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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Crime do imperialismo no coração da Europa

Crime do imperialismo no coração da Europa
por Rui Namorado Rosa

"Sob a direção do imperialismo norte-americano, com a cumplicidade interesseira de parceiros europeus, mormente Alemanha e França, com o concurso subversivo de redes criminosas, e mediante sucessivas intervenções militares ilegais (aéreas e terrestres) da força bruta da NATO"

"Este ano, para «celebração» do 20.º aniversário desse trágico episódio da longa guerra de desmembramento da República Federal Socialista da Jugoslávia, o ex-presidente dos Estados Unidos da América Bill Clinton – actor, promotor e decisor à época – atravessou o Atlântico até ao coração da Europa para participar – como compungido «histórico» líder político e moral – na «comemoração» do aniversário do massacre de Srebrenica (Bosnia-Herzegovina). Cena de teatro que procura escamotear os grossos interesses e os maiores crimes, e igualmente dissimular os seus mais altos responsáveis."

"O imperialismo não respeita os povos nem a verdade. É criminoso e mentiroso."

O desmembramento da República Federal Socialista da Jugoslávia foi um objectivo continuado do imperialismo desde 1990 até à sua «conclusão» em 2008. O que fora um país soberano e insubmisso, com recursos humanos e econômicos e posicionamento invejáveis, que resistira heroicamente e se libertara da agressão nazi-fascista ao longo e até ao fim vitorioso da II Guerra Mundial, um exemplo sucedido de organização federal de um complexo xadrez sócio-cultural, foi destroçado em sete estados diferentes e naturalmente mais frágeis no plano internacional.

Sob a direção do imperialismo norte-americano, com a cumplicidade interesseira de parceiros europeus, mormente Alemanha e França, com o concurso subversivo de redes criminosas, e mediante sucessivas intervenções militares ilegais (aéreas e terrestres) da força bruta da NATO – o que sucedeu então pela primeira vez e já posteriormente à dissolução do Pacto de Varsóvia! A justificação hipocritamente propagada era «culpa» das próprias vítimas, a sua diversidade étnica e religiosa, a procura e evolução do quadro constitucional do seu país, a acomodação das respectivas diferenças.

Para iludir quem foram e são os primeiros responsáveis pelos crimes cometidos contra a ordem internacional e contra os direitos humanos, no que mais do que guerra civil foi sobretudo uma agressão militar estrangeira arquitectada e prosseguida em grande escala, foi então constituído em 1993 pela ONU um certo ad hoc Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Jugoslávia para julgar, não os agressores externos e o consequente aniquilamento da soberania de um estado membro da ONU, mas antes as partes nos diferendos internos – sinistra ironia. Depois, também para iludir o que de mais relevante esteve e está em causa, repetem-se rituais de evocar, louvar ou achincalhar atores ou incidentes internos daquele país.

Este ano, para «celebração» do 20.º aniversário desse trágico episódio da longa guerra de desmembramento da República Federal Socialista da Jugoslávia, o ex-presidente dos Estados Unidos da América Bill Clinton – actor, promotor e decisor à época – atravessou o Atlântico até ao coração da Europa para participar – como compungido «histórico» líder político e moral – na «comemoração» do aniversário do massacre de Srebrenica (Bosnia-Herzegovina). Cena de teatro que procura escamotear os grossos interesses e os maiores crimes, e igualmente dissimular os seus mais altos responsáveis.

Sete estados ocupam agora a área da antiga Jugoslávia; destes, Eslovénia, Croácia e Sérvia mantêm economias viáveis, sendo Alemanha, Itália e Áustria os seus principais parceiros comerciais na Europa, laços de circunstância geográfica e que remontam a antecedentes históricos; pelo contrário, Macedónia, Montenegro e Kosovo têm dimensão económica irrelevante – alvos vulneráveis úteis como paraísos fiscais, entrepostos militares e espionagem, esconderijo de criminosos. Hoje, o campo Bondsteel no Kosovo é a maior base construída pelos EUA desde a Guerra do Vietname; 500 hectares «apropriados» em 1999, aquando da «libertação do Kosovo», junto à fronteira com a República da Macedónia, chave e cancela do imperialismo norte-americano no coração da Europa.

O imperialismo não respeita os povos nem a verdade. É criminoso e mentiroso.








Fonte: Avante

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