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domingo, 13 de maio de 2012

O socialismo na URSS – Causas da vitória da contra-revolução


O socialismo na URSS – Causas da vitória da contra-revolução

Por Partido Comunista da Grécia


"Desde há mais de um século que os ataques burgueses contra o movimento comunista, amiúde sob a forma de elitismo intelectual, concentram o seu fogo no núcleo revolucionário do movimento operário; em geral, lutam contra a necessidade da revolução e a sua consequência política, a ditadura do proletariado, que é o poder revolucionário da classe operária."



Temo-nos centrado na experiência da URSS porque constituiu a vanguarda da construção socialista. É necessário um maior estudo sobre o rumo do socialismo nos restantes Estados europeus, assim como o curso do poder socialista nos países asiáticos (China, Vietname, República Democrática da Coreia) e Cuba.


O carácter socialista da URSS baseia-se no seguinte: a abolição das relações capitalistas de produção, a existência de propriedade socialista a que (apesar de várias contradições) se submete a propriedade cooperativa, a planificação central, o poder operário e os êxitos sem precedentes em benefício de todo o povo trabalhador.

Isto não pode ser negado pelo facto de, depois de certo período, o Partido ter perdido gradualmente as suas características revolucionárias e, como consequência disso, as forças contra-revolucionárias terem sido capazes de dominar o Partido e o governo, a partir dos anos 80.


Caracterizamos os acontecimentos de 1989-1991 como uma vitória da contra-revolução, como o derrube da construção socialista, como uma regressão social. Não foi acidental que tais acontecimentos fossem apoiados pela reacção internacional, já que a construção socialista, especialmente durante o período de abolição das relações capitalistas e a fundação do socialismo até à Segunda Guerra Mundial, atacou as bases ideológicas e políticas do imperialismo internacional. Rejeitamos o termo «colapso» [N. do T. o termo no original espanhol que serviu de base a esta tradução é «colapso», embora em Portugal a reacção use mais o termo «implosão»] porque subestima a amplitude da actividade contra-revolucionária, a base social sobre a qual esta se pôde desenvolver e tornar predominante devido às debilidades e desvios do factor subjectivo durante a construção socialista.


A vitória da contra-revolução em 1989-1991 não demonstra que não houvesse um nível mínimo de desenvolvimento das condições materiais necessárias para iniciar a construção socialista na Rússia.

Marx assinalou que à Humanidade só se colocavam problemas que esta tinha capacidade para resolver, já que o problema surge unicamente quando as condições materiais para a sua solução já apareceram. A partir do momento em que a classe operária, a principal força produtiva, luta pelo cumprimento da sua missão histórica, por maioria de razão, com o começo da revolução as forças produtivas desenvolvem-se ao nível do conflito com as relações de produção, com o modo capitalista de produção; por outras palavras, existem as condições materiais para o socialismo sobre as quais se criam as condições revolucionárias.

Lenine e os bolcheviques consideravam que o relativo atraso no desenvolvimento das forças produtivas («nível cultural») não o resolveria nenhum poder intermédio entre os poderes burguês e o proletário, mas a ditadura do proletariado [10].

Na base dos dados estatísticos desse período, as relações capitalistas de produção e a fase monopolista do seu desenvolvimento eram predominantes na Rússia. Foi sobre esta base material que se apoiou o poder revolucionário para a socialização dos meios

concentrados de produção [11]. A classe operária russa, especialmente o seu segmento industrial, fundou os sovietes como núcleos organizativos para a actividade revolucionária, sob a orientação do Partido Comunista (Bolchevique), na luta pela conquista do poder estatal. O Partido Bolchevique, sob a direcção de Lenine, estava teoricamente preparado para a revolução socialista: análises da sociedade russa, teoria do elo mais débil da cadeia imperialista, análises da situação revolucionária e teoria da ditadura do proletariado. Mostrou uma capacidade característica para ajustar a sua estratégia com as correspondentes – em cada fase do desenvolvimento da luta de classes – tácticas: alianças, consignas, manobras, etc.


No entanto, o socialismo enfrentava outras dificuldades específicas, dado o facto de a construção socialista ter começado num país com um nível menor de desenvolvimento das forças produtivas (debilidade média, como V.I. Lenine o definia), em comparação com os países capitalistas avançados [12] e uma muito elevada desigualdade na distribuição do desenvolvimento, devido à ampla sobrevivência de relações pré-capitalistas, especialmente nas ex-colónias asiáticas do império czarista. A construção socialista começou depois da enorme destruição bélica da Primeira Guerra Mundial, enquanto as potências capitalistas, como os EUA, nunca experimentaram uma guerra dentro das suas fronteiras. Ao contrário, utilizaram a guerra para superar a grande crise económica dos anos 30.

