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domingo, 27 de novembro de 2016

"As maiores homenagens ao camarada Fidel Castro"

"As maiores homenagens ao camarada Fidel Castro"
Por professor José Maria Sison,

"Fidel Castro será sempre lembrado como um grande líder revolucionário que defendeu ferrenhamente sua terra. Como alguém que realizou o que foi possível e que continuou a lutar pela causa da libertação nacional e social, pelo socialismo e pelo objetivo final do comunismo, a despeito das condições funestas resultantes da traição do socialismo por parte dos revisionistas modernos; do colapso da União Soviética e a subsequente ofensiva ideológica, política, econômica e militar dos EUA e seus aliados imperialistas. Ele compreendeu que estamos agora em um período sem precedentes de aprofundamento da crise capitalista e guerras inter-imperialistas, que antecederão um novo surto de embates revolucionários em escala global. "

Nós na Liga Internacional da Luta dos Povos (ILPS) expressamos nossas mais sinceras condolências para a família Castro, ao povo cubano, ao Partido Comunista de Cuba e ao Governo de Cuba pelo falecimento do camarada Fidel Castro, grande líder revolucionário do povo cubano e fundador do Partido Comunista de Cuba.

Nós lhe prestamos as maiores homenagens por sua liderança na luta revolucionária de seu povo e por ter alcançado imensas vitórias na defesa da independência e soberania nacional, por ter avançado na causa do socialismo, contribuído para as lutas de libertação nacional e social ao redor do mundo e por ter inspirado os povos a perseverar na luta pelo socialismo e comunismo contra o imperialismo norte americano e toda e qualquer reação.

A grandeza da Revolução Cubana sob a liderança de Fidel Castro é imediatamente reconhecida ao considerarmos o fato de que Cuba é apenas um pequeno país a 90 milhas de distância dos Estados Unidos. Ainda assim o povo cubano teve sucesso em libertar-se do monstro imperialista; em frustrar suas agressões como a realizada no caso da Baía dos Porcos, em responder às ameaças de ataques nucleares, impedir inúmeros atos de sabotagens e tentativas de assassinato contra Fidel Castro e prevalecendo diante do mais longo embargo já sustentado pelo imperialismo norte americano contra um país.

A Revolução Cubana foi vitoriosa por conta da harmonia entre o indomável espírito revolucionário de Fidel Castro, seu domínio da tática e da estratégia, sua perseverança em relação às necessidades e demandas do povo cubano, bem como a determinação deste em lutar e ganhar quando desperto, organizado e mobilizado. Como estudante universitário de Direito, de uma família de fazendeiros, Fidel Castro tomou partido dos oprimidos e explorados, se opondo à brutal e corrupta ditadura de Batista e fundou uma organização socialista revolucionária e clandestina, chamada O Movimento.

O Movimento lançou um ataque ao quartel de Moncada em 26 de Julho de 1953. A ação falhou como operação militar, mas alcançou êxito em incendiar o espírito de resistência entre o povo e a juventude. Fidel Castro, junto de muitos outros que participaram do assalto ao quartel de Moncada foram presos. A clausura deu-lhe a oportunidade de ler trabalhos revolucionários, incluindo os de Marx, Lênin e Martí. Seu discurso no tribunal, ''A História me absolverá'', se tornou uma poderosa arma de agitação.

Castro foi solto da prisão em 1955 e deixou Cuba para se dirigir ao México. Ele reagrupou seu movimento e o re-nomeou como Movimento 26 de Julho, em homenagem ao assalto ao quartel de Moncada. Com seu camarada argentino, Ernesto ''Che'' Guevara e outros, navegou de volta para Cuba a bordo do Granma para organizar a guerra de guerrilhas contra o regime de Batista. Sob suas direções estratégicas, as pequenas guerrilhas cresceram até se tornarem grandiosas; de fracas se tornaram poderosas, capazes de deixar em pedaços as tropas de 5000 mil homens, espinha dorsal do exército de Batista, em Sierra Maestra.

