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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Bilionários: o capitalismo e suas aberrações

Bilionários: o capitalismo e suas aberrações
por Diário Liberdade - Júlio Bonatti


"O mais interessante é que eles inventaram uma religião própria: o Empreendedorismo. Dizem que já ultrapassou o cristianismo em número de adeptos. Alguns de seus mantras são do tipo: “Tenha perseverança e acredite nos seus sonhos”; “Tempo é dinheiro”; “Um dia sem lucro é um dia desperdiçado” etc.

Em seus cultos os fiéis costumam dar o testemunho de como ganharam o primeiro milhão de dólar antes dos vinte anos de idade – e quem não segue esses modelos de superação de “quem venceu na vida”, jamais poderá ocupar um lugar no olimpo dos bilionários. E a juventude de uma nova “geração de valor” idolatra esses heróis, lê suas hagiografias, repete suas palavras santas de manhã antes de ir à labuta."

Vencedores, santos, heróis... muitas são as alcunhas que recebem por aí determinados indivíduos do mundo capitalista que concentram imensas fortunas.

Esses são os “bilionários”, uma espécie distinta de ser humano que precisa de uma quantidade excessiva de dinheiro para levar adiante a vida.

Mas não são muitos. Enquanto os homens e mulheres normais se encontram no rol dos sete mil milhões de pessoas, os bilionários mal passam de umas duas mil cabeças. Vivem em nichos específicos, habitats criados por eles e para eles, numa forma de “seleção artificial” dos espaços e dos espécimes aptos a uma reprodução adequada.

Alguns biólogos disponibilizam um catálogo para acompanhar o desenvolvimento desses veneráveis bilionários, todos minuciosamente controlados em tempo real: medidos, pesados, bem tratados e biografados. [Quem tiver curiosidade pode acessar o seguinte sítio: http://www.infomoney.com.br/bloomberg/bilionarios]

A fisionomia dos bilionários é bem semelhante, tanto que alguns estudiosos dizem que essa proximidade de características físicas é um sinal de que constituem de fato uma nova espécie. São em geral brancos, de cabelos grisalhos, do sexo masculino, com peso acima dos padrões do continente africano e asiático, possuem a maioria dos dentes em ótimo estado de conservação e estão sempre sorridentes em festas e comemorações.

Os bilionários costumam promover a filantropia, ou seja, doam esmolas para outros humanos que não se esforçaram o suficiente para nascer em um berço de ouro. Às vezes criam fundações, instituições comunitárias com fim de auxílio aos pobres e desvalidos – tudo com a verdadeira finalidade de abater o custo de suas obrigações tributárias, mas nada que ultrapasse 1% do lucro anual de suas empresas.

Todavia, não se deixe enganar: eles não são dóceis. Se há algo importante a salientar é o costume sádico dos bilionários: muitos ainda utilizam formas de trabalho escravo, mas tudo devidamente adequado às leis locais dos países onde investem. Boa parte deles se dedica à prática de exploração chamada “especulação financeira”, outros à venda de drogas e de armas. Deram uma vestimenta civilizada para a apropriação do tempo de seus empregados, mas ainda continuam desempenhando a predação e pilhagem como bons bárbaros.

O mais interessante é que eles inventaram uma religião própria: o Empreendedorismo. Dizem que já ultrapassou o cristianismo em número de adeptos. Alguns de seus mantras são do tipo: “Tenha perseverança e acredite nos seus sonhos”; “Tempo é dinheiro”; “Um dia sem lucro é um dia desperdiçado” etc.

Em seus cultos os fiéis costumam dar o testemunho de como ganharam o primeiro milhão de dólar antes dos vinte anos de idade – e quem não segue esses modelos de superação de “quem venceu na vida”, jamais poderá ocupar um lugar no olimpo dos bilionários. E a juventude de uma nova “geração de valor” idolatra esses heróis, lê suas hagiografias, repete suas palavras santas de manhã antes de ir à labuta.

Poderia falar horas a fio de seus hábitos, tanto alimentares, sexuais, como de outra forma qualquer de socialização, mas não é do meu interesse. Na verdade, vim apenas registrar a vontade que ouvi de um menino de rua hoje no semáforo vendendo doces: ele me disse que um dia queria se encontrar cara a cara com um desses figurões e meter-lhe um soco na boca do estômago.


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