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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nove anos de guerra imperialista no Afeganistão


Nove anos de guerra imperialista no Afeganistão

Derrota impossível de esconder


Nove anos depois do início da guerra do Afeganistão, o imperialismo procura ocultar o atoleiro em que se tornou a ocupação do território. O recrudescimento da resistência faz disparar as baixas entre as tropas estrangeiras tornando cada vez mais evidente que só a retirada pode pôr fim ao conflito.


A 7 de Outubro de 2001, os EUA e a Grã-Bretanha iniciaram o ataque ao Afeganistão bombardeando a capital, Cabul, e outras grandes cidades do país, como Jalalabad, Kandahar, Herat, Kunduz, Farah ou Mazar. Seguiu-se a invasão, a deposição do governo talibã e a ocupação do país com a NATO a assumir o comando das operações. Nove anos depois, o balanço é trágico.
O objectivo de democratizar a vida política nunca passou de propaganda. Nas últimas «eleições», por exemplo, apenas 24 por cento dos eleitores habilitados compareceu às urnas e os relatos de compra de votos, coacção ou tráfico de credenciais voltaram a marcar o acto.

A corrupção é intrínseca ao regime sustentado pelos EUA e seus aliados, sobejando denúncias de apropriação dos fundos destinados à «reconstrução». A produção de ópio, segundo as Nações Unidas, floresceu como nunca estendendo-se agora por mais de um milhão e cem mil hectares.
O número de civis mortos em consequência das acções militares dos ocupantes supera os 33 mil (veteransforpeace.org), ao que acrescem, de acordo com dados oficiais, 27 mil mortos entre os membros dos grupos armados da resistência e cerca de 7 mil efectivos do contingente afegão.
A guerra nunca cessou. Mais de 2100 soldados ocupantes já morreram em combate, cerca de 60 por cento dos quais são norte-americanos. Mais de 7 mil soldados dos EUA foram feridos e milhares regressaram das respectivas comissões com graves distúrbios psíquicos.

São os próprios norte-americanos que admitem que nos últimos três anos os insurrectos ganharam vigor. O ano de 2010 é já o mais mortífero para as tropas invasoras com mais de 560 soldados abatidos em combate.

Obama pior que Bush

Barack Obama aumentou o contingente dos EUA garantindo o início da retirada para o segundo semestre de 2011. Mas a realidade mostra que a chamada nova estratégia do presidente norte-americano não conduziu à pacificação do território.

Depois da maior ofensiva militar desde 2001, realizada em Fevereiro passado, na província de Helmand, os grupos que resistem à ocupação acumularam simpatia popular e ganharam terreno.
Actualmente, os rebeldes dizem controlar 75 por cento do território e a esmagadora maioria da rede viária. O total de norte-americanos mortos no Afeganistão durante a administração Obama superou, em Agosto deste ano, o total de baixas durante a administração Bush.

A ONU admite que nos primeiros seis meses de 2010, mais de 3200 civis afegãos morreram ou ficaram gravemente feridos na sequência de operações dos EUA/NATO, o que representa um aumento de 31 por cento face ao mesmo período de 2009.

Por outro lado, os grupos da resistência estão longe de ser um corpo homogéneo de inspiração confessional ligado aos talibans. O ano passado, Matthew Hoh, alto quadro do Departamento de Estado no Afeganistão, admitiu, na carta da sua demissão, que, ao contrário do procuram fazer crer os EUA, a maioria dos combatentes não luta pela recuperação do poder pelos talibans mas pela expulsão dos estrangeiros do país.

Retirada é a solução

Neste quadro, a retirada das tropas ocupantes é a única solução viável. E enquanto o imperialismo procura ocultar o atoleiro em que se transformou o Afeganistão (abafando, minimizando ou mentindo sobre as ocorrências violentas e os combates), manobra nos bastidores uma trégua com alguns dos senhores da guerra.

Não o faz directamente. Por intermédio do seu homem de mão, Hamid Karzai, promove o chamado Alto Conselho da Paz – estrutura que reúne membros do governo e líderes territoriais e de grupos armados–, alicia os combatentes com garantias de dinheiro e emprego e apoia o estabelecimento de pontes de diálogo com o ex-arqui-inimigo Mohammad Omar.

O objectivo é não permitir que se consolide uma derrota humilhante, a qual beliscaria a imagem do imperialismo norte-americano como superpotência militar e animaria a resistência de outros povos face às acções belicistas de Washington.


«Fogo amigo» pode ter morto refém inglesa

O comandante das forças ocupantes no Afeganistão, David Patreus, admitiu que a britânica Linda Norgrove pode ter morrido na sequência da explosão de uma granada lançada por soldados dos EUA durante a tentativa de resgate.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, admitiu igualmente que a escocesa pode ter sido morta pelos militares envolvidos na operação e anunciou a abertura de um inquérito conjunto angolo-norte-americano para apurar o sucedido.

Linda Norgrove, 36 anos, foi raptada dia 26 de Setembro na província de Kunar. A primeira versão dos acontecimentos indicava que a funcionária da Development Alternatives Inc. (empresa fachada dos serviços secretos norte-americanos) tinha sido executada pelos raptores.


Texto original no Jornal Avante em http://www.avante.pt/pt/1924/internacional/110869/




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