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sábado, 3 de junho de 2017

Brasil em chamas e sangue!

Brasil em chamas e sangue!
por Nova Cultura

"A civilização e a justiça da ordem burguesa aparecem em todo o seu pálido esplendor sempre que os escravos e os párias dessa ordem se rebelam contra seus senhores. Então essa civilização e essa justiça mostram-se como uma indisfarçada selvageria e vingança sem lei. Cada nova crise na luta de classes entre o apropriador e o produtor faz ressaltar esse fato com mais clareza." Marx, Karl.

O dia de hoje (24 de maio) ficará marcado como um dia de repressão, violência e massacres na história de nosso país. Hoje, não só o governo, mas também o próprio Estado brasileiro apresentaram sem rodeios seu verdadeiro caráter, à quais interesses ele serve e até onde está disposto a ir para garanti-los. 

Mesmo diante de gravíssima crise econômica; da desmoralização completa das instituições políticas; de escândalos epidêmicos de corrupção e de inconteste insatisfação popular - que ganha sua forma nos atos de hoje em Brasília – o discurso unitário de todas as forças políticas fiéis às elites dominantes e ao velho Estado é: “aprovemos as reformas!”. 

É o programa de brutais medidas anti-povo - sobretudo a reforma trabalhista e da previdência - que unificam desde Michel Temer, passando por Dória e Bolsonaro, até a Rede Globo (que é um dos principais Partidos políticos do imperialismo e das elites dominantes no Brasil). Este é também o discurso das forças econômicas que verdadeiramente comandam nosso país: da Confederação Nacional da Indústria aos principais bancos privados. 

O motivo do impeachment e do golpe de Estado sempre fora este: aumentar brutalmente a exploração das massas trabalhadoras operárias e camponesas em nosso país e sua apropriação por elites hiper-parasitárias (monopólios estrangeiros, rentistas de todos os tipos, grandes industriais e latifundiários). Por isto que independe se sejam aprovadas as medidas com Temer ou sem; se haverão eleições diretas ou indiretas. O que importa para esta casta é que a imensa maioria do povo trabalhe para eles sem direitos por um salário de fome e até morrer. 

Destarte, é pela própria lentidão, fraqueza e instabilidade do governo Temer que a Globo e outros setores das elites começaram a pedir-lhe a cabeça. É possível que as manifestações da “Greve Geral” do dia 28 de Abril tenham posto em dúvida a capacidade de Temer em aprovar as medidas no tempo e com o rigor que se esperava inicialmente. 

E provavelmente por estar completamente acuado, com sua governabilidade posta em cheque, que Michel Temer lançou mão de sua última aposta para conter a insatisfação popular e mostrar serviço aos seus senhores: a repressão completa e desenfreada. 

Porém, não só em Brasília, mas também no Rio de Janeiro e no Pará foram registrados casos de brutal repressão no dia de hoje. Isto mostra que, tal qual a corrupção, a repressão violenta ao levante popular é uma característica intrínseca ao Estado e ao sistema burguês-latifundiário que impera em nosso país. 

É válido, a título de denúncia e para manter acesa a legítima chama da indignação em nosso povo, atentarmo-nos aos simples fatos dos três casos. 

Brasília: Em resposta ao Ocupa Brasília, marcado pelas principais frentes populares e sindicatos, mais de 100 mil pessoas de todos os cantos do país se dirigiram até a capital para pedir a renúncia do Presidente e o fim das votações das mais eminentes medidas anti-povo.

Assim que os manifestantes chegaram à Esplanada dos Ministérios, um contingente desproporcional da Polícia Militar, Tropa de Choque e Força Nacional iniciaram a repressão, lançando uma chuva de bombas de gás contra as pessoas, a despeito do fato de haverem idosos e crianças no local. Há também relatos do uso de armas de fogo contra a população.

Mas tudo isto não bastou. Atendendo aos pedidos de reforço policial de Rodrigo Maia, Michel Temer baixou um decreto, assinado também pelo Ministro da Defesa (Raul Jungmann) e pelo Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (Sérgio Etchegoyen), autorizando o uso das Forças Armadas para conter os manifestantes. Além disto, estendeu o decreto até o dia 31 deste mês. Não são poucos os juristas e ativistas que denunciam isto como um “Estado policial” ou “Estado de sítio”. 

Sabe-se também que ao menos dois prédios de ministérios foram incendiados e outros tiveram a fachada danificada. Estas são de revolta legítima que nem se comparam em condições e proporção com a violência institucional do Estado. Ao menos 4 manifestantes foram detidos. 

Rio de Janeiro: Hoje foi votado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) o reajuste da contribuição previdenciária dos funcionários públicos do Estado. Os deputados aprovaram o aumento de 11% para 14% da alíquota da contribuição, estrangulando ainda mais os salários dos servidores estaduais, que já se encontram em situação extremamente crítica, com atrasos no pagamento e parcelamentos de direitos como o 13º. 

O aparato de repressão para conter as manifestações dos servidores e apoiadores, foi de 500 policiais militares, além da Força Nacional, da cavalaria e do chamado “caveirão” da Tropa de Choque. 

Quando a votação era levada ao plenário da câmara, os manifestantes tentaram intervir e foram recebidos com chuvas de gás lacrimogêneo e saraivadas de bomba de borracha. 

Ao menos um repórter se feriu com um bala não-letal. Não se têm notícias de manifestantes feridos. Ao menos seis pessoas foram detidas e levadas para a 10ª DP de Botafogo.

Pará: A Polícia Militar e civil do Estado do Pará cometeram hoje uma verdadeira chacina contra o movimento camponês. Em uma ação de reintegração de posse na fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, nove camponeses e uma camponesa foram brutalmente assassinados. 

Os fazendeiros e seus capangas – que já promovem o terror contra os movimentos organizados de luta pela terra – contam com o apoio das forças de repressão institucionais do Estado para garantir seu rentismo, sua especulação com a terra e o seu poder coronelista quase absoluto em regiões rurais do Brasil. 

Militantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) afirmam que entre os mortos está a presidenta da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pau D’Arco. Este episódio é parte do assassinato indiscriminado de lideranças e ativistas camponeses promovido pelo Estado e cuja proporção cresce de modo desenfreado este ano. 

Os militantes da Liga afirmam que a terra era dos camponeses e fora grilada de forma ilegal pela família de fazendeiros Babinsk.


Fonte: Nova Cultura



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