III guerra mundial ou «guerra dos monopólios»

III guerra mundial ou «guerra dos monopólios»
por Jorge Messias

«A terceira guerra mundial deverá ser fomentada através do aproveitamento dos conflitos promovidos pelos agentes iluminatti entre o Sionismo político e os dirigentes do mundo muçulmano. A guerra deve ser orientada de tal forma que o Islão e o sionismo político se destruam mutuamente enquanto outras nações se vejam obrigadas a entrar na luta, até ao ponto de se esgotarem física, mental, espiritual e economicamente...» (cartas trocadas, no século XIX, entre Albert Pike da Maçonaria e Giuseppe Menzinne, dirigente da Carbonaria).

«O primeiro a defender que a época capitalista das reformas estava esgotada foi Lénine; fê-lo quando tal vaticínio era, no mínimo temerário. Lénine concluiu que a ruína da política de “paz armada” corresponderia ao fim do período de cedências capitalistas ao proletariado. Por outras palavras: todo e qualquer sistema vive perante a necessidade de realizar mudanças. Todavia, nem todas as mudanças são reformas. Reformas são aquelas que permitem uma melhor distribuição da riqueza, maior encurtamento das desigualdades e a ampliação das liberdades democráticas, sociais e culturais entre a maioria da sociedade» (Valério Arcady, «Lénine, Imperialismo e Revoluções»).
 

Uma síntese, ainda que muito incompleta, da actual situação sócio-económica mundial pode fazer-se recordando que a presente fase de desenvolvimento do capitalismo resulta do abandono da tese da livre concorrência, da concentração brutal dos capitais privados e da acelerada formação de poderosos grupos financeiros, cada vez mais ricos mas em número cada vez menor. Esta concentração da riqueza só se tornou possível através da instalação de monopólios que não apenas ofendem frontalmente os direitos adquiridos pelas lutas dos trabalhadores mas que absorvem, também, grupos de empresas mais vulneráveis, mercados de matérias-primas, centros de controlo das políticas de preços e os patrimónios detidos por influentes camadas sociais, com destaque para as classes médias burguesas. A nova etapa do imperialismo capitalista procura abrir caminho à globalização das sociedades civis e apropriar-se de nichos de interesses (ou clusters) que passarão a vergar-se às ordens incontestáveis dos monopólios.


Como é evidente, a Nova Ordem Mundial tão desejada pelos milionários, implicará em primeiro lugar o apagamento das organizações representativas dos trabalhadores que poderão sobreviver apenas se aceitarem transformar-se em simples peças decorativas do sistema capitalista. Mas só neste caso. À boa maneira fascista, a Nova Ordem (ou Nova Era) caso venha a instalar-se, implicará no plano político o reforço da ditadura do capital e a proliferação de governos nacionais convictos, centralizados e fortes, totalmente partidários das teses de um só império capitalista universal.


É aqui que se levanta a questão inadiável da III Guerra Mundial. Um só Império implica um só Imperador. E a Nova Ordem Mundial dos Monopólios não pode fugir a este princípio básico. Qualquer projecto de império universal exclui a existência de duas tiranias concorrentes. Nem na Terra há sequer espaço para tal. Só a guerra poderá decidir qual dos senhores é o mais forte. É de novo o recurso à velha prova do fogo.


Um conflito com tais dimensões tem por força de ser minuciosamente preparado. Assim, o lançamento das condições estratégicas que irão permitir o desencadear de nova guerra mundial começou a ser assegurado com o termo da II Grande Guerra e com os desenvolvimentos da Guerra Fria. NATO, CIA, CEE, sempre inscreveram no seu quadro de intenções a destruição do marxismo-leninismo como alternativa ao capitalismo político, económico e social.


O objectivo físico a atingir (a destruição da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) era idêntico ao que movera anteriormente a Alemanha nazi. Foi também ao longo da guerra fria (a paz armada prevista por Lénine) que se desenvolveram as teses da guerra das estrelas, da corrida armamentista, do domínio planetário, etc.


Veio, a seguir, a incontestável derrocada dos estados com regime soviético. Vitória curta, entretanto, como agora se vê. O socialismo permanece vivo entre os povos como projecto do futuro. Mas o capitalismo também tem uma dinâmica irreversível que passa pela III Guerra Mundial. Passa… ou por lá fica, consumido pela pulverização do planeta!


Voltaremos a este assunto.


Texto original em Jornal Avante http://avante.pt/pt/1998/argumentos/119144/


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