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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Empoderarmo-nos para derrubar o patriarcado

Empoderarmo-nos para derrubar o patriarcado ( em galego)
Artigo publicado no Combater nº9, o noso voceiro nacional.

"O heteropatriarcado é umha estrutura perigosa tam incrustada na sociedade que é apenas perceptível polas pessoas que se revolucionam contra tudo o que conheciam -ou o que lhes figerom conhecer-. Este tirano ordena que tipo relaçons tanto sexuais como afetivas devemos manter para sermos bem vistas polo resto das pessoas, que características físicas devemos conseguir para ter éxito, ou quanto mais nos devemos esforçar para lograr o mesmo que um homem. Amparado polo capitalismo, que lhe proporciona os mecanismos para atuar, o patriarcado submetem-nos à posiçom de jovens dependentes da aprovaçom alheia, inseguras no caminho de chegar a ser o que se aguarda de nós e frágiles em materia de autoestima, podendo sacar todo tipo de proveito das nossas versons minguadas."


O nosso corpo é a forma que temos de estar no mundo, de caminhar por ele, de experimentar, sentir, comunicar-nos com outros corpos… É, em realidade, o único que temos. Capaz de dar forma oral ou escrita a todo o que nos passa pola mente, é a nossa principal ferramenta. Sendo tam importante, por que nos ensinarom a odiar o que nos é próprio, a atopar defeitos no natural, a criminalizar cada mulher que sai dos moldes impostos?

O heteropatriarcado é umha estrutura perigosa tam incrustada na sociedade que é apenas perceptível polas pessoas que se revolucionam contra tudo o que conheciam -ou o que lhes figerom conhecer-. Este tirano ordena que tipo relaçons tanto sexuais como afetivas devemos manter para sermos bem vistas polo resto das pessoas, que características físicas devemos conseguir para ter éxito, ou quanto mais nos devemos esforçar para lograr o mesmo que um homem. Amparado polo capitalismo, que lhe proporciona os mecanismos para atuar, o patriarcado submetem-nos à posiçom de jovens dependentes da aprovaçom alheia, inseguras no caminho de chegar a ser o que se aguarda de nós e frágiles em materia de autoestima, podendo sacar todo tipo de proveito das nossas versons minguadas.

Se observamos os nossos corpos, atopamos pelos, estrias, manchas, marcas, grans, partes dum tamanho diferente aos modelos que atopamos nas revistas, na televisom, nos valados publicitários. Crecemos ilhadas da realidade que afeta às outras mulheres e cremos que nom som coma nós; ou, melhor, nós coma elas. Estamos convencidas de que os problemas que temos nós nom o tenhem as modelos, as atrizes, as mulheres de poder; as imperfeiçons afetam somente às nossas vizinhas do mundo real, às que nom tenhem pós-produçom no photoshop. Temos que aprender a diferenciar a ficçom da realidade e entender os interesses económicos que movem as campanhas nas que aparecem as mulheres irreais que tomamos por exemplo. Irreais porque as modificam até que se asemelham à ideia, porque em realidade elas som e sofrem coma nós, em maior ou menos medida, porque nom escapam do sistema de opressom patriarcal, porque elas também som mulheres num mundo machista. As nossas inimigas nom som aquelas companheiras que encaixam nos patrons de beleça establecidos, o nosso inimigo é qualquer forma de poder que perpetue estes roles. O princípio de sororidade deve primar sobre a sua violência simbólica e sobre as suas tentativas de dividir-nos; polo que nos unimos as gordas, as fracas, as baixas, as altas, as que nos depilamos e as peludas, as que nos gusta maquilhar-nos e as que nom, para denunciar umha vez mais este sistema que nos atonta, violenta e mata.

Num ato de amor próprio e respeito devemos começar a aceitar a diversidade do nosso corpo e de todos os corpos. Umha vez que te aceitas, passas a querer-te e a querer dum jeito saudável. Estes valores som a chave para umha vida mais amável com nós mesmas, na que os cuidados próprios estam por riba da necessidade de responder à ideia imposta do que é um corpo que merece ser querido. Cada marca no nosso corpo amosa quem somos e polo que passamos para chegar ao que queremos ser. Querer cambiar nom está mal, temos direito a convertir-nos no que nós cremos que devemos ser, independentemente do que esteja socialmente aceitado ou nom. Podemos sair dos moldes se assim o queremos, construir-nos no que nós consideramos que é a beleça, ou mesmo à margem desta. O objetivo é que logremos querer o corpo que vemos no espelho tanto como queremos aqueles das películas, poder luzi-lo o que queiramos sem sentir vergonha na praia, passeá-lo a altas horas da madrugada sem sentir medo, pisar convencidas cada passo. Merecemos ter oco no espaço público e poder decidir sobre qualquer aspeto das nossas vidas, e estamos trabalhando duro para tomar este control sobre nós mesmas, indo contra todo aquel que no-lo negue.

Renunciamos a fazer-lhes o jogo ao patriarcado e ao capitalismo e rebelamo-nos contra o seu poder: começamos a aceitar o nosso corpo como é e enchemo-lo dum orgulho subversivo que nom vam poder compreender nunca, ainda que ponham tuda a sua maquinaria ao serviço. Porque a nossa vontade de mudá-lo todo sempre terá mais força.



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