Em ligação estreita com o movimento revolucionário de massas nas áreas urbanas, o Movimento 26 de Julho alcançou a vitória completa no dia 1 de janeiro de 1959. Fidel Castro proclamou a vitória e procedeu com a transformação de Cuba ao acabar com o regime de terror de Batista; realizando a reforma agrária e redistribuição de riquezas; acabando com o analfabetismo e expandindo a educação; criando um sistema de saúde universal e de máxima qualidade e provendo muitos outros serviços sociais. Ele nacionalizou empresas norte americanas, refinarias, terras e assim despertou a irá dos todo poderosos nos Estados Unidos da América.

O Serviço de Inteligência Norte Americano (CIA) lançou seu ataque à Baía dos Porcos em 1961. Esta ação fora completamente derrotada e o prestígio de Castro e da Revolução Cubana ressoou pelo mundo. Então veio a crise dos mísseis em 1962, que expôs a vulnerabilidade dos Estados Unidos ao poderio nuclear soviético em várias escalas durante a Guerra Fria. É estimado que o próprio Castro fora alvo de pelo menos 638 tentativas de assassinato, além das incontáveis tentativas de desestabilização do Governo de Cuba. Além de um implacável embargo econômico, comercial e financeiro.

Sob a liderança de Fidel Castro, o proletariado e o povo cubano têm se destacado como a mais formidável força de inspiração aos povos latino americanos para que lutem por sua independência nacional, democracia e socialismo contra o imperialismo norte americano. Eles não vacilaram em tomar a estrada da luta de resistência anti-imperialista mesmo durante o ''período especial'', onde ajustes difíceis tiveram de ser feitos diante da desintegração dos regimes revisionistas do leste europeu e da União Soviética.

Recentemente, eles têm cooperado com a Venezuela e outros países latino americanos na construção da ALBA de acordo com os princípios da justiça social e da ajuda econômica mútua em contraposição às políticas reacionárias do imperialismo, especialmente o neoliberalismo, a subversão e a intervenção militar. Eles são conhecidos por sua excepcional política e atos de internacionalismo, não apenas na América Latina, mas em âmbito mundial.

Jogaram um papel importante no movimento tricontinental de governos e pessoas anti-imperialistas inspirados pela Conferência de Bandung e pelo Movimento dos Não-Alinhados (Non-Aligned Movement). Sob a direção de Fidel Castro, Cuba teve papel fundamental na luta contra as forças imperialistas, coloniais e neocoloniais. Como fonte de exemplo inigualável, as tropas cubanas frustraram as tropas do apartheid sul africano e ajudaram a pavimentar o caminho para a independência nacional dos povos da África do Sul. Em diversos países os médicos, especialistas agrônomos e professores cubanos ajudaram em missões humanitárias.

Quando Fidel Castro ficou gravemente doente em julho de 2006, ele confiou suas obrigações presidenciais ao vice-presidente Raul Castro, seu camarada revolucionário e irmão de sangue. Assim que recuperou sua força física, escreveu cartas e artigos sobre impasses globais e continuou a influenciar na política cubana. Ao final da sessão do sétimo congresso do Partido Comunista de Cuba em 19 de abril de 2016, ele se referiu à sua idade avançada e declarou: ''A todos nós chegará nossa vez, mas ficarão as idéias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, se você trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam (...)".

Fidel Castro será sempre lembrado como um grande líder revolucionário que defendeu ferrenhamente sua terra. Como alguém que realizou o que foi possível e que continuou a lutar pela causa da libertação nacional e social, pelo socialismo e pelo objetivo final do comunismo, a despeito das condições funestas resultantes da traição do socialismo por parte dos revisionistas modernos; do colapso da União Soviética e a subsequente ofensiva ideológica, política, econômica e militar dos EUA e seus aliados imperialistas. Ele compreendeu que estamos agora em um período sem precedentes de aprofundamento da crise capitalista e guerras inter-imperialistas, que antecederão um novo surto de embates revolucionários em escala global. 





Por professor José Maria Sison, presidente da Liga Internacional da Luta dos Povos (ILPS)



Traduzido por Guilherme Nogueira



Fonte: Nova Cultura



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