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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Colômbia: notícias silenciadas…


Colômbia: notícias silenciadas…

Por: Pedro Campos


1. Denúncia é cortina de fumo…
Ramiro Bejarano é ex-chefe da DAS, Departamento Administrativo de Segurança ou serviço secreto colombiano. Como tal, é muito o que sabe e talvez ainda mais o que esconde. Numa entrevista recentemente dada à RCN, principal rede de estações de rádio da Colômbia, afirmou que considera que a denúncia feita pelo seu governo no sentido de que os guerrilheiros se escondem na Venezuela, foi uma «cortina de fumo» para desviar a atenção das declarações de um ex-funcionário do serviço secreto que comprometem Uribe. Esse antigo membro da DAS, que agora está preso, é Fernando Tabares e durante interrogatórios realizados de 9 a 13 de Julho revelou que o presidente estava envolvido nos casos de espionagem a magistrados, políticos e jornalistas.


2. Vala comum... tão comum que não surpreende!
No momento em que o embaixador deliquente Luis Alfonso Hoyos apresentava as tais provas «irrefutáveis» sobre o apoio de Caracas aos guerrilheiros colombianos, outra notícia, esta absolutamente verdadeira, era silenciada. Nesse mesmo dia, uma comissão internacional composta por euroedeputados e sindicalistas britânicos confirmava a existência, em Macarena, no Meta, da maior vala comum jamais vista na América Latina. Os camponeses da região falam em dois mil corpos, a revista Semana, dias depois, em «centenas de cadáveres», o governo diz que esses não são os números. Claro, uma vala comum na Colômbia não é notícia! Imaginemos como seria se o achado fosse em terras venezuelanas, bolivianas ou equatorianas!

Ao que tudo indica, este macabro acontecimento está ligado à política dos «falsos positivos» de Uribe Vélez. O sacerdote Javier Giraldo, em declarações à Semana afirma que esses mortos sem identificar correspondem a «execuções extrajudiciais». A senadora liberal Piedad Córdoba esclarece: «Aqui foi onde começou realmente a política que se conhece como falsos positivos; os assassínios a sangue-frio para reclamar recompensas, para conseguir promoções, para pedir férias...»


3. Bases militares são ilegais...
É assim que opina Jorge Ivan Palácio, em resposta a uma petição para declarar inconstitucional a instalação das sete bases militares de Washington. Para o jurista do Tribunal Constitucional, a sua aprovação corresponde ao parlamento (não ao governo) e pediu um período de um ano para que se cumpram os prazos constitucionais. O juiz afirma que se trata de um novo acordo militar e não a continuação de um anterior já assinado. De facto, a Sala de Consulta do Conselho de Estado já tinha afirmado a necessidade de que o acordo contasse com a aprovação do legislativo, porque as condições que o rodeavam não estavam dentro dos parâmetros do acordo de cooperação bilateral já existente. Essa não foi a opinião de Uribe Vélez, que passou descaradamente por cima da recomendação de vários advogados. O Tribunal tem até 17 de Agosto para decidir sobre a tese do magistrado.


4. A pobreza é um «crime» que se paga com a morte...
Felipe Zuleta é o autor deste documentário fundamental para conhecer alguns aspectos do drama dos «falsos positivos» e que se pode ver em: http://www.youtube.com/watch?v=LOOfXTkk_E8. Nesse trabalho é denunciado o drama das famílias de onze jovens de Soacha que foram recrutados e abatidos pelo exército colombiano alegadamente por serem guerrilheiros. Zuleta é advogado, político e jornalista, vem da oligarquia bogotana – neto de presidente da República – e já exerceu vários cargos públicos. É igualmente um opositor a Uribe Vélez, a quem acusa de estar ligado a grupos de narcotraficantes e paramilitares e de promover a limitação das liberdades e direitos civis. Para que não se pense que Felipe Zuleta é esquerdista, acrescente-se que viveu refugiado no Canadá durante nove anos, alegadamente por ameaças das FARC. Agora está de volta em Bogotá, onde publica uma coluna no jornal El Espectador.


5. Matem à vontade, que eu pago!
Foi nisto que se converteu uma instrução secreta de Uribe datada de 2005. Agora, o Comité de Direito Humanos da ONU questiona-a porque resultou na execução extrajudicial de mais de mil inocentes. Em nome do Comité, Fabian Savioli quer saber se a »Colômbia vai abandonar os incentivos económicos (... ) e tirar conclusões dos chamados ‘falsos positivos’ (...) são muito casos (...) de execuções sumárias que foram camufladas para receber uma recompensa». O governo uribista argumenta que instruções de 2008 e 2009 substituíram a de 2005. Entretanto, os mortos continuam.




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