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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Todos os caminhos vão dar a Roma...

Todos os caminhos vão dar a Roma...
por Jorge Messias



«Os factos demonstram que os países pobres da União Europeia não falam a mesma língua dos países ricos… Só a luta de classes – e só ela ! – pode abrir uma saída para a crise, ainda que esta situação não pareça viável a curto prazo...» (Umberto Martins, jornalista brasileiro especializado em economia política).

«A Igreja Católica é uma grande empresa religiosa e, simultaneamente, económico-financeira. Não pode ser dirigida sem dinheiro. Por isso, o bispo Paul Marcinkus, antigo secretário do Instituto das Obras Religiosas, IOR, (instituição mais conhecida como Banco do Vaticano), perguntava e respondia: “Pode viver-se neste mundo sem preocupações com o dinheiro? Não se pode governar a Igreja só com Avé-Marias...”» Em 1960, a Igreja já controlava de 2% a 5% do mercado mundial de acções (Revista BULA, 22.8.2012).

«A constante mudança do modo de produção, a permanente perturbação das formas de relação social, a interminável agitação e incerteza, distinguem a 'época da burguesia' de todas as épocas anteriores. Todas as relações fixas, estáticas, com a sua auréola de ideias e opiniões ortodoxas, são postas de lado; todas as novas relações recém-assumidas se desvanecem antes que se consolidem. Tudo o que é sólido se dispersa no ar, tudo o que é sagrado se desmistifica e os homens são finalmente forçados a enfrentar as suas condições de vida e as suas relações com os outros homens (Karl Marx, Manifesto Comunista).
 


Na verdade, o grande sinal distintivo do Vaticano é, presentemente, a prática de um liberalismo financeiro que se nega a si mesmo. Até há pouco tempo, o liberalismo afirmava-se defensor da livre concorrência. Agora, massacra os pequenos e médios burgueses, os grandes esteios dessa utópica livre concorrência. Pequenos e médios produtores vão ser chacinados, lado a lado com o proletariado, no altar dos monopólios.


Tecnicamente, os governos dos estados e da Igreja encontram-se divididos internamente, sobretudo entre kaynosianos e ultra liberais fundamentalistas. Trata-se porém, quase sempre, de diferenças secundárias. Todos eles consideram que o capitalismo é um sistema insubstituível que só é necessário melhorar. E que democracia apenas se deve entender como uma canção de embalar à sombra da qual os ricos enriquecem e os pobres empobrecem. A política correcta eterniza os poderosos no governo das nações. A Igreja, é o ópio do povo (juntamente com o Ensino e a Comunicação Social, áreas de há muito infiltradas pela doutrina católica).

Regressemos, entretanto, ao exemplo do Bankia, começado a abordar na semana passada. É um caso típico da soberba de um poder que se reclama eterno.

Os resultados financeiros alcançados pelo Bankia no seu primeiro exercício foram impressionantes, sobretudo por se registarem num país que se confronta com uma grave crise financeira: em 2011, 309 milhões de lucros líquidos!

Estava-se na presença de um milagre espanhol e o êxito foi exuberantemente assinalado. Com gastos reduzidos, um grupo bancário movimentava biliões de euros.

Porém estranhou-se que em cenários de tamanha prosperidade, o governo espanhol tenha injectado (Maio de 2012) mais 10 mil milhões de euros na instituição. Afinal, o banco tinha dois escassos anos de vida e mantinha-se no primeiro lugar dos «bancos domésticos» espanhóis. Por outro lado, exibia sólidas alianças mundiais, com o J.P. Morgan, a Union des Banques Suisses, o Deutsch Bank, o Barklays, o Goldman Sachs e várias outras potências financeiras. Na própria Espanha, o Bankia recolhia os apoios de forças que, em princípio, deveriam figurar como instituições concorrentes, nomeadamente o Santander, o Sabadell, o Mapfre, o Caixabank, a Mútua Madrilena, o Popular, etc. O homem forte desta dantesca construção chamava-se Rodrigo Rato e os seus dados pessoais devem merecer atenção, não apenas pelo caso do Bankia em si, mas porque ele descreve o paradigma do verdadeiro «chefe» em plena sociedade imperialista illuminati.

Rodrigo Rato y Figaredo formou-se em três universidades católicas, espanholas e norte-americanas. Antes de ocupar a presidência do Bankia, já o seu currículo era longo: ministro da economia nos tempos de Franco, administrador do FMI e do Goldman Sachs, quadro superior dos bancos de desenvolvimento da UE, representante de Espanha no «Grupo dos 7», deputado da direita no Parlamento espanhol e programador das grandes privatizações espanholas…

Retrato espanhol que também é familiar em Portugal. 



Fonte: Jornal Avante


O Mafarrico Vermelho



 

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