títulos financeiros podres pelos governos continua alimentando a especulação em larga escala. Todas as bolhas são todas infladas por meio de fartos recursos públicos."

"As últimas tentativas "de grande porte" no sentido de promover o crescimento econômico foram feitas por François Hollande na França, mas ele próprio acabou desistindo em pouco tempo e se tornou um dos impulsionadores dos programas de austeridade. Aliás, austeridade somente para as massas, pois, na realidade, se trata da tentativa de salvar, a qualquer custo, os lucros da especulação financeira, o coração do sistema capitalista mundial."

Um novo colapso capitalista aparece no horizonte. Desta vez, as proporções parecem ser apocalípticas. Ainda maiores que as do colapso de 2008.

Uma grande bolha prestes a estourar

De acordo com o economista norte-americano Nouriel Roubini, a mãe das bolhas financeiras, as emissões de moeda podre pelos bancos centrais das principais potências, cresceu numa escala insustentável e atingiu um ponto tal que já se interliga, de maneira assustadora, com as demais bolhas, como a bolha imobiliária, a das bolsas, a das commodities e à especulação financeira em geral.

Roubini, em 2006, previu o colapso da chamada subprime em 2008, explicando por que iria desatar uma crise de proporções enormes. Desta vez, ele tem detalhado o por que é inevitável que estoure uma crise ainda maior a partir do esgotamento dos anabolizantes para as grandes empresas. Um dos principais sintomas é que os repasses de recursos para os monopólios, apesar de serem cada vez maiores e as taxas de juros que, em vários países, já são negativas, a economia não somente não tem saído do lugar, como, em termos produtivos, continua encolhendo.

Somente a Europa e o Japão têm emitido mais de US$ 3 trilhões em títulos financeiros com taxas de juros negativos. Bom para as grandes empresas, porque são pagas para receberem empréstimos do estado, e ruim para 95% da população que investe apenas para fugir das perdas inflacionárias.

O capitalismo se encontra em fase terminal, com várias pontes de safena. A estorinha do "empreendedor" que abria uma empresa para ganhar dinheiro é coisa de um passado remoto. Hoje é o assalto em larga escala dos cofres públicos e dificuldades crescentes para obter lucros a não ser por meio da especulação financeira ultraparasitária ou o trabalho semi escravo.

Fica mais espesso o caldo do próximo colapso capitalista mundial

Os fatores que levaram à crise de 2008 continuam atuando e com mais força do que nunca. Os preços das principais empresas norte-americanas, listadas no S&P 500, têm visto cair seus valores, seus lucros e as avaliações de risco.

As explosões que aconteceram em 1974 (crise do petróleo e crise capitalista mundial), 1987 (operações de alta frequência) , 1998 (fundo LCTM), 2001 (bolha de Internet), 2008 (subprime e colapso capitalista mundial) tendem a parecer um jogo de crianças na comparação com a próxima bolha do crédito, que envolve diretamente os bancos centrais. Para voltar ao balanço de 2008, a Reserva Federal norte-americana precisaria enxugar do sistema financeiro pelo menos US$ 4,5 trilhões, o que hoje é impossível sem provocar uma quebradeira em massa.

O crescimento da China, da mesma maneira que tem acontecido nos demais países, tem sido conseguido na base dos anabolizantes: dinheiro do estado em larguíssimas proporções, para os capitalistas. Mas agora cresce a desaceleração da economia chinesa, caem os preços das commodities (matérias-primas comercializadas nas bolsas especulativas), aumenta a crise nos chamados países emergentes e a crise nos países desenvolvidos tornou-se endêmica.

A subprime, a especulação com títulos imobiliários, é ainda maior e atingiu os países atrasados. Na Rússia, na China, na Arábia Saudita, no Brasil, no México e em praticamente todos os países a especulação imobiliária tem ido a mil por hora.

O parasitismo do capitalismo atingiu o ápice e, a cada dia que passa, o apodrecimento fica ainda maior. A especulação financeira ameaça travar as engrenagens do sistema, repetindo numa escala ainda muito maior o que aconteceu na década de 1930.

A recessão industrial atingiu todas as potências industriais, a começar pela Alemanha, o Japão e a China. No Brasil, continua avançando a passos largos, mas também avançam a inflação, desvalorização do dólar, o aumento do desemprego até nas estatísticas oficiais.

A especulação financeira na encruzilhada

O parasitismo financeiro atingiu um ápice difícil até de imaginar. O coração do capitalismo, a especulação financeira, somente por meio dos nefastos derivativos financeiros, movimenta 15 vezes a produção mundial real.

A especulação financeira atua como uma espécie de buraco negro ultra-parasitário que absorve todos os principais recursos. Se calcula que os bancos centrais das principais potências tenham injetado pelo menos US$ 12 trilhões desde 2008, nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, na China, no Brasil, na Índia e na Rússia. Na realidade, tem sido muito mais. As taxas de juros zeradas ou negativas para as grandes empresas e as compras de títulos financeiros podres pelos governos continua alimentando a especulação em larga escala. Todas as bolhas são todas infladas por meio de fartos recursos públicos.

