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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Da Madeira, com raízes


O ôvo da serpente fascista

Estamos assistindo ultimamente a várias tentativas de criminalizar o Comunismo no mundo. Na Europa, os países Bálticos já estão reabilitando os fascistas que participaram, inclusive, do cêrco à Leningrado. Isso sem falar no que vem acontecendo na Republica Tcheca, Polônia e outros. No parlamento Europeu os conservadores aprovaram uma moção considerando o comunismo um dos males da humanidade igual ao nazismo. No Brasil, outro dia li um texto do Boris Fausto, dizendo que o Stálin foi pior que o Hitler........

Devemos estar atentos e combater duramente esses porta-vozes fascistas, que recorrem a meias-verdades, mentiras das mais deslavadas, falsificações históricas em relação a gloriosa União Soviética.

Atacando Stálin por exemplo, na verdade estão atacando também Lenin, Marx e todo o legado comunista, travando assim a emancipação humana.


Não passarão!!!!

O mafarrico








Da Madeira, com raízes



«O anticomunismo é o espelho onde os fascistas se olham e se vêem belos». Que outra frase poderia comentar melhor a decisão de Jardim de fazer a sua rapaziada de turno no Parlamento regional votar a proibição do comunismo?

Correia da Fonseca* - 02.08.09

Poderá pensar-se e dizer-se que foi mais uma bruteza como tantas outras que nos têm chegado do Funchal, e que por isso mesmo o melhor será não lhe ligar nenhuma importância. Pois sim. Mas em casos como este, isto é, quando o destempero assume a forma de uma provocação directa e, mais e pior que isso, se insere ainda que toscamente numa linha que é específica e tradicional do nazifascismo, não será total perda de tempo esgravatar-lhe um pouco a superfície para vermos o que está por baixo. Refiro-me, é claro, à proposta do famigerado Jardim no sentido da proibição do PCP mediante alteração constitucional. No dia em que ela, a proposta, lhe saiu pela boca fora, foi um fartote na televisão portuguesa: dir-se-ia que não passou meia hora sem que um ou mais canais retransmitissem o momento em que a criatura bolsara aquela ideia porventura excelente, de qualquer modo notável. Porém, aparentemente alguém deu conselhos ao senhor doutor ou ele próprio terá caído em si quando se lhe dissiparam os fumos do entusiasmo, de tal modo que em declarações posteriores foi claro que engrenara um pouco em marcha-atrás.

Não nos iludamos, contudo: aquilo funcionou, intencionalmente ou não, como balão de ensaio, e nessa condição a coisa estava feita. Bem foi reparado, de resto, o silêncio do PSD a destoar da rejeição generalizada da proposta vinda da Madeira. É claro que esse silêncio é susceptível de ser interpretado de diversos modos, e já por isso comporta uma espécie de fecundidade tóxica, mas é legítimo e quase inevitável pensar-se que o estado-maior pêèssedaico estaria a reflectir, a pensar. Em vez de reagir como a vergonha lhe exigiria.

Nunca esqueci uma frase da jornalista francesa Françoise Giroud, bem longe de ser sequer simpatizante comunista, que há muitos anos li no «L’Express»: «O anticomunismo é o espelho onde os fascistas se olham e se vêem belos». De facto, viu-se que alguns filofascistas lusitanos, sentindo talvez alguma brisa de feição, se atreveram a vir ao terreiro da comunicação social para aplaudirem a ideia que iluminara o crânio do doutor Jardim, e não consta que por isso tenham sido convidados a submeterem-se a qualquer teste. Até convém que lhe fixemos os nomes para que não esqueçamos do que são capazes alguns dos indivíduos que têm tribuna destacada em órgãos de comunicação social que, por pertencerem ao poder económico-financeiro, recebem a qualificação de «independentes».

Mas o mais importante é talvez percebermos que a floração daquela ideia na presidencial caixa craniana não ocorreu por acaso: bem pelo contrário, foi o resultado do muito adubo completamente orgânico que ao longo de décadas tem vindo a ser lançado sobre um punhadão de sementes que encontram na ignorância, na despolitização endémica e na falta de escrúpulos de figurões ambiciosos ou/e a soldo terreno propício. A que é talvez a primeira entre todas elas, frequentemente a funcionar como «a mãe de todas as infâmias», é a que repete ser «o comunismo igual ao fascismo» embora «de sinal contrário». Trata-se, creio, de um produto de importação, suponho que originário da Europa central, mas que por cá tem sido usado abundantemente, pelo que parece inevitável que se tenha tornado uma das grandes raízes do anticomunismo militante.

Mas há mais, é claro. A tentativa, catalogável como sendo para uso de imbecis acéfalos, de responsabilizar os comunistas portugueses por crimes alegados ou efectivos praticados há meio século na Sibéria ou em Moscovo tem tanta validade como a de responsabilizar o doutor Barroso pelo massacre dos Sioux ou o professor Cavaco, conhecido admirador da Grã-Bretanha, pela guerra contra os boers.

Quanto a claras imposturas como as que sustentam que a Revolução de Abril foi um tempo de «terror vermelho» porque os comunistas estariam «no poder», só testemunham, perante a avaliação de gente séria e minimamente informada, que a calúnia anticomunista não encara limites.

São estas imposturas repetidas ao longo de décadas, tornadas raízes que fornecem suposta solidez ao anticomunismo mais tacanho mas muito generalizado, que explicam este mais recente desvario de Jardim. Mas o fenómeno não termina aí: uma intervenção pública como esta, mesmo que desaprovada por várias vozes, vem revigorar o efeito das calúnias no espírito de alguma gente já há muito infectada pelo vírus da mentira anticomunista sem princípios mas com fins


* Correia da Fonseca é amigo e colaborador de odiario.info
· Original em http://www.odiario.info/articulo.php?p=1248&more=1&c=1

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