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sábado, 7 de janeiro de 2017

O capitalismo não cairá sozinho, é preciso derrubá-lo

O capitalismo não cairá sozinho, é preciso derrubá-lo
por Fernando Bossi Rojas
"O detalhe está em que o capitalismo não cairá por si só, nem colapsará por mera “implosão”, como desejam muitos, fundamentalmente aqueles que negam a luta de classes. O capitalismo, entendo, terá que ser derrotado, destruído e sepultado a partir de um profundo processo revolucionário, que inclui, de uma forma ou de outra, a ditadura do proletariado, ou a ditadura das maiorias, ou como quiser se chamar esse período em que a contrarrevolução terá que ser tratada inflexivelmente. Sobram descrições e prognósticos mas faltam, sobre essas análises e descrições – valiosas, sem dúvida –, propostas concretas."

"Sem organização, consciência e disciplina da classe operária, não vislumbro possibilidade alguma de socialismo. E para nossos países, espoliados pelo imperialismo, entendo que a frente anti-imperialista e de libertação nacional tem também vigência, considerando que em seu seio o partido da classe operária deve lutar para conduzi-la. As experiências nacional-burguesas de Brasil e Argentina testemunham que a condução burguesa, por mais “nacional” que se diga, deriva sempre em claudicação ou derrota."
Começando pelo próprio Marx e chegando até o momento atual, observamos que muitos intelectuais e pensadores de esquerda em geral vêm sustentando que a crise terminal do sistema capitalista é um fato demonstrado. A cada crise cíclica do capitalismo aparece a sentença inapelável de que o sistema está caindo. Incluindo, obviamente, a crise de 2008.

Talvez seja assim, não o nego, mas o sistema capitalista, atualmente, não parece reconhecer esse categórico veredito ou, ao menos, se o analisamos pelo tempo que se passou, a suposta agonia se apresenta muito prolongada. No entanto, o discurso se repete periodicamente: “ao diminuir a taxa de lucro, etcetera, etcetera, etcetera…”

O detalhe está em que o capitalismo não cairá por si só, nem colapsará por mera “implosão”, como desejam muitos, fundamentalmente aqueles que negam a luta de classes. O capitalismo, entendo, terá que ser derrotado, destruído e sepultado a partir de um profundo processo revolucionário, que inclui, de uma forma ou de outra, a ditadura do proletariado, ou a ditadura das maiorias, ou como quiser se chamar esse período em que a contrarrevolução terá que ser tratada inflexivelmente. Sobram descrições e prognósticos mas faltam, sobre essas análises e descrições – valiosas, sem dúvida –, propostas concretas.

O que poderia ocorrer se, de uma vez por todas, estoura a tão famosa bolha financeira? E se o dólar se arruína? E se for declarada uma guerra entre China e Estados Unidos ou entre Rússia e OTAN? Seguramente, muitas coisas poderiam acontecer, mas isso implicaria na irrupção do socialismo como consequência da debacle do funcionamento do sistema? Ou ele se recomporia através de seu próprio metabolismo?

As contradições do capitalismo, ao se agudizarem, vão criando as condições para o avanço das forças revolucionárias, mas isso se essas forem se preparando e preparando as massas para – em princípio – a tomada do poder… Isso está acontecendo? Aparecem no cenário mundial forças organizadas com capacidade de confrontar com êxito o sistema? E a V Internacional proposta pelo Comandante Chávez?

Não seria interessante que a intelectualidade e a direção de esquerda se pronunciassem a esse respeito? Quem está de acordo e quem não está? Se estão de acordo, por que ninguém se anima a convocá-la? Se não estão de acordo, por que não fundamentar as razões? Uma internacional socialista ou uma internacional mais ampla, anti-imperialista?

Em que resultou o tão bombástico movimento alterglobalizador nucleado em torno do Fórum Social Mundial? Morreu sem pena nem glória? Ficou reduzido a um mero grupo de organizações financiadas por suspeitosas ONGs?

E os partidos revolucionários? Seguem sendo necessários? Os movimentos sociais são os novos agentes da revolução? E a classe operária? E as frentes anti-imperialistas?

Em 2017 se celebrará o centenário da gloriosa Revolução Russa. Esses dias que abalaram o mundo, nas palavras de John Reed, tiveram como protagonistas principais o proletariado russo, os sovietes de operários, soldados e camponeses e seu partido revolucionário como vanguarda, o Partido Bolchevique conduzido por Lenin.

Para quem escreve estas linhas, a vigência do partido dos trabalhadores, da classe operária, segue intacta. Sem organização, consciência e disciplina da classe operária, não vislumbro possibilidade alguma de socialismo. E para nossos países, espoliados pelo imperialismo, entendo que a frente anti-imperialista e de libertação nacional tem também vigência, considerando que em seu seio o partido da classe operária deve lutar para conduzi-la. As experiências nacional-burguesas de Brasil e Argentina testemunham que a condução burguesa, por mais “nacional” que se diga, deriva sempre em claudicação ou derrota.

Não é hora de voltar a discutir esse temas? O que os intelectuais de esquerda estão contribuindo nessa direção? São conscientes de que o tempo não nos favorece, que a barbárie começa a se apoderar do planeta? Fidel não nos advertiu que a espécie humana, se continuarmos nesse caminho, está em perigo de extinção?

A cem anos da Revolução Proletária Russa muitos que se dizem de esquerda renunciaram a dar o protagonismo à classe operária na tarefa de derrotar o capitalismo. Existe até os que, fazendo cálculos surreais, assinaram a ata de extinção dos trabalhadores como classe! Como se fosse exclusivamente pela quantidade que os operários estão designados a ser os coveiros do capitalismo! E se não são os trabalhadores, quem serão os principais forjadores da sociedade socialista? Tampouco, não faltam outros que pretendem nos retroceder a sociedades idílicas, apenas existentes em suas paranoicas cabeças. E há também farsantes, disfarçados de esquerdistas que pregam que através do inteligente uso da internet vai se conseguir derrotar o capitalismo!

Acreditamos que para mudar o sistema são necessárias a organização, a consciência e a disciplina revolucionárias. Então, desde essa tribuna seguimos trabalhando pela constituição de partidos da classe operária, para avançar a uma formação de verdadeiras frentes anti-imperialistas de libertação nacional em nossos países oprimidos, e também por uma nova Internacional que vincule os esforços de todos os povos do mundo que se rebelam contra a opressão imperialista, primeira etapa para acumular forças que deem o golpe certeiro e definitivo na barbárie capitalista. Essa, acreditamos, é a principal tarefa dos socialistas de hoje, do ano de 2017 e daqueles que virão.

A única certeza que podemos apontar para 2017 é que viveremos um ano de preocupantes incertezas. A disjuntiva atual para o mundo inteiro, como nos dizia Dona Rosa, não é outra senão “Socialismo ou barbárie”, etapa que acreditamos estar passando atualmente.




Tradução do Diário Liberdade



Fonte: http://www.portalalba.org/



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