Juan Manuel Santos:Narcotraficante de turno na Presidência da Colômbia



Juan Manuel Santos:

Narcotraficante de turno na Presidência da Colômbia

Por:José Paulo Gascão



A eleição de Juan Manuel Santos como sucessor de Álvaro Uribe na presidência da República é «o triunfo ilegítimo da continuidade, repudiado pela abstenção da cidadania», como definiram as FARC em comunicado de 21 de Junho passado [1].

O artificial conflito criado com o seu antecessor, no período que mediou entre a sua eleição e a posse, e a luzidia cerimónia de posse com a presença de 16 Chefes de Estado, alguns deles que se reivindicam de liderar «processos de mudança» nos seus países, internamente, corresponde à necessidade da oligarquia colombiana e do imperialismo procurarem fazer crer que se afastam de Uribe, e externamente, é a tentativa de legitimação de um regime umbilicalmente ligado ao narcotráfico e ao paramilitarismo, responsável por milhares de assassínios e milhões de desapossados e deslocados das suas terras.

Com uma cara que não engana, Juan Manuel Santos é o membro destacado para a vida política activa de uma das mais poderosas famílias colombianas. Ligada à comunicação social desde a compra de El Tiempo em 1913 (o único diário colombiano de circulação nacional), a família Santos domina ainda, entre outros negócios fora da comunicação social, 4 semanários, 1 TV, 1 TV por subscrição, o serviço informativo e de entretenimento dos possuidores de telemóveis da rede da Vivemovil, 11 revistas e 8 portais de internet.

Sobrinho-neto de Eduardo Santos, presidente da Colômbia em 1938-1942, a saga de Juan Manuel Santos e da família confunde-se com a história da exploração desenfreada, da repressão e da tortura, do assassínio político, do crescimento exponencial do narcotráfico e do paramilitarismo nos últimos 80 anos da Colômbia.

No início da década de 90 do século passado, Juan Manuel Santos liderou a privatização da Segurança Social e a entrega dos seus fundos à iniciativa privada, através de um decalque da lei chilena de Pinochet, o que tornou «a possibilidade de aceder a uma pensão em algo inacessível aos trabalhadores». Como prémio, em 1991, o presidente César Gaviria – responsável pelo genocídio da União Patriótica, com cerca de 4.000 mortos – entregou-lhe a pasta da Indústria e Comércio, o que permitiu a Juan Manuel Santos executar um processo de privatização de empresas públicas e de desregulação da economia colombiana. Mais tarde, como ministro da Fazenda de Pastraña, 2000-2002, infringiu leis e a própria Constituição na privatização de empresas do Estado, o que lhe valeu um processo inconclusivo por «responsabilidade fiscal e dano patrimonial do Estado».


A FAMILIA SANTOS,

O NARCOTRÁFICO E O PARAMILITARISMO

As relações da família Santos com o narcotráfico não se limitaram a Álvaro Uribe que, segundo um relatório do Departamento de Inteligência dos EUA de Setembro de 1991 desclassificado em Julho de 2004, estava «dedicado à colaboração com o cartel de Medellin ao mais alto nível governamental» e «a um negócio de narcóticos nos EUA» [2], o não impediu que Álvaro Uribe fosse, durante os oito anos dos seus dois mandatos, o mais fiel e dedicado aliado dos EUA.

Em Outubro de 1997 Juan Manuel Santos teve um encontro com os narcotraficantes Carlos Castaño e Vitor Carranza para apear o presidente Samper, conforme afirma o primeiro no seu livro «Mi Confesión»; dias depois, «anuncia um plano de paz com os paramilitares»; recentemente, foi tornada pública uma gravação em que Castaño convida Salvatore Mancuso [chefe do paramilitarismo] para uma reunião com outro membro da família», Guilherme Santos; em Maio de 2004, Juan Manuel Santos crítica dura e publicamente uma jornalista de El Tiempo, Maria Duzán, por esta «ter acabado com a honra de um dos seus amigos, Diego Rojas». Na altura, havia um mandato de captura sobre este «amigo» de Juan Manuel Santos por estar «ao serviço do narcotráfico em Valle de Cauca».

Esta resumida selecção de factos do registo criminal não judicial da família Santos ficaria incompleta se não referisse a acusação da jornalista Virgínia Vallejo, ex-amante de Pablo Escobar: os três membros da família Santos no consulado de Uribe, o vice-presidente, o ministro do Ambiente, da Habitação e do Desenvolvimento Territorial e o ministro da defesa (Juan Manuel Santos) «fizeram uma aliança com Pablo Escobar [chefe do cartel de Medellin] e assim conseguiram reforçar o seu empório, aliança que hoje se reforça com os herdeiros do cartel de Medellin encabeçados por Álvaro Uribe Velez» [3].

A DECLARAÇÃO CONJUNTA

DE CHÁVEZ E JUAN MANUEL SANTOS

A assinatura de uma «Declaração de Princípios» que paute o relacionamento entre países desavindos e o regozijo pelo início de uma política comum de boa vizinhança é não só desejável como necessária, mas o documento assinado e o discurso de Chávez não só não garantem esse futuro, como são uma ajuda à poderosa campanha mediática em curso, de legitimação do criminoso regime colombiano.

Sem querer alongar-me, não posso deixar de sublinhar que, se há um ano Chávez congelou as relações com a Colômbia, pela autorização do governo de Uribe de instalar 7 bases dos EUA naquele país, agora, nem na «Declaração de Princípios» nem no seu discurso de apresentação do documento há uma palavra sobre o assunto. Será que as bases dos EUA já não ameaçam a região?

Se no princípio de 2008 Chávez apelava às organizações internacionais para que reconhecessem o estatuto de «força beligerante» às FARC e se oferecia para facilitar o diálogo entre os beligerantes para uma solução negociada do problema da Colômbia, numa clara manifestação de realismo e senso comúm, agora no discurso de Santa Marta disse que o seu governo «não apoia nem permite nem permitirá a presença de guerrilha nem terrorismo (…) ou o que quer que se chame».

A dificuldade de relacionamento entre os dois países será uma realidade enquanto a Venezuela caminhar no sentido da consolidação do processo de mudança em curso e a Colômbia for dominada pela oligarquia ora reinante em aliança com o imperialismo norte-americano. Nada têm de pessoal. Engana-se quem pensar ou agir como se fosse possível com a eleição do ex-ministro da Defesa de Uribe alguma mudança política sensível.

Juan Manuel Santos, tal como Álvaro Uribe, não só defendem e defenderão os interesses da oligarquia e dos narcotraficantes colombianos que integram e do imperialismo, como terão bem presente a sorte do general panamenho Manuel Noriega, só caído em desgraça quando procurou resgatar para o país a soberania plena do canal do Panamá.

Império algum perdoa a fuga dos servidores.

Notas:


[2] Para aceder ao texto completo do documento do Departamento de Inteligência dos EUA, ver a apresentação do artigo «Histórias de Romanos na Colômbia de hoje» em www.odiario.info/?p=1696 e clicar a seguir à palavra anexo.



texto original em Odiário .info http://www.odiario.info/?p=1711

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