De acordo com um conhecido relatório do Congresso norte-americano, somente até 2010, o governo tinha repassado nada menos que US$ 16 trilhões para resgatar bancos e grandes empresas. Não por acaso, a dívida pública nos Estados Unidos soma mais de US$ 18 trilhões. Somente nos dois governos Obama acumulou mais de US$ 12 trilhões. Ou seja, em menos de 10 anos cresceu o dobro do que em mais de 200 anos!

O mundo capitalista mundial avança rapidamente para um caminho de alta paralisia, recessão, desemprego e hiperinflação. Esses são os motores que colocarão em movimento os trabalhadores no mundo.

No último período, o Brasil tem enfrentado uma forte desvalorização do real, a redução do rating (qualificação) de investimento para o status lixo, a disparada da taxa de juros, o crescente aumento da inflação, do desemprego e da carestia da vida, fortes quedas do valor das ações das principais empresas, a crise hídrica.

Brasil: crise passageira ou na direção da recessão profunda?

A economia brasileira já está em recessão. A direita avança sobre a Petrobras na tentativa de entregá-la para os monopólios. Os ataques orquestrados pelo imperialismo na América Latina buscam derrubar os governos nacionalistas, como o governo do PT, com o objetivo de endurecer o regime e possibilitar a escalada dos ataques contra as massas.

Mas a evolução da situação econômica e política no Brasil está longe de se encontrar numa redoma de vidro. A crise avança em escala mundial a passos largos. Os "anabolizantes", o dinheiro a custo zero ou até negativo, que os bancos centrais repassam para as grandes empresas não tem conseguido conter a recessão que já atingiu a Alemanha e o Japão, as duas principais potências industriais.

Todas as tentativas de contenção da crise têm fracassado desde 2008. As últimas tentativas "de grande porte" no sentido de promover o crescimento econômico foram feitas por François Hollande na França, mas ele próprio acabou desistindo em pouco tempo e se tornou um dos impulsionadores dos programas de austeridade. Aliás, austeridade somente para as massas, pois, na realidade, se trata da tentativa de salvar, a qualquer custo, os lucros da especulação financeira, o coração do sistema capitalista mundial.

O que significam os cortes no orçamento público?

O governo federal anunciou, recentemente, cortes por quase R$ 70 bilhões no orçamento. As Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665 foram aprovadas nas câmaras dos Deputados e dos Senadores, mas aumentaram o descontentamento em vários parlamentares da base de apoio ao governo. Os cortes mais violentos serão nos programas sociais, seguro-desemprego, pensão e aposentadoria. Nada foi tocado, nem sequer falado, sobre a ultra podre e fraudulenta dívida pública, por exemplo. Enquanto a pressão do imperialismo sobre o seu "quintal" aumenta, o governo brasileiro e a burguesia se encontram em estado de completa perplexidade perante o avançado contágio da crise capitalista no Brasil.

Antes mesmo de ter finalizado a tramitação no Congresso do novo pacote fiscal, anunciado no final do ano passado, a Receita Federal já anunciou que aumentará os impostos. A arrecadação em abril foi a pior do mês, nos últimos cinco anos, com queda de 4,62% em relação ao passado. A arrecadação do IPI (Imposto sobre os Produtos Industrializados) caiu 5,32%; sobre o CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) caiu 18,4% e sobre a Contribuição Previdenciária caiu 2,26%. As desonerações fiscais somaram R$ 9,1 bilhões e a arrecadação dos primeiros quatro meses do ano combinados caiu 2,71%.

A demagogia sobre a suposta blindagem, baseada nas reservas soberanas e o fundo bancário (depósito compulsório dos bancos), faz parte do folclore do passado, quando a lenda tinha como base o alto preço das commodities.

Todos os planos implementados pelo governo do PT, a começar pelas isenções de IPI para a linha branca, de novembro de 2012, não conseguiram mais que arrancar alguns suspiros a mais do falido capitalismo tupiniquim, garantindo as taxas de lucro dos capitalistas, disparando o endividamento público e repassando o peso da crise para os trabalhadores por meio da erosão inflacionária e o arrocho salarial. As medidas têm sido baseadas na implementação ainda mais profunda das políticas neoliberais – uma adoção em larga escala do programa da direita. O motivo? A completa falta de alternativas, de base material para implementar uma política que as substituam.

Enquanto a crise aumenta no Oriente Médio e na Europa, e as contradições com as potências regionais e as demais potências imperialistas se aprofundam, o imperialismo norte-americano tenta salvar os lucros dos monopólios aumentando o aperto na América Latina.


Alejandro Acosta está atualmente na Rússia cobrindo os acontecimentos geopolíticos na região como jornalista independente.





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