Contra a cimeira da NATO( OTAN ) em Portugal


Contra a cimeira da NATO ( OTAN ) em Portugal

Intervenção de Paula Santos na Assembleia de República


Saudamos a Campanha Paz Sim! NATO Não!, todas as associações e organizações que a compõem e os subscritores da petição que hoje discutimos, em defesa da paz e contra a realização da Cimeira da NATO em Portugal.

O que está em cima da mesa nesta Cimeira é a reformulação do “conceito estratégico” da Nato, a procura de uma saída para a guerra do Afeganistão e a instalação de um novo sistema antimíssil na Europa. Pretendem elevar a Nato a um novo patamar, como instrumento de ingerência e de agressão a nível mundial. Os objectivos passam por alargar a sua intervenção a todo o globo, ampliar o âmbito das suas missões a questões como a energia, o ambiente, as migrações e a segurança interna dos Estados; reafirmar-se como bloco militar; desenvolver o complexo industrial e a investigação militar; exigir aumento das despesas militares dos seus membros; corrida aos armamentos; instalação de sistemas de míssil na Europa; incluir nas missões acções de ingerência directa e ocupações a pretexto da manutenção da paz e aprofundar a instrumentalização das Nações Unidas para prosseguir os seus propósitos.

A realização da Cimeira da NATO em Lisboa, associa o nosso país a uma nova escalada da agressão contra os povos, e que colide com os princípios constitucionais que regem as relações internacionais de Portugal, de respeito pelos direitos dos povos, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados, preconizando a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, pelo desarmamento e pela dissolução dos blocos político-militares.

Num momento em que o Governo anuncia uma brutal ataque aos rendimentos do trabalho, aos direitos dos trabalhadores e do povo português, com vista ao aumento da exploração, exigindo mais sacrifícios a quem menos tem, continua a colocar as forças militares portuguesas ao serviço da NATO, das suas agressões, que nada têm a ver com os interesses nacionais.
Saudamos também o Movimento da Paz em Portugal, reunido na Campanha “Paz Sim! NATO Não!”, pelo esclarecimento do povo português e pela realização da manifestação a 20 de Novembro, pela paz.

O PCP está de acordo com os objectivos da petição. Neste sentido apresentamos um projecto de resolução que recomenda ao Governo que rejeite o novo conceito estratégico da NATO, a dissolução e a progressiva desvinculação de Portugal da NATO, a retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO, o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional, o desarmamento e o fim das armas nucleares e de destruição maciça e o cumprimento pelas autoridades portuguesas da Carta das Nações Unidas e da Constituição da República Portuguesa, em respeito pelo direito internacional, e pela soberania e igualdade dos povos, pela paz e progresso da humanidade.


Disse!


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