O gigantesco desenvolvimento económico e social alcançado em tais condições demonstra a superioridade das relações comunistas de produção. Os acontecimentos não confirmam as afirmações de várias correntes oportunistas e pequeno-burguesas. As análises social-democratas relativas à imaturidade da revolução socialista na Rússia não se confirmaram, tal como as posições trotskistas que afirmavam ser impossível construir o socialismo na URSS. A análise de que a sociedade que surgiu depois da Revolução de Outubro não era de carácter socialista ou que rapidamente degenerou depois dos primeiros anos da sua existência, e por isso era inevitável a interrupção dos 70 anos de história da URSS, é subjectiva e não se apoia nos factos.

Rejeitamos as teorias que afirmam que estas sociedades eram uma forma de um «novo sistema explorador» ou uma forma de «capitalismo de estado», tal como afirmam várias correntes oportunistas.

Mais, os acontecimentos não validam a posição global da corrente «maoista» relativa à construção socialista na URSS, à classificação da URSS como social-imperialista, à aproximação da China aos Estados Unidos, bem como às inconsistências em temas da construção socialista na China (por exemplo, o reconhecimento da burguesia nacional como aliado na construção socialista, etc.).

A nossa análise crítica tem como parte integrante a defesa da construção do socialismo na URSS e noutros países.

A contra-revolução na URSS não foi o resultado de uma intervenção militar imperialista, mas antes um processo interno e desde cima, resultado da mutação oportunista do PCUS e a consequente direcção política do poder soviético. Priorizamos os factores internos, as condições socio-económicas que reproduzem o oportunismo sobre a base da construção socialista, naturalmente sem subestimar o efeito a longo prazo e a interferência multifacetada do imperialismo no desenvolvimento do oportunismo e a sua evolução como força contra-revolucionária.

Na base da teoria do comunismo científico, formulámos um estudo nas seguintes alíneas:

• A economia, isto é, o desenvolvimento das relações de produção e distribuição em socialismo, como base para o aparecimento e resolução das contradições e das diferenças sociais.

• O funcionamento da ditadura do proletariado e o papel do Partido Comunista na construção socialista.

• A estratégia e os acontecimentos no movimento comunista internacional.

O curso da construção de uma nova sociedade na União Soviética esteve determinado pela capacidade do Partido Comunista Bolchevique no cumprimento do seu papel revolucionário, o seu papel de guia. Em primeiro lugar, a sua capacidade de processar e formular, a cada passo, a necessária estratégia revolucionária, para confrontar com o oportunismo e dar uma resposta decidida às novas questões e desafios que surgiam com o desenvolvimento do socialismo-comunismo.

Até à Segunda Guerra Mundial foram-se criando as bases para a nova sociedade. Estava a levar-se a cabo com êxito a luta de classes que levaria à abolição das relações capitalistas e à supremacia do sector socializado da produção, sobre a base da planificação central. Obtiveram-se resultados impressionantes quanto ao crescimento e à prosperidade social.

Depois da Segunda Guerra Mundial e da reconstrução pós-bélica, a construção socialista entrou numa nova fase. O Partido defrontou-se com novas experiências e desafios relativos ao desenvolvimento do socialismo-comunismo. O XX Congresso do PCUS (1956) é um ponto de inflexão, visto que nesse congresso se adoptaram uma série de posições oportunistas sobre temas económicos, sobre a estratégia do movimento comunista e das relações internacionais. A correlação de forças que existiu durante a luta anterior viu-se alterada, consolidando-se uma reviravolta a favor das posições revisionistas e oportunistas que resultaram no Partido ter começado, gradualmente, a perder as suas características revolucionárias. Na década de 80, com a perestroika, o oportunismo desenvolveu-se completamente como força traidora e contra-revolucionária. As forças comunistas coerentes que reagiram na fase final da traição, no XXVIII Congresso do PCUS, não conseguiram denunciar adequadamente essas posições nem organizar a reacção revolucionária da classe operária.



Parte do texto publicado pelo KKE - RESOLUÇÃO DO XVIII CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA DA GRÉCIA





6 comentários:

  1. Parabéns Vcs São Uns Idiotas Úteis. Pois sabem que o Comunismo está Falido e Pede esmolas... Aqui no Brasil é Facil ser Comunista, Pq não vai pra Cuba ou Coréia do Norte, onde a Miséria e fome imperam.. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Idiotas úteis ( Mises Refutou a Teoriazinha de Marx... LEIA a Ação Humana de Mises, Bando de Otários) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    1. Dá pra ver que esse fascistazinho é muito burro! Ele num sabe que o IDH de Cuba é superior ao do Brasil.

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    2. Dá pra ver que esse fascistazinho é muito burro! Ele num sabe que o IDH de Cuba é superior ao do Brasil.

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  2. Eu,filho de pobres trabalhadores do campo e um simples operário emigrante na Holanda onde resido desde 1964 e já velhote,91 anos,digo simplesmente que foi a Pulhice Humana que adulterou,que conspurcou,que aviltou,que corrompeu,que atraiçoou o Ideal que pretendia construir uma Comunidade Socialista e futuramente Comunista na URSS.

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  3. Os traidores egoístas, analfabetos políticos, grande parte da burguesia e similares, são os que apoiam este sistema capitalista genocida e que já provou há muito que é um verdadeiro fracasso